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BRASÍLIA, Brasil – Soldados do Exército brasileiro participaram recentemente de um exercício em que terroristas lançam um ataque com armas químicas durante a Copa das Confederações. O treinamento é parte dos preparativos de segurança para o torneio de futebol, de 15 a 30 de junho. (Evaristo Sa/AFP)

BRASÍLIA, Brasil – Soldados do Exército brasileiro participaram recentemente de um exercício em que terroristas lançam um ataque com armas químicas durante a Copa das Confederações. O treinamento é parte dos preparativos de segurança para o torneio de futebol, de 15 a 30 de junho. (Evaristo Sa/AFP)

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Tráfico de humanos preocupa Américas

Aumenta número de peruanos em busca de trabalho no Chile.

Por Claudio Espinosa Hernández para Infosurhoy.com—25/05/2011


							No posto policial e de controle aduaneiro da cidade chilena de Cuya, no norte do país, cerca de 80 km ao sul da cidade fronteiriça de Arica, policiais descobriram em 16 de maio um caminhão que escondia 17 peruanos, incluindo um menino de 8 anos. (Cortesia Polícia de Investigações)

No posto policial e de controle aduaneiro da cidade chilena de Cuya, no norte do país, cerca de 80 km ao sul da cidade fronteiriça de Arica, policiais descobriram em 16 de maio um caminhão que escondia 17 peruanos, incluindo um menino de 8 anos. (Cortesia Polícia de Investigações)

SANTIAGO, Chile – O tráfico de seres humanos é uma indústria criminosa lucrativa.

Autoridades mexicanas no estado de Chiapas descobriram 513 imigrantes das Américas e da Ásia espremidos em dois tratores-reboque com destino aos Estados Unidos em 17 de maio.

Mas o que aconteceu no México não é, de modo algum, um incidente isolado. Nos últimos anos, milhões de pessoas colocaram seu dinheiro e suas próprias vidas nas mãos de traficantes de seres humanos na esperança de buscar uma vida melhor como imigrantes ilegais.

Moradores em situação ilegal compõem uma percentagem alta das populações urbanas na República Dominicana (23%), Brasil (14%), Bolívia (21%), Colômbia (13%), Nicarágua (8%) e Peru (7%), segundo o Ideias para o Desenvolvimento nas Américas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Mas o tráfico de humanos não se limita às Américas. Existem 214 milhões de imigrantes em situação ilegal vivendo pelo mundo, segundo a Organização Internacional para Migrações.

No posto policial e de controle aduaneiro da cidade chilena de Cuya, no norte do país, cerca de 80 km ao sul da cidade fronteiriça de Arica, policiais descobriram em 16 de maio um caminhão que escondia 17 peruanos, incluindo um menino de 8 anos.

O motorista do caminhão havia cobrado do grupo de imigrantes um total de 170.000 pesos para levá-los ao país. Após ser parado em um posto policial fronteiriço, o motorista foi liberado depois de pagar multa por transportar excesso de passageiros, segundo o jornal chileno El Mercurio.

Peruanos podem permanecer na área fronteiriça apenas com documentação apropriada, conforme determinado pelo convênio Tacna-Arica, assinado pelos dois países em 1991.

Mas aqueles que pretendem ir ao sul do Chile devem ter visto de turista, uma medida adotada pelo governo chileno para evitar que imigrantes ilegais se estabeleçam em cidades economicamente atrativas, como Iquique, Antofagasta e Santiago.

Mas a brecha legal usada pelo motorista do caminhão pode ser fechada se uma nova legislação, apresentada ao Congresso pelo senador Jaime Orpis, for ratificada.

O número de imigrantes em situação ilegal no Chile tem aumentado nos últimos anos, segundo o Departamento de Estrangeiros da Polícia Investigativa.


							Peruanos que queiram permanecer na área fronteiriça depois de passar pelo posto policial e de controle alfandegário na cidade chilena de Cuya, no norte do país, devem ter a documentação exigida pelo Pacto Tacna-Arica, assinado pelos dois países em 1991. (Cortesia Polícia de Investigações)

Peruanos que queiram permanecer na área fronteiriça depois de passar pelo posto policial e de controle alfandegário na cidade chilena de Cuya, no norte do país, devem ter a documentação exigida pelo Pacto Tacna-Arica, assinado pelos dois países em 1991. (Cortesia Polícia de Investigações)

Em 2008, foram 108 denúncias de entrada clandestina no Chile.

Dois anos depois, o número pulou para 314.

No ano passado, 320 imigrantes ilegais – a maioria de argentinos, peruanos e bolivianos – foram deportados.

As estatísticas mostram que os imigrantes estão usando o ponto de travessia de Chacalluta, na divisa peruana, para entrar no Chile.

Em 2010, 4.244 colombianos usaram esse ponto de travessia, mas apenas 3.058 retornaram. Os números mostram ainda que 3.263 equatorianos ingressaram no país, sendo que apenas 2.769 saíram.

A lei chilena estipula que “um indivíduo é considerado traficante de humanos quando, por dinheiro, facilita ou encoraja a entrada ilegal no país de uma pessoa que não seja cidadão ou residente.”

Em 18 de maio, três paraguaios que trabalhavam em um vinhedo chileno na cidade de Santa Ana escaparam do que eles descreveram como “condições de trabalho escravo.”

As vítimas disseram que foram convencidas enquanto moravam em Ciudad del Este, Paraguai. Os paraguaios contaram que um desconhecido lhes prometeu 3 milhões de guaranis (R$ 1.200) mensais para trabalhar no vinhedo, segundo o site chileno Cooperativa.cl.

Mas, assim que chegaram à Santa Ana, uma pequena cidade ao sul de Santiago, descobriram que as condições de trabalho não eram as prometidas. Eles recebiam uma única refeição por dia e podiam tomar apenas água salgada, segundo o jornal paraguaio Última Hora.

As autoridades chilenas abriram uma investigação tendo como alvo o dono do vinhedo, o empresário chileno e ex-candidato presidencial Francisco Javier Errázuriz, informou o Cooperativa.cl.

Na primeira semana de maio, um peruano identificado como Pedro Guajardo Buenaño foi preso na divisa norte do país.

Guajardo Buenaño foi acusado de tráfico de humanos quando as autoridades descobriram que ele tentava trazer três colombianas, que haviam pagado quase US$300 (R$ 500) cada para serem trazidas à cidade de Arica, no norte do Chile, segundo a polícia.

As mulheres foram liberadas enquanto a investigação continua.

Waldo Ortega, cônsul adjunto do Peru em Arica, está ciente dos problemas que seus compatriotas têm em obter permissão para viajar à região central do Chile. Ele admitiu que aqueles que não conseguem obter a permissão frequentemente se aventuram a entrar no país ilegalmente.

Mas Ortega reconhece que os peruanos querem viver no Chile porque o país lhes oferece um futuro melhor.

“Estamos trabalhando com diferentes ONGs e com a igreja, tentando obter benefícios para aqueles que estão aqui e não querem retornar”, antecipou Ortega.


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