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PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

PUERTO SUÁREZ, Bolívia – Os prefeitos de Corumbá-MS, Paulo Duarte (esquerda), e da cidade boliviana de Puerto Suárez, Roberto Vaca Yorge, assinaram um acordo de cooperação em março para trabalhar em parceria nas áreas de saúde, educação, comércio e turismo. (Cortesia de Marcos Boaventura/Cidade de Corumbá)

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Nicarágua unifica esforços contra tráfico de pessoas

ONGs, sociedade civil e governo se juntam na Coalizão Contra o Tráfico de Humanos do país.

Por Abigaíl Hernández para Infosurhoy.com — 06/01/2012


							Entre 2007 e 2010, a Polícia Nacional da Nicarágua recebeu 53 denúncias, os promotores levaram a julgamento 90 casos e o Ministério da Família registrou cerca de 1.000 queixas de tráfico de pessoas. (Abigaíl Hernández para Infosurhoy.com)

Entre 2007 e 2010, a Polícia Nacional da Nicarágua recebeu 53 denúncias, os promotores levaram a julgamento 90 casos e o Ministério da Família registrou cerca de 1.000 queixas de tráfico de pessoas. (Abigaíl Hernández para Infosurhoy.com)

MANÁGUA, Nicarágua – A sinergia entre ONGs de direitos humanos, governo, polícia e organizações internacionais produziu resultados no combate ao tráfico de pessoas na Nicarágua.

As instituições, reunidas na Coalizão Contra o Tráfico de Humanos, ajudaram a polícia do país centro-americano de 5,6 milhões de habitantes na compilação de casos que levou à condenação de traficantes e a um aumento do número de vítimas resgatadas, que recebem assistência de mais de 35 organizações.

Organizações multilaterais, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Internacional para Migração (OIM); entidades governamentais, como Procuradoria Geral da Nicarágua, Aduana e Imigração e Ministério da Família; e ONGs locais, como Coalizão para Crianças e Associação de Mulheres, estão entre os membros da coalizão.

“Estamos organizados em torno de um objetivo comum: a erradicação do tráfico de pessoas no país”, assinala Brenda de Trinidad, coordenadora para Questões de Tráfico Humano e Migrações da OIM.

Criada em 2004, a coalizão é uma iniciativa da ONG Save the Children, que apoia grupos semelhantes em El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua. Estes grupos são coordenados pela Coalizão Centro-Americana Contra Tráfico de Humanos, sediada em San Salvador.

A Polícia Nacional da Nicarágua trabalha com a coalizão desde 2007 para aumentar a conscientização sobre o crime e capacitar seu pessoal, explica a comissária Esther García, chefe da Divisão da Mulher da Unidade de Tráfico de Humanos da Polícia Nacional.

Os resultados são promissores.

Entre 2007 e 2010, a Polícia Nacional da Nicarágua recebeu 53 denúncias de tráfico de humanos, os promotores levaram a julgamento 90 casos e o Ministério da Família registrou cerca de 1.000 queixas sobre a atividade ilegal.

Na primeira metade de 2011, a Polícia Nacional recebeu 21 relatórios de atividades de tráfico e participou do resgate de 78 vítimas e da prisão de 31 suspeitos.

Em março de 2011, a Polícia Nacional, com a ajuda da coalizão, inaugurou o primeiro abrigo para vítimas de tráfico de pessoas, em Manágua.

“É o único abrigo na região administrado pelo departamento de polícia”, destaca Esther. “Tem capacidade para 16 pessoas e a equipe necessária para cuidar das vítimas de maneira apropriada. Nossa meta é criar mais abrigos nas áreas fronteiriças e turísticas do país.”

Outras entidades policiais, como a Divisão da Mulher e os departamentos de Assistência Jurídica, Inteligência, Trânsito, Delitos Econômicos e Medicina Legal, além do Ministério Público, recebem treinamento da coalizão sobre questões de tráfico de pessoas, acrescenta Esther.

“O tráfico de seres humanos não se limita a redes internacionais”, alerta a comissária. “Acontece também dentro do país. É, quase sempre, um delito invisível e estamos trabalhando com a coalizão na prevenção, investigação e condenação dos infratores, além do apoio às vítimas.”


							Comissária de polícia Esther García, chefe da Divisão da Mulher da Unidade de Tráfico de Humanos da Polícia Civil Nacional: “O tráfico de seres humanos não se limita a redes internacionais. Acontece também dentro do país. É, quase sempre, um delito invisível e estamos trabalhando com a coalizão na prevenção, investigação e condenação dos infratores, além do apoio às vítimas.” (Abigaíl Hernández para Infosurhoy.com)

Comissária de polícia Esther García, chefe da Divisão da Mulher da Unidade de Tráfico de Humanos da Polícia Civil Nacional: “O tráfico de seres humanos não se limita a redes internacionais. Acontece também dentro do país. É, quase sempre, um delito invisível e estamos trabalhando com a coalizão na prevenção, investigação e condenação dos infratores, além do apoio às vítimas.” (Abigaíl Hernández para Infosurhoy.com)

Considerada a escravidão do século XXI, a exploração sexual e laboral através do tráfico de pessoas é a terceira mais lucrativa atividade ilegal do mundo, depois do comércio de narcóticos e de armamentos, segundo um relatório de 2007-2010 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em 2011, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) calculou que o crime vitimou 700.000 pessoas na América Latina, sendo que a maioria buscava oportunidades de emprego melhores fora de seus países de origem.

A coalizão quer montar um panorama estatístico da exploração de seres humanos na Nicarágua.

Mas problemas de coordenação entre as entidades e o medo das vítimas de sofrerem retaliação são alguns dos obstáculos para as autoridades que buscam dados.

“Se há crianças envolvidas, o Ministério da Família assume o caso e as informações não chegam a outras entidades [governamentais]”, explica. “Se há mulheres, algumas não denunciam o que aconteceu com elas.”

Conscientização e esperança

A coalizão busca aumentar a conscientização sobre o problema em todo o país.

“Estamos trabalhando diretamente com a comunidade através dos líderes de bairro, que são treinados por organizações como OIM e Save the Children”, conta Esther, acrescentando que a informação é disseminada por 4.027 voluntários pelo país.

Através do Ministério da Educação, o treinamento de combate ao tráfico de pessoas foi oferecido pela coalizão a 50.000 jovens. Eles aprenderam a identificar o crime e o perfil do traficante, avaliar situações de risco e registrar uma queixa se suspeitam que o crime aconteceu, explica Juana Mercedes Delgado, representante da ONG internacional Save the Children.

“Com a ajuda dos jovens, poderemos levar a mensagem de prevenção às áreas fronteiriças e ao litoral caribenho da Nicarágua”, ressalta.

A coalizão ajudou também na criação da linha direta 133, disponível na Nicarágua para as vítimas e para aqueles que queiram denunciar um caso ou compartilhar informações com as autoridades.

A linha direta foi criada em 2005 com a ajuda da Fundação Ricky Martin e da iniciativa Llama y Vive (Ligue e Viva), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em coordenação com a OIM.

Graças ao trabalho coordenado com outras organizações na América Central, as vítimas do tráfico de pessoas contam com recursos para retomar suas vidas após a recuperação.

“A América Central já tem um protocolo de repatriação para crianças, adolescentes e mulheres vítimas de tráfico de humanos. A coalizão tem sido capaz de agilizar o processo de repatriação para essas pessoas, um passo importante em termos regionais”, diz Brenda.

No geral, a Nicarágua avançou com a ajuda dos moradores, que foram treinados para evitar que se tornem vítimas, ressalta Gonzalo Carrión, diretor jurídico do Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (CENIDH).

“Houve um aumento das queixas, o que significa que o público está reconhecendo que o crime existe”, destaca Carrión. “É o primeiro passo. Quando há denúncias, os casos tendem a diminuir.”


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