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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Tribunal contrata serviço de deficientes visuais

Com concentração e agilidade, transcritores da Associação dos Cegos do Rio Grande do Sul aceleram trabalho de varas criminais.

Por Cristine Pires para Infosurhoy.com — 19/03/2012


							Grazieli de Oliveira Dahmer, 29 anos, trabalha no Centro de Degravação há um ano. “Aqui tenho estabilidade e a garantia do salário”, diz ela. (Carlos Edler para Infosurhoy.com)

Grazieli de Oliveira Dahmer, 29 anos, trabalha no Centro de Degravação há um ano. “Aqui tenho estabilidade e a garantia do salário”, diz ela. (Carlos Edler para Infosurhoy.com)

PORTO ALEGRE, Brasil – A ideia simples de uma juíza revolucionou o ritmo de trabalho de uma vara criminal de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Em 2008, inúmeros processos estavam acumulados pelo mesmo motivo: atraso nas transcrições de depoimentos de réus e testemunhas.

A juíza Salise Monteiro Sanchotene sugeriu, então, contratar deficientes visuais para fazer o trabalho de transcrição. Graças à concentração e à agilidade desses profissionais, a 2ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre conseguiu resolver o atraso de três meses em apenas cinco dias.

“Descobrimos que os deficientes visuais têm grande habilidade para transcrever textos em função do poder de concentração”, conta Salise. “Resolvemos investir nessa parceria e o resultado foi compensador.”

Um contrato foi firmado com a Associação dos Cegos do Rio Grande do Sul (Acergs) em 2008. Atualmente são transcritas cerca de 65 horas de áudio por mês.

“Não estamos falando de filantropia, mas de um serviço de alta qualidade com 99% de aproveitamento”, diz a juíza. “Antes chegava a faltar trechos dos depoimentos e precisávamos ouvir todas as gravações novamente para ver se estavam de acordo com a transcrição.”

Para realizar o trabalho, os atuais 9 degravadores da Acergs usam softwares especiais. Todos os comandos executados e dados digitados no computador são repetidos em áudio pelo programa.

Quando o volume de audiências para transcrever aumenta muito, a Acergs contrata trabalhadores autônomos para agilizar a entrega do material.

O prazo para entrega de cada pedido de transcrições é de cinco dias úteis. Em média, são 8 horas de trabalho para cada hora de áudio.

Reconhecimento nacional

A atuação recorde dos degravadores da Acergs na 2ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre chamou a atenção de outras varas. Hoje, 35 varas federais do Rio Grande do Sul têm convênio com a Acergs.

A Justiça Federal da 4ª Região, que reúne os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, também contratou deficientes visuais para fazer as transcrições. O exemplo foi seguido até por varas do Rio de Janeiro e de Alagoas.


							Lucas Reis Silveira, líder da Sala de Produção de Livros em Formatos Acessíveis da Acergs: “Traduzimos livros didáticos, provas para concursos e faculdades, cardápios e até bulas de remédio”. (Carlos Edler para Infosurhoy.com)

Lucas Reis Silveira, líder da Sala de Produção de Livros em Formatos Acessíveis da Acergs: “Traduzimos livros didáticos, provas para concursos e faculdades, cardápios e até bulas de remédio”. (Carlos Edler para Infosurhoy.com)

Em dezembro de 2011, a iniciativa da 2ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre em parceria com a Acergs foi reconhecida nacionalmente. A ação recebeu o Prêmio Innovare, que, desde 2004, premia as melhores práticas para a modernização da Justiça brasileira.

“Recebemos muitos telefonemas depois do prêmio com pedidos de informação sobre o convênio”, comemora Salise. “O objetivo é difundir a prática para que a ideia ganhe cada vez mais adeptos pelo país.”

Pedro Freitas, diretor-presidente do Prêmio Innovare, também diz apostar que a iniciativa irá se multiplicar no Judiciário brasileiro.

“Não foram apenas os deficientes visuais que se beneficiaram com a oportunidade de trabalho, pois a Justiça também teve uma melhora significativa no andamento dos processos”, diz Freitas.

Mudando vidas

Grazieli de Oliveira Dahmer, 29 anos, trabalha no Centro de Degravação há um ano. Ela nasceu com problemas visuais e foi gradualmente deixando de enxergar há alguns anos.

“Entrei em depressão, em casa, e não tinha vontade de fazer nada”, lembra. “Mas daí resolvi dar uma virada.”

A rotina de Grazieli mudou radicalmente. Ela fez cursos de Braille, telefonia, informática e massoterapia, além de inglês e auxiliar administrativo.

Depois de concluir alguns estágios, em 2011 veio a chance de integrar a equipe de degravação da Acergs.

“Aqui tenho estabilidade e a garantia do salário, tudo com registro formal”, comemora.

Livros acessíveis

Além da prestação de serviços de degravação para a Justiça Federal, Acergs produz os chamados livros acessíveis.

A atividade consiste em converter publicações para o Braille, transformá-las em livro falado (MP3) ou em livro digital no formato Daisy, gravado em CD.

“Traduzimos livros didáticos, provas para concursos e faculdades, cardápios e até bulas de remédio”, diz Lucas Reis Silveira, líder da Sala de Produção de Livros em Formatos Acessíveis da Acergs.


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