Você gostaria de fazer do português o idioma padrão deste site?
2010-10-15

Uruguai sedia o XIII Fórum Interamericano da Microempresa

Por Ana Pais para Infosurhoy.com – 15/10/2010

Conferência exibiu grandes ideias de pequenos empreendedores.

TAMANHO DO TEXTO
“Uma pessoa que não concluiu o ensino fundamental sabe como instalar painéis solares, fazer a sua manutenção e incorporar qualquer tecnologia renovável de uma forma muito mais econômica do que um engenheiro, e ainda viver na própria comunidade”, disse Patrício Boyd, diretor de operações rurais da instituição de microfinanciamento argentina Emprenda. (Ana Pais para Infosurhoy.com)

“Uma pessoa que não concluiu o ensino fundamental sabe como instalar painéis solares, fazer a sua manutenção e incorporar qualquer tecnologia renovável de uma forma muito mais econômica do que um engenheiro, e ainda viver na própria comunidade”, disse Patrício Boyd, diretor de operações rurais da instituição de microfinanciamento argentina Emprenda. (Ana Pais para Infosurhoy.com)

MONTEVIDÉU, Uruguai – O XIII Fórum Interamericano da Microempresa, o Foromic 2010, organizado pelo Fundo Multilateral de Investimento (MIF), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Ministério de Economia e Finanças do Uruguai, aconteceu em Montevidéu na semana passada.

Mais de 1.300 representantes de instituições de microfinanciamento, bancos, fundos de investimento e companhias de seguro de cerca de 40 países participaram do evento esse ano.

“O aspecto mais importante do crédito de longo prazo é gerar condições para reconhecimento e atitudes que mostrem que os cidadãos são confiáveis”, disse o presidente do Uruguai, José Mujica, durante a cerimônia de abertura do Foromic 2010. “Dessa forma, eles começam a vencer a pobreza, não porque têm muito, mas por causa da confiança que geram.”

Mujica afirmou que essa é a forma de estimular o investimento em setores de baixa renda da América Latina e do Caribe, onde “ninguém empresta aos pobres porque eles não têm como oferecer garantia.”

O presidente do BID, Luis Alberto Moreno, e o ministro da Economia e Finanças do Uruguai, Fernando Lorenzo, assinaram um acordo de cooperação técnica de US$ 1,2 milhão (R$ 1,9 milhão) durante a conferência, criando parcerias público-privadas no país.

Moreno ainda assinou um acordo de US$ 740.000 (R$ 1,2 bilhão) com a Corporação Rochense de Turismo.

Setecentas instituições de microfinanciamento atuaram na região em 2009, informaram os representantes do MIF durante a conferência. As instituições emprestaram US$ 12,3 bilhões (R$ 20,4 bilhões) a cerca de 10,5 milhões de clientes, o que mostra um aumento de 13% no crédito, comparado ao mesmo período de 2008.

O primeiro empréstimo

Yolanda Rondón vende milho há 25 anos e trabalha 70 horas por semana em um mercado em Lima, Peru. Sua capacidade empreendedora lhe permitiu integrar toda a cadeia de produção e comercialização do seu produto: sementes, vendas no atacado e transporte.

Por isso, ela é conhecida como a "Rainha do Milho".

A história da sua vida, exibida em um vídeo durante a conferência, é uma das seis experiências relatadas pelo economista Daniel Córdova, diretor da Escola de Pós-graduação da Universidade do Pacífico, em seu livro “Os Novos Heróis Peruanos: Lições de vida de empreendedores que derrotaram a pobreza.”

O livro foi uma iniciativa em comemoração aos 10 anos do MIBANCO, do Peru, uma das maiores instituições de microfinanciamento da América do Sul, informou Córdova. Os depoimentos dos clientes do banco mostram como eles usaram os empréstimos, em média de US$ 1.500 (R$ 2.500), mas também de apenas US$ 100 (R$ 166), para sair da pobreza.

Mais do que um empréstimo

Jerônimo Ramos, diretor da Real Microcrédito, do Grupo Santander no Brasil, disse que “a maior oportunidade que os microcréditos oferecem é a identificação de empreendedores que possuem uma vocação. Quando o [espírito empreendedor] é estimulado, gera empregos, criando um 'ciclo virtuoso'".

“Com um pequeno empréstimo, o poder do empreendedor é fortalecido e expandido, [e] ele ou ela contratará outra pessoa, provavelmente da mesma comunidade”, destacou Ramos. “A renda gerada é reinvestida na própria comunidade.”

O tamanho do mercado, destacou Ramos, não influencia as estratégias da indústria. Ele disse ainda que o empréstimo em si não é suficiente para gerar mudanças, que só chegam com a educação financeira, cívica e ambiental dos empreendedores e seus filhos.

O dominicano Banco Adopem está começando a implantar um projeto para “desenvolver a cadeia de valor dos fazendeiros, ou seja, dar instruções, oferecer assistência técnica, conectá-los a entidades que lhes permitam melhorar e se tornar mais eficientes, e estimular a exportação direta", explicou Eva Carvajal, vice-presidente de negócios do banco.

O Banco Adopem ficou em quarto lugar no ranking “Microfinanciamento nas Américas: Os 100 Melhores”, elaborado anualmente pelo MIF.

O papel do governo no apoio a projetos inovadores

Subsídios e isenções são medidas que se esperam de governos regionais quando decidem apoiar a criação de microprojetos de energia renovável, disse Patricio Boyd, diretor de operações rurais da instituição de microfinanciamento argentina Emprenda.

“Considerando o enorme grau com que governos no mundo subsidiaram fontes de energia convencionais, seria interessante vê-los destinar parte do incentivo aos recursos de energia renovável. Isso os faria deslanchar rapidamente”, concluiu Boyd.

Os governos da América Latina, disse Boyd, precisam estabelecer políticas energéticas concretas.

“Se uma empresa privada quer ir para uma área para oferecer produtos de energia renovável a seus clientes e, três meses depois de fazer aquele investimento inicial, o governo declara que vai trazer eletricidade à mesma área com energia renovável ou convencional, só o anúncio acaba com a iniciativa [da empresa].”

Você gostou desta reportagem?

1

Incluir seu comentário

Pesquisa
Você considera o crime organizado uma ameaça à estabilidade em seu país?
Ver resultados