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CALI, Colômbia – Helicóptero da Polícia Nacional Colombiana sobrevoa Cali como parte de uma medida de segurança de preparação para a Reunião de Cúpula da Aliança do Pacífico, que ocorrerá em 23 de maio. Líderes de Chile, Colômbia, México e Peru participarão do encontro. (Luis Robayo/AFP)

CALI, Colômbia – Helicóptero da Polícia Nacional Colombiana sobrevoa Cali como parte de uma medida de segurança de preparação para a Reunião de Cúpula da Aliança do Pacífico, que ocorrerá em 23 de maio. Líderes de Chile, Colômbia, México e Peru participarão do encontro. (Luis Robayo/AFP)

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Chilenos presos em mina entendem gravidade da situação

Mineiros terão que emagrecer para facilitar o resgate.

Por Rodrigo Godoy para Infosurhoy.com—26/08/2010


							Equipes de resgate iniciaram a perfuração de um buraco de cerca de oitocentos metros de profundidade para salvar os 33 mineiros presos. (Martín Bernetti/AFP/Getty Images)

Equipes de resgate iniciaram a perfuração de um buraco de cerca de oitocentos metros de profundidade para salvar os 33 mineiros presos. (Martín Bernetti/AFP/Getty Images)

COPIAPÓ, Chile – Os 33 operários presos na mina do ouro e cobre de San José há quase três semanas enfrentam outro desafio: todos terão de emagrecer.

Emagrecer quanto? 90 centímetros de cintura - e nem um centímetro a mais. Se estiverem mais gordos, não poderão se espremer através do túnel de cerca de oitocentos metros, que está sendo escavado no terreno rochoso onde todos estão presos desde 5 de agosto.

O médico Jaime Manalich, ministro da saúde do país, disse que as equipes de resgate estão elaborando um plano para garantir que os mineiros não ganhem peso, enquanto as perfuratrizes cavam o túnel que pode levar até quatro meses para chegar até eles.

"Estamos procurando por uma área segura onde os mineiros possam fazer as coisas", segundo reportagem da The Associated Press. "O espaço onde eles estão agora tem cerca de dois quilômetros de galerias para movimentação", revelou. "Esperamos definir uma área segura onde seja possível estabelecer vários espaços – um para descansar e dormir, um para lazer, um para comer e outro para trabalhar."


							Equipes de resgate estão sendo tratadas como heróis pelas famílias dos trabalhadores presos na mina de San José. (Martín Bernetti/AFP/Getty Images)

Equipes de resgate estão sendo tratadas como heróis pelas famílias dos trabalhadores presos na mina de San José. (Martín Bernetti/AFP/Getty Images)

Manalich disse que está sendo elaborado um programa diário para os homens, que inclui "cantar, jogos de movimentação e cartas. Queremos que gravem músicas, façam vídeos, peças de teatro para suas famílias."

Os mineiros foram informados pelas autoridades no dia 25 de agosto, pela primeira vez, que as equipes de resgate poderiam levar até quatro meses para concluir o túnel de escape, informou Manalich. Segundo ele, os trabalhadores receberam bem a notícia.

O túnel de escape deverá ter cerca de 66 centímetros de diâmetro e uma cesta deve ser utilizada para içar os homens até a superfície. A margem de erro é mínima, segundo autoridades.

Autoridades disseram que os homens perderam peso, mas ainda não se sabe quanto.


							Liliana Ramírez, direita, lê uma carta enviada por seu marido Mario Gómez - um dos 33 operários presos na mina de San José. (Martín Bernetti/AFP/Getty Images)

Liliana Ramírez, direita, lê uma carta enviada por seu marido Mario Gómez - um dos 33 operários presos na mina de San José. (Martín Bernetti/AFP/Getty Images)

O que se sabe é que durante os 17 dias que antecederam o contato com a equipe de resgate, cada um deles consumiu duas colheres de atum, um pouco de leite e um pedaço de pêssego, em dias alternados.

Os mineiros tiveram que partilhar o equivalente a dois dias de ração de emergência.

"Todos no Chile têm esperanças de um milagre", declarou María Cifuentes, de 48 anos, moradora de Santiago. "Essas pessoas sempre terão o apoio [do Chile], porque sobreviver por um milagre como este não acontece todos os dias."

Presidente Sebastián Piñera confirma que socorro está a caminho


							A operação de resgate para libertar 33 trabalhadores presos na mina de San José mobiliza o país. (Martín Bernetti/AFP/Getty Images)

A operação de resgate para libertar 33 trabalhadores presos na mina de San José mobiliza o país. (Martín Bernetti/AFP/Getty Images)

Os homens não foram autorizados a falar com suas famílias antes de 25 de agosto, mas o líder dos operários presos na mina, Luis Urzúa, conversou com o presidente Sebastián Piñera na linha de comunicação dupla que os mantém em contato com o mundo exterior.

"Salvem-nos o mais rapidamente possível, e não nos abandonem", implorou Urzúa, 54 anos, a Sebastián Piñera, segundo reportagem da AP. "Não nos deixem sozinhos ... esperamos que todos no Chile mostrem sua força para nos ajudar a sair deste inferno.”

Sebastián Piñera respondeu: “Vocês não ficarão sozinhos, vocês nunca estiveram sozinhos. O governo está com todos vocês, todo o país está com vocês."

Urzúa disse que os mineiros tiveram medo quando o eixo principal da mina desabou.

"Foi assustador. Parecia que a montanha caía sobre nós, e não sabíamos o que estava acontecendo. Graças a Deus, ainda não tínhamos nos reunido para sair para almoçar", disse ele, segundo reportagem da AP. "Vinte para as duas (hora de almoço dos mineiros), a montanha caiu em cima de nós. Durante quatro ou cinco horas, não se podia ver nada. Depois disso, percebemos que estávamos presos por uma rocha gigante que tapou a passagem do túnel."

Jorge Barahona disse estar confiante que seu primo, Urzúa, vai se tornar o líder, porque seu pai foi morto quando ele ainda era adolescente, forçando-o a amadurecer rapidamente.

"Todos os que estão com ele têm experiência em sobrevivência, o trabalho deles é sobreviver", disse Barahona enquanto aguardava no local de resgate durante a madrugada, segundo reportagem da AP. "Ele lidera tudo lá em baixo. Eles sabem que quando uma coisa assim acontece, haverá sempre alguém para assumir a liderança.”

Mario Gómez, o mais velho entre os presos na mina, também tem dado orientações.

"Um homem de 63 anos tem experiência e vontade de viver", disse Marisol Verdugo, 40 anos, moradora de Santiago. "No Chile, os idosos são ignorados, negligenciados, mas as instruções firmes e precisas de um líder experiente tem sido a diferença entre viver e morrer."


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