Você gostaria de fazer do português o idioma padrão deste site?
2010-01-06

Livro digital: oportunidade ou ameaça para editores brasileiros?

Por Patricia Knebel para InfoSurHoy.com — 06/01/2010

Mercado editorial teme perda de receita com a chegada dos e-books

TAMANHO DO TEXTO
Apaixonado por literatura e tecnologia, o publicitário e escritor Rudiran Messias está entre os primeiros brasileiros que compraram o Kindle. (Foto de Patricia Knebel)

Apaixonado por literatura e tecnologia, o publicitário e escritor Rudiran Messias está entre os primeiros brasileiros que compraram o Kindle. (Foto de Patricia Knebel)

PORTO ALEGRE, Brasil – O sucesso das vendas de livros eletrônicos nos Estados Unidos preocupa as editoras brasileiras quanto ao futuro do mercado editorial. Os e-books criam novas oportunidades de negócios, mas também podem provocar a queda de receita que a indústria fonográfica sofreu com o aumento da popularidade da música digital.

A venda total de CDs e DVDs alcançou R$ 726 milhões em 2002, mas caiu para R$ 321,5 milhões em 2007, de acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD). Por outro lado, o mercado digital saltou de um ganho de R$ 8,5 milhões em 2006 para R$ 24,2 milhões em 2007.

Para avaliar o impacto do livro eletrônico, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) criou a Comissão do Livro Digital.

“Misturar Internet, vídeo e literatura é parte da convergência da mídia e é um movimento inevitável”, opinia o diretor executivo da CBL, Eduardo Mendes. “Muitos produtos tiveram que mudar para se ajustar à nova realidade, e não será diferente com os livros”.

O mercado editorial também está preocupado com a possibilidade de o livro eletrônico violar as leis de direitos autorais.

“É necessário criar uma regulamentação no país, para que esse equipamento que lê trabalhos digitais não se torne um instrumento de violação dos direitos autorais e de venda ilegal”, acrescenta Mendes.

Os dados da CBL mostram que os ganhos do mercado editorial nacional aumentaram 19,52% em 2008 na comparação com o ano anterior. As editoras faturaram R$ 3,3 bilhões, com um pouco mais que 50 mil títulos publicados.

O doutor em Ciência da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), José Antônio Rosa, acredita que, em breve, o mercado editorial brasileiro não será mais tão lucrativo, já que não está preparado para lidar com o impacto do livro eletrônico.

“Os livros de papel são um produto no final de seu ciclo de vida”, diz Rosa. “É um material caro, cada vez mais difícil de se vender e incompatível com a velocidade do mundo moderno.”

Rosa diz que é imprescindível que a indústria tome providências para lidar com a redução das tiragens, a alta concentração nas vendas de best sellers e milhares de consumidores buscando fontes alternativas de informação.

“A novidade no Brasil é a chegada dos e-readers, mas os livros em arquivos de diversos formatos digitais já circulam há muito tempo entre os usuários”, lembra Rosa.

Lançado no final de outubro de 2009 no Brasil, o Kindle, da Amazon, é o único leitor de livro eletrônico disponível no país. O dispositivo, que tem o mesmo tamanho de um livro tradicional, pesa 300 gramas e pode armazenar até 1,5 mil trechos de literatura, é vendido no site da Amazon por US$ 259.

Para os brasileiros custa R$ 1 mil (em torno de US$ 580), depois de acrescidos o frete e as taxas de importação. O preço tende a variar em breve, pois novos modelos de livros eletrônicos, que estão sendo fabricados no Brasil e no exterior, devem chegar ao mercado brasileiro.

A Amazon garante que seu e-reader pode fazer o download de qualquer um dos 360 mil títulos disponíveis no site da empresa em apenas um minuto. O e-book é um recurso útil inclusive para quem enfrenta longas horas no trânsito, pois pode ser programado até para ler para seu dono – seja com voz masculina ou feminina.

Publicitário e escritor, Rudiran Messias, 31 anos, está entre os primeiros brasileiros que compraram um Kindle. Messias, que adora literatura e tecnologia, apostou no equipamento também porque pretende publicar seus livros pela Amazon.

“A empresa tem um sistema especial de publicação e distribuição que é muito interessante”, diz. “Para aqueles com conhecimentos básicos de Internet, formatar um livro no Kindle é muito fácil.”

Você gostou desta reportagem?

1

Incluir seu comentário

Pesquisa
Você considera o crime organizado uma ameaça à estabilidade em seu país?
Ver resultados