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CIDADE DA GUATEMALA – Os níveis de poluição atmosférica do país são alarmantes e o problema piora a cada ano, segundo o Relatório Anual de Monitoramento do Ar.
Elaborado pela Universidad de San Carlos (USAC) desde 1995, o relatório concluiu que a principal causa da má qualidade do ar é a emissão de gases pelos veículos, especialmente os usados no transporte público.
Johny Álvarez, diretor do Laboratório de Monitoramento do Ar da USAC, ressalta que os níveis de dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre aumentaram consideravelmente porque muitos ônibus não foram substituídos na data recomendada pelos fabricantes.
“A vida útil desses veículos não passa de 5 anos, mas há ônibus que estão circulando na capital desde a década de 1980”, lembra Álvarez.
O governo permite que as empresas de ônibus usem veículos velhos se satisfizerem as exigências mínimas, como motorista habilitado, pagamento de impostos do ônibus e apólice de seguro.
Porém, não se exige que os veículos passem por um teste de emissões.
Há pelo menos 900.000 veículos nas ruas da cidade diariamente – e o número cresce ao menos em 50.000 a cada ano, segundo cálculos da prefeitura da cidade.
Quando o dióxido de nitrogênio e o dióxido de enxofre entram em contato com as nuvens durante o verão, é criada uma chuva ácida, o que provoca lesões na pele e doenças pulmonárias e digestivas.
Cerca de 29% das crianças entre 8 e 13 anos de idade no país sofrem de doenças pulmonares como asma, enfisema, infecções respiratórias e alergias, segundo um relatório publicado pela pela Asociación Guatemalteca de Neumología em 2006. Em 2000, o número era de 20% para a mesma faixa etária.
Complicações respiratórias são as principais causas de doenças infantis no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Dada a sua capacidade de penetrar as vias respiratórias mais profundamente, as partículas suspensas podem causar irritações graves no organismo e tornar os sintomas da asma e de doenças cardiovasculares ainda piores”, conclui o relatório da Universidad de San Carlos.
Álvarez afirmou que o governo deve fazer mais para melhorar a qualidade do ar.
“Publicamos esse relatório e fazemos as mesmas recomendações há 15 anos”, destaca.
O nível de concentração de partículas suspensas na Cidade da Guatemala é, em média, de 90 microgramas por metro cúbico por ano. O nível máximo aceitável é de 20 microgramas por metro cúbico, segundo a OMS.
Abelardo Pérez, avaliador do Programa Nacional sobre Alterações Climáticas do Ministério do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (MARN), afirma que o principal obstáculo para a melhoria da qualidade do ar na Cidade da Guatemala é a falta de legislação para regulamentar a quantidade de emissão permitida no meio ambiente.
“Não há leis para regulamentar as emissões de poluentes", ressalta.
Mas isso poderá mudar em breve.
A USAC, os Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde e o Instituto Nacional de Sismologia, Vulcanologia, Meteorologia e Hidrologia (INSIVUMEH) estão preparando um projeto para o Congresso que estabelece parâmetros para a emissão de gases de pelos veículos.
O projeto está sendo avaliado pelo Consejo Superior Universitario – uma instituição guatemalteca autorizada a apresentar projetos ao governo – e não há prazo para a lei ser enviada ao Congresso.
Se aprovada, a lei valeria para todos os veículos, mas não para as indústrias, que são responsáveis pela geração de 30% dos poluentes no ar, segundo o Laboratório de Monitoramento do Ar da USAC.
As soluções
O Laboratório de Monitoramento do Ar tem recomendado repetidamente o uso de combustíveis alternativos como o biodiesel e o etanol, que emitem menos gás carbônico.
Combustíveis usados em motores a diesel possuem altas concentrações de enxofre, um dos principais poluentes do ar.
O MARN e a Comissão Centro-Americana para o Desenvolvimento do Meio Ambiente (CCAD) estão trabalhando no Primeiro Inventário de Poluentes para a Região Metropolitana da Cidade da Guatemala, que quantificará as diferentes fontes de poluição e identificará oportunidades para melhorar a qualidade do ar.
Felizmente para os guatemaltecos, a topografia do país favorece a ventilação da capital com um vento que sopra do norte para o sul.
“Na [Cidade da] Guatemala, as condições do vento são diferentes das da Cidade do México, onde a poluição estagna pela ausência de vento", explica Juan Guillermo Orozco, consultor de saúde ambiental da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) na Guatemala.
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