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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Rio+20: Felicidade como plano de governo

Durante Cúpula da ONU no Rio, Movimento Mais Feliz levanta sua bandeira de que felicidade deve ser a meta de políticas públicas.

Por Thiago Borges para Infosurhoy.com – 15/06/2012


							MyFunCity: aplicativo para smartphones e Facebook colhe opinião de usuários sobre serviços públicos e aponta nível de satisfação dos moradores do bairro. (Reprodução do MyFunCity no Facebook)

MyFunCity: aplicativo para smartphones e Facebook colhe opinião de usuários sobre serviços públicos e aponta nível de satisfação dos moradores do bairro. (Reprodução do MyFunCity no Facebook)

SÃO PAULO, Brazil – Para o Movimento Mais Feliz, felicidade não é apenas estado de espírito.

Criado em 2009 pelo ativista social Mauro Motoryn, o movimento defende que a felicidade seja o principal fator norteador de políticas públicas.

“A felicidade subjetiva, individual, depende de cada um. Mas há outra que é objetiva, que depende do governo e da vida na comunidade para ser atingida”, explica Motoryn.

Não governamental e apartidário, o movimento se mantém com doações e tem o apoio de cerca de 600 políticos, artistas e ativistas sociais.

Em 19 de junho, em evento paralelo à Rio+20, o Mais Feliz vai reunir ativistas sociais para discutir sua bandeira. A ideia é aproveitar a Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável para para dar mais visibilidade ao tema.

A felicidade também está na pauta oficial da Rio+20. Em julho de 2011, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução em que afirma que o Produto Interno Bruto (PIB) não reflete, em sua totalidade, a felicidade e o bem-estar geral dos habitantes de um país.

“Precisamos de um novo paradigma econômico que reconheça a paridade entre os três pilares do desenvolvimento sustentável”, disse Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas (ONU), no encontro “Felicidade e Bem-Estar: Definindo um novo paradigma econômico”, em abril, em Nova York. “O bem-estar social, econômico e ambiental são indivisíveis.”

O Butão, por exemplo, já baseia suas políticas públicas no indicador de Felicidade Interna Bruta (FIB) desde 1970. Inspirada na experiência do país asiático, a Fundação Getulio Vargas (FGV) está elaborando uma metodologia para calcular o FIB brasileiro.

O “Relatório Global de Felicidade” da ONU mostra que as nações mais felizes são as que têm maior renda per capita. Dinamarca, Noruega, Finlândia e Holanda lideram o ranking elaborado a partir de entrevistas sobre renda, liberdade e relações familiares com 1.000 cidadãos de 150 países.

Os países africanos Togo, Benim, República Centro-Africana e Serra Leoa ocupam as últimas posições.

“É evidente que onde direitos sociais e liberdade transitam com mais facilidade, há mais possibilidades de ser feliz”, acrescenta Motoryn.

Garantia à felicidade na Constituição

Signatário do Movimento Mais Feliz, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) propôs em maio de 2010 uma emenda constitucional (PEC) para que a busca pela felicidade por meio do acesso a educação, saúde, alimentação e moradia seja incluída na Constituição.

“Muda o nível de consciência da população saber que seu filho tem direito à educação e que, sem ela, fica mais difícil chegar à felicidade”, observa Buarque. “É papel do homem público retirar esses entulhos que dificultam ao cidadão comum atingir a felicidade pessoal.”

Conhecida como PEC da Felicidade, a proposta foi aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado em novembro de 2010. Mas sua tramitação está emperrada “por falta de sustentação”, segundo Buarque.


							Mauro Motoryn, criador do Movimento Mais Feliz, desenvolveu o aplicativo MyFunCity, que mede a felicidade coletiva em tempo real. (Thiago Borges para Infosurhoy.com)

Mauro Motoryn, criador do Movimento Mais Feliz, desenvolveu o aplicativo MyFunCity, que mede a felicidade coletiva em tempo real. (Thiago Borges para Infosurhoy.com)

Mesmo que Constituição do país ainda não estabeleça a felicidade como dever do estado, Motoryn destaca iniciativas tomadas nos últimos anos pelo governo federal para a busca do bem-estar coletivo.

O pacote inclui as políticas de estabilização da moeda, iniciadas em 1994 e ainda em vigor; o Programa Bolsa Família, que transfere renda a famílias pobres; e o Programa Universidade para Todos (ProUni), que insere jovens de baixa renda em universidades privadas.

“O que eu quero é que isso aconteça nos mais de 5.000 municípios brasileiros”, reforça Motoryn, lembrando que é preciso tornar essas iniciativas mais próximas dos cidadãos, em serviços cotidianos como transportes e iluminação pública. “Afinal, as pessoas não moram no estado ou país. Elas moram na rua, no bairro, na cidade.”

Para tornar o ideal tangível, em outubro do ano passado o Movimento Mais Feliz lançou o MyFunCity, um aplicativo medidor de felicidade que pode ser usado em smartphones e no Facebook.

“Trabalhamos na mobilização social pela busca da felicidade e na articulação de tecnologias para isso”, explica Motoryn.

Baseado em critérios que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o MyFunCity tem 96 questões.

Ao fazer o login no aplicativo, o usuário informa o local onde se encontra e responde a 12 perguntas aleatórias, como “Você está satisfeito com o serviço de limpeza urbana no seu bairro?” ou “Você está satisfeito com a quantidade de áreas de lazer no seu bairro?”.

Com base nas opiniões dos usuários, o MyFunCity gera um mapa mostrando o nível de satisfação coletiva em determinada região.

Por exemplo: na tarde em que esta reportagem foi escrita, o sistema metroviário da cidade de São Paulo estava em greve. Com isso, a percepção geral no centro da cidade era mais negativa do que positiva.

Monitorando essas opiniões em tempo real, os administradores públicos podem criar projetos para locais e problemas específicos, completa Motoryn.

Os primeiros resultados sobre as opiniões mensuradas até agora serão divulgados em 1° de julho.

O MyFunCity já tem 24.000 usuários no Brasil – a maioria em São Paulo e no Rio de Janeiro – e em algumas cidades do exterior. Depois de oito meses de testes, o aplicativo será lançado oficialmente no mercado em julho.

A população vai continuar usando o MyFunCity gratuitamente. Mas as administrações públicas que quiserem definir programas sociais com base nas percepções da comunidade vão ter que comprar os dados monitorados pelo aplicativo.

“Conquistar mais usuários será fácil”, diz Motoryn. “O problema é eles se frustrarem ao notar que o poder público não está agindo como o esperado.”


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