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2009-03-09

Impostos de exportação causam conflito entre governo e agricultores

Winston F. Burges

O preço da soja, um produto agrícola fundamental na Argentina, caiu para US$ 210 por tonelada no dia 5 de março, em comparação com US$ 330 um ano atrás. Apesar da variação, o governo ainda impõe um tributo de 35% sobre o preço de venda para expo

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Produtora agrícola cumprimenta o vice-presidente Julio Cobos, que gerou uma rixa na administração federal após anunciar que concordava mais com os agricultores do que com o governo.

Produtora agrícola cumprimenta o vice-presidente Julio Cobos, que gerou uma rixa na administração federal após anunciar que concordava mais com os agricultores do que com o governo.

BUENOS AIRES, Argentina — Apesar do anúncio de que a safra nacional de grãos, especialmente da soja, cairia fortemente neste ano, o governo da presidente Cristina Fernández de Kirchner não está preparado para tratar da redução das tarifas de exportação sobre esses produtos, conforme noticia o Clarín.

Entretanto, o conflito está começando a causar rixas dentro da própria administração federal, pois o vice-presidente Julio Cobos afirmou ao jornal La Nación que as suas convicções estavam “mais parecisas com a dos agricultores do que com as do governo”.

Cobos se mostrou favorável a reduzir os impostos sobre a exportação de produtos, atualmente em 35%. “Esta poderia ser uma solução para o governo, dado que exportações, importações e preços internacionais caíram consideravelmente”, o vice-presidente disse ao La Nación. “Neste contexto, temos que analisar se seria conveniente cortar impostos, dados os baixos volumes de exportação.

A polêmica ganhou força após o relatório Guia Estratégico para o Agronegócio (GEA) prever que, em comparação com a última safra, a produção de soja argentina cairia 10% para 41,7 milhões de toneladas como resultado de uma seca prolongada.

Na temporada 2007-2008, a Argentina colheu 46,2 milhões de toneladas de soja.

De acordo com a Reuters, a Argentina é o terceiro maior produtor e exportador mundial de soja e lidera a lista de fornecedores internacionais de farinha, óleo e derivados do produto. Por isso, a região sofreu outro golpe quando a Câmara de Comércio de Chicago (CBOT), que define os preços internacionais de commodities agrícolas, fechou com quedas bruscas no dia 5 de março.

A soja manteve preços altos em 2008, gerando lucros consideráveis para o setor agrícola argentino, o qual, por sua vez, aumentou a produção. Conforme o Infobae, a soja atingiu em fevereiro de 2008 o seu maior valor em 34 anos, quando o preço local ficou entre 1.150 e 1.170 pesos por tonelada (US$ 361,60 a US$ 367,90).

Entretanto, os preços despencaram em dezembro de 2008 e chegaram a 640 pesos (US$ 201). No dia 5 de março, a soja fechou no mercado nacional a 760 pesos argentinos (US$ 210) por tonelada, registrando uma queda de 15 pesos (US$ 4,20) em apenas dois dias.

A CBOT registrou quedas ainda mais íngremes, segundo o La Nación, caindo US$ 4,77 por tonelada para os contratos com fechamento em março e US$ 6,06 para os contratos com fechamento em maio.

Apesar do preço baixo e da safra ruim, o governo argentino ainda não está disposto a alterar as tarifas de exportação, que estão atualmente em 35%.

O Clarín noticiou que o ministro do Interior, Florencio Randazzo, instruiu parlamentares governistas (que ainda são maioria em ambas as casas apesar de deserções recentes) a evitarem sessões especiais convocadas pela oposição para alterar os impostos de exportação.

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