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TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

TEGUCIGALPA, Honduras – O ministro da Defesa de Honduras, Marlon Pascua, mostra as armas de 13 supostos narcotraficantes detidos pela Marinha, na semana passada, no Mar do Caribe. Além das armas, foram confiscados US$ 658.000. (Ministério da Defesa de Honduras/AFP)

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Brasil recupera espaço entre os melhores do basquete mundial

Seleção brasileira na briga pelo primeiro título mundial desde 1963.

Por Robert Wagner para Infosurhoy.com — 31/08/2010


							O iraniano Hamed Haddadi tenta impedir a enterrada de Tiago Splitter na vitória do Brasil por 81x65 em 28 de agosto. (Mustafa Ozer/AFP/Getty Images)

O iraniano Hamed Haddadi tenta impedir a enterrada de Tiago Splitter na vitória do Brasil por 81x65 em 28 de agosto. (Mustafa Ozer/AFP/Getty Images)

BELO HORIZONTE, Minas Gerais – Amary, Ubiratan e Wlamir.

Nomes do passado dourado do basquete brasileiro, craques de uma geração que conquistou o bicampeonato mundial do esporte em 1959 e 1963.

Mas já se vão 24 anos desde que a seleção de basquete, prata em 1954 e 1970, e bronze em 1967 e 1978, ficou entre os quatro melhores em mundiais. No campeonato de 2006, a única vitória do Brasil foi sobre o último colocado, o Qatar.

Mas a história pode começar a mudar com a renovação realizada pela Confederação Brasileira de Basketball. A primeira medida para espantar a crise veio de fora das quadras, no ano passado, com a eleição de um novo presidente, Carlos Nunes, após 12 anos de polêmicas e insucessos do antigo mandatário Gerasime Bozikis, o Grego.

No embalo das mudanças, o país revigorou o campeonato nacional, criando o Novo Basquete Brasil, em uma parceria entre a confederação e as principais equipes nacionais.

Em janeiro deste ano, veio a cartada derradeira para recolocar o país no mapa do esporte mundial — e certamente a que mais chamou atenção internacionalmente. A seleção brasileira contratou o técnico argentino Rubén Magnano, responsável por levar o seu país a ser o primeiro da América do Sul a ganhar uma medalha de ouro olímpica nos Jogos de Atenas, em 2004, derrotando a Itália por 84x69 com nomes como Manu Ginóbili e Scola, hoje jogadores da NBA, a liga de basquete dos Estados Unidos e a maior do mundo. Quatro anos mais tarde, em Pequim, a Argentina ficou com o bronze após derrotar a Lituânia por 87x75.


							Guilherme Giovannoni marcou 17 pontos na vitória de 81x65 do Brasil contra o Irã em 28 de agosto. (Mustafa Ozer/AFP/Getty Images)

Guilherme Giovannoni marcou 17 pontos na vitória de 81x65 do Brasil contra o Irã em 28 de agosto. (Mustafa Ozer/AFP/Getty Images)

“O Brasil conta com excelentes jogadores que atuam dentro e fora do país”, afirmou Magnano em seu primeiro pronunciamento como técnico da seleção brasileira. “Vou viajar e conversar com eles para saber como cada um está e quais são seus objetivos.”

Magnano já cumpriu um de seus maiores desafios: convencer os brasileiros da NBA a jogarem pela equipe nacional, o que tradicionalmente não aceitavam.

Mas agora eles integram a seleção brasileira de basquete.

Nomes como o ala Leandrinho Barbosa, do Toronto Raptors, e o poderoso pivô Tiago Splitter, do San Antonio Spurs, são as apostas brasileiras no Campeonato Mundial da Turquia, que começou no sábado passado e vai até 12 de setembro. Outro jogador de destaque no time nacional, Anderson Varejão, do Cleveland Cavaliers, está afastado por conta de uma lesão no tornozelo direito e ainda não jogou.

Até o momento, o Brasil vai bem no torneio, que reúne 24 seleções e vale ao vencedor uma vaga automática nas Olimpíadas de Londres, em 2012. Desde 1996, o Brasil não participa dos Jogos Olímpicos.

Os brasileiros têm 2 vitórias e 1 derrota, empatando com a Eslovênia em segundo lugar no Grupo B, atrás dos Estados Unidos (3 vitórias e nenhuma derrota), mas na frente da Croácia (1 vitória e 2 derrotas), Irã (1 vitória e 2 derrotas) e Tunísia (nenhuma vitória e 3 derrotas).


							O armador Raulzinho, de 18 anos, representa o futuro da seleção brasileira de basquete. (Mustafa Ozer/AFP/Getty Images)

O armador Raulzinho, de 18 anos, representa o futuro da seleção brasileira de basquete. (Mustafa Ozer/AFP/Getty Images)

O Brasil abriu a competição com uma vitória convincente de 81x65 contra o Irã em 28 de agosto, em um jogo em que o ala Guilherme Giovannoni marcou 17 pontos, e Leandrinho e Splitter,13 cada. No dia seguinte, a vítima foi a Tunísia com o placar de 80x65 favorável aos brasileiros, com Leadrinho marcando 21 pontos, Splitter 16, e o ala-armador Marcelinho Machado, 13.

O Brasil sofreu sua primeira derrota no campeonato até o momento em 30 de agosto, ao perder para os Estados Unidos, os defensores do título olímpico, por 70x68 nos segundos finais da partida.

O armador Marcelinho Huertas sofreu falta em um infiltração a três segundos e meio do final da partida. Ele errou seu primeiro arremesso livre, forçando outro erro para tentar o empate no rebote, passando a bola para Leandrinho, que estava mais perto da cesta, arremessar sobre Kevin Love, mas a bola chorou e não caiu. Era fim de jogo.

“Achei que fosse cair, mas não caiu”, disse Leadrinho, que marcou 14 pontos, segundo reportagem do ESPN.com. “Acho que fizemos um bom trabalho, foi uma grande partida. Acho que os Estados Unidos não acreditavam que iríamos dar trabalho, mas nós demos.”

Marcus Vinicius Vieira Souza foi o cestinha do Brasil com 16 pontos, e, em segundo, Splitter com 13 pontos e 10 rebotes. Pelo lado americano, Kevin Durant marcou 27 pontos e 10 rebotes, o ala Chauncey Billups, 15 pontos, e o também ala Derrick Rose, 11.

“[O Brasil] foi campeão sul americano, eles obtiveram 9 vitórias e nenhuma derrota em um torneio em Porto Rico no ano passado com a mesma seleção deste campeonato, portanto estão bem entrosados”, disse o técnico americano Mike Krzyzewski, segundo reportagem do ESPN.com.


							Tiago Splitter deve jogar no San Antonio Spurs, da NBA, nessa primavera. (Thomas Coex/AFP/Getty Images)

Tiago Splitter deve jogar no San Antonio Spurs, da NBA, nessa primavera. (Thomas Coex/AFP/Getty Images)

As próximas partidas do Brasil são contra a Eslovênia, em 1° de setembro, e contra a Croácia, em 2 de setembro. Os quatro primeiros colocados na fase de grupos passam para a rodada eliminatória. O Brasil não chega às finais desde 1986, quando ficou em quarto lugar, após perder para a Iugoslávia por 117x91.

A seleção brasileira de basquete ainda conta com jogadores que atuam na Europa, como o armador Marcelinho Huertas, do Caja Laboral (Espanha), e o pivô JP Batista, do Le Mans (França), convocado na última hora para substituir o lesionado Nenê Hilário, do Denver Nuggets (Estados Unidos).

Além das grandes estrelas, Magnano aposta na formação de novos talentos. Prova disso foi a convocação do armador Raulzinho, de 18 anos, atleta do Minas Tênis Clube.

“Desde o primeiro dia, fui bem recebido de braços abertos, porque os jogadores sabem o que é ser novato no time por experiência própria”, disse Raulzinho, segundo o FIBA.com. “É ótimo treinar e jogar ao lado de jogadores como Tiago Splitter e Anderson Varejão. Mas estou aprendendo muito jogando com Marcelinho Huertas, que é um grande professor. E o técnico Rubén Magnano, falo sempre com ele sobre táticas, sobre meu jogo. Ele é muito acessível.”

O principal objetivo da seleção brasileira de basquete é a conquista do ouro nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Mas o país precisa fazer mais investimentos no esporte se quiser superar as maiores seleções do mundo, como a Espanha, defensora do título mundial, a Argentina e, é claro, os Estados Unidos, segundo o técnico do Minas, Flávio Davis.

“O Brasil pode sim ser campeão em 2016”, disse Flávio Davis. “Temos um técnico campeão olímpico e vários atletas estão surgindo, mas ainda são poucos pelo potencial que o país tem. É importante que haja uma política que não se preocupe apenas em fazer quadras e ginásios. Precisamos capacitar técnicos, desenvolver bons professores. Dessa forma, poderíamos deixar de perder vários talentos que ficam pelo caminho.”


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