Problema se mistura ao trânsito de migrantes que cruzam a região em busca do sonho americano....
É fácil de perceber os fãs de Mark Sánchez no meio da multidão, num estádio da Liga Nacional de Futebol (NFL) americano.
Não procure apenas por fãs vestindo uma camisa verde do Jets com o n° 6, ou uma camiseta vermelho-cardeal da Universidade Southern California.
Procure por fãs usando máscaras de lutadores, gorros coloridos ou sombreiros e cantando “Viva Sánchez”.
“Algumas pessoas queriam que eu fosse o zagueiro latino", disse Sanchéz, um méxico-americano de terceira geração, com 23 anos, ao Los Angeles Times. “Algumas pessoas queriam que eu fosse o lançador que é latino. Eu resolvi ser eu mesmo e dar meu melhor em tudo, e não tentar ser algo que não sou.”
E o que ele tem sido para o New York Jets não é nada menos do que um salvador.
Sánchez foi inconsistente durante a temporada regular, completando 53,8% dos seus passes em 2,444 jardas, com 12 pontos e 20 interceptações. Mas ele certamente fez o seu nome quando se tornou o segundo lançador estreante na história da liga a ganhar um jogo de play-off (fora de temporada) fora de casa, quando conduziu o Jets a uma vitória de 24-14 em Cincinnati, na semana passada.
A vitória manteve viva a temporada do estreante Sánchez, enquanto ele tenta se tornar o primeiro lançador estreante a levar seu time a uma vitória no Super Bowl. O próximo desafio para Sánchez e os Jets (10 vitórias e 7 derrotas) é um jogo em San Diego, na California, contra os Chargers (13-3) no domingo à tarde, às 16h40 EST.
A carreira de Sánchez decolou em 2007, durante seu segundo ano na Southern Cal, quando ele chegou às manchetes nacionais, não apenas por fazer quatro passes de touchdown numa vitória de 38-0 sobre o Notre Dame logo na sua segunda partida, mas também por usar um protetor bucal personalizado, vermelho, branco e verde.
As cores da bandeira mexicana o tornaram um para-raios para os ativistas, mas o orgulho que ele demonstrou por suas origens fez dele um herói para a comunidade latina em Los Angeles, que compreende cerca de 47% da população da cidade.
“O racismo pode ter sido parte disto”, disse Sánchez à ESPN The Magazine. Sánchez é bisneto de fazendeiros migrantes que chegaram à Califórnia em 1911. “Isto é apenas a opinião pessoal de alguém, assim como era minha prerrogativa usar o protetor bucal. Este é o país onde vivo. As pessoas podem dizer o que quiserem. Foi apenas um gesto inocente.”
Como resultado, Sánchez – um nativo de Long Beach, na Califórnia – decidiu assumir um papel ainda mais ativo na sua origem, tendo aulas de espanhol para poder se comunicar melhor com os fãs e a cultura que o cerca e, principalmente, para conceder entrevistas em espanhol, sem necessidade de um tradutor.
“É apenas uma oportunidade de devolver a eles o máximo possível, em agradecimento por seu apoio”, contou Sánchez à ESPN The Magazine.
Mas Sánchez não é o único méxico-americano de terceira geração que está se destacando durante os jogos fora da temporada.
Romo, em sua sétima temporada como profissional, completou 63,1% dos seus passes em 4,483 jardas com 26 pontos contra apenas nove interceptações durante a temporada regular. Neto de Ramiro Romo Sr., que imigrou de Múzquiz, Coahuila, no México, para San Antonio, no Texas, nos anos 40, Tony levou os visitantes Cowboys (12-5) para o jogo de domingo contra o Minnesota Vikings (12-4) às 13h EST.
Assim como Sánchez, Romo assume sua origem. Ele trabalha com a Palomita Education Fund para ajudar a oferecer bolsas de estudo para jovens latinos. Romo, de 29 anos, de Burlington, em Wisconsin, também conhece a letra do sucesso “La Bamba”, de 1958 — música que seu avô ainda toca no violão.
Mas talvez a dádiva mais importante que recebeu de sua família é sua ambição.
“Eu sempre digo que este é um país de oportunidades", contou Ramiro Sr. ao San Antonio Express-News. “Se você não conseguir um trabalho ou uma escola, é porque você não quer.”
Neste fim de semana, a comunidade latino-americana deve se unir em torno dos dois lançadores, enquanto eles seguem na sua luta para alcançar o estágio mais alto do futebol americano.
“E adivinhe o quê? Haverá uns poucos gringos que também irão gostar de Mark Sánchez se ele completar alguns passes”, disse o ex-lançador méxico-americano do Minnesota Viking, Joe Kapp, ao New York Times. Kapp apareceu numa das capas da Sports Illustrated de 1970 como “O Mais Duro dos Chicanos”.
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