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2009-06-01

Comunidade Andina faz 40 anos em meio a crise de identidade

Omar Bonilla A.

Unidos por processos históricos bastante inter-relacionados e culturas muito semelhantes, os países latino-americanos vêm tentando impulsionar a integração regional e econômica desde suas respectivas independências. A partir do sonho do libertador

TAMANHO DO TEXTO
Da esq. para a dir.: Jaime muñoz (representante colombiano) e os presidentes Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), Alan García (Peru) e Freddy Ehlers (secretário da Comunidade Andina) posam para foto oficial durante a Cúpula da Comunidade Andina realizada em Guayaquil no dia 14 de outubro de 2008.

Da esq. para a dir.: Jaime muñoz (representante colombiano) e os presidentes Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), Alan García (Peru) e Freddy Ehlers (secretário da Comunidade Andina) posam para foto oficial durante a Cúpula da Comunidade Andina realizada em Guayaquil no dia 14 de outubro de 2008.

Unidos por processos históricos bastante inter-relacionados e culturas muito semelhantes, os países latino-americanos vêm tentando impulsionar a integração regional e econômica desde suas respectivas independências. A partir do sonho do libertador Simón Bolivar de uma Nação Sul-Americana e da breve iniciativa da República Federal da América Central (1823-1840), até as instituições atuais como a Comunidade Andina (CAN), o Sistema da Integração Centro-Americana (SICA) e a Unasul, os projetos vão ganhando forma e se transformando conforme os cenários políticos e econômicos mundiais.

INFOSURHOY apresenta uma série de reportagens sobre os projetos de integração regional em meio a uma das maiores crises econômicas mundiais das últimas décadas.

LIMA, Peru — Em meio a incertezas sobre o futuro por causa de conflitos internos, a Comunidade Andina de Nações (CAN) chegou ao seu 40º aniversário. Avaliando a situação atual do bloco devido à crise econômica mundial e às diferenças ideológicas entre os países-membros, representantes de Equador, Colômbia, Bolívia e Peru concordaram sobre a necessidade de uma nova agenda para superar a crise.

Criada em maio de 1969 pelo Acordo de Cartagena, a Comunidade Andina tinha como objetivo a integração e a cooperação econômica e social entre os países-membros, principalmente a criação de uma união aduaneira sub-regional. As nações fundadoras do então Pacto Andino foram Bolívia, Colômbia, Chile, Equador e Peru. Em 1973, a Venezuela passou a integrar o grupo.

No entanto, três anos mais tarde o Chile abandonou o pacto devido à incompatibilidade das políticas internas. A Venezuela saiu em 2006 porque o presidente Hugo Chávez se opôs ao tratado de livre comércio que Peru e Colômbia estavam negociando com os EUA.

A CAN ―cuja maior realização foi a criação de uma área de livre comércio, em funcionamento desde 1993― sobreviveu a várias crises. Atualmente, as relações de Bolívia e Equador com os demais membros da comunidade estão estremecidas. No caso boliviano, o governo de Evo Morales tem criticado Peru e Colômbia, que querem negociar um tratado de livre comércio com a União Europeia. Já o Equador elevou as suas tarifas alfandegárias e limitou a importação de mais de 600 produtos provenientes dos outros países-membros.

Conforme o jornal El Comercio, o secretário geral da CAN, o equatoriano Freddy Ehlers, assumiu uma posição conciliadora e fez um chamado aos países-membros para que “resolvessem suas diferenças e encontrassem um interesse comum”. Peru, que assume a presidência rotativa da comunidade em junho, propôs uma mudança de rumo para que o bloco se concentre na integração energética e de fronteiras.

“Devemos definir uma agenda que se dedique menos aos assuntos comerciais e econômicos e que se concentre mais em energia, desenvolvimento de fronteiras e desenvolvimento social”, afirmou o ministro do Exterior do Peru, José Antonio García Belaunde, a Andina. “Dessa forma, podemos pensar na integração”, concluiu.

Já o secretário Ehlers destacou ao Canal7 a importância da análise feita na reunião de Lima. “Se a Comunidade Andina desaparecesse amanhã, teríamos de criá-la novamente depois de amanhã, reconhece. Podemos ter abordagens diferentes, mas somos da mesma família.”

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