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2011-02-10

Acesso à Internet avança na América Latina

Por Patricia Knebel para Infosurhoy.com—10/02/2011

Uso da rede de computadores cresceu 16% na região em 2010, contra média global de 9%.

TAMANHO DO TEXTO
Depois de prover todos os estudantes do ensino fundamental com um laptop desde 2007, o governo uruguaio começou a distribuir os equipamentos aos alunos do ensino médio, como os que frequentam uma escola em Casabo (foto), uma comunidade pobre na perifeira de Montevideo. (Andres Stapff /Reuters)

Depois de prover todos os estudantes do ensino fundamental com um laptop desde 2007, o governo uruguaio começou a distribuir os equipamentos aos alunos do ensino médio, como os que frequentam uma escola em Casabo (foto), uma comunidade pobre na perifeira de Montevideo. (Andres Stapff /Reuters)

PORTO ALEGRE, Brasil – A América Latina representa cerca de 8% do total de acessos à Internet no mundo, e a tendência é de alta nesse percentual.

O número de pessoas a partir de 15 anos que acessaram a Internet em computadores pessoais ou no trabalho pelo menos uma vez cresceu 16% em novembro de 2010, em comparação com o mesmo período de 2009, segundo estudo da consultoria comScore.

Em todo o mundo, o crescimento foi de 9%.

De todos os países avaliados, o destaque é a Colômbia, que registrou um incremento de 28% no número des pessoas conectadas, chegando a 12,12 milhões de internautas em novembro de 2010.

Mas em números absolutos foi o Brasil que teve o maior volume de novos internautas na comparação com novembro de 2009 – 6,5 milhões.

As características do acesso à Internet entre os países da América Latina são similares, diz o analista de Internet do Ibope, José Calazans.

Até 2007, boa parte dessas nações passou por um crescimento no número de conexões através das lan houses. A partir de então, esse crescimento foi sendo impulsionado pelo maior número de acessos residenciais.

“No mundo todo, a tendência é que as pessoas naveguem na rede mundial em seus domicílios”, diz Calazans. “O crescimento do acesso à Internet via lan houses na América Latina só ocorre no Equador. Já os internautas do Brasil, Argentina e Chile aumentam a cada mês os índices de conectividade em suas casas.”

Das nações citadas por Calazans, o Chile sempre foi o país com o maior índice de internautas navegando em ambiente residencial na América Latina.

Em Santiago, capital chilena, 35% da população usava a Internet em residências em 2009, contra 25% no ano anterior, segundo a pesquisa Target Group Index, do Ibope Mídia.

Uma das empresas que apostam na expansão do acesso à Internet na América Latina é a brasileira Mercado Livre.

Em 2009, mais de 9 milhões de usuários compraram e 3 milhões venderam produtos pelo website, que opera na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Panamá, Peru, Portugal, República Dominicana, Uruguai, e Venezuela.

Foram 30 milhões de itens transacionados e um volume médio de negócios de US$ 2,7 bilhões em 2009.

Brasil, Argentina e México são os países mais preparados a oferta de soluções voltadas para a Internet na região, segundo Helisson Lemos, diretor geral do Mercado Livre.

“Já estamos trabalhando em outros mercados, como o Uruguai, que tem muito potencial para crescer”, diz. “Mas muitos desses países ainda carecem de infraestrutura, investimentos e até de uma mudança de hábitos das pessoas para que o acesso à web de forma massiva seja uma realidade.”

Apesar da expansão do acesso à Internet na América Latina, ainda é grande a diferença entre países desenvolvidos e nações em desenvolvimento nesse quesito, diz a União Internacional de Telecomunicações (UIT) organização das Nações Unidas para tecnologias de informação e comunicação.

Da população dos países desenvolvidos, 71% está online, contra apenas 21% da população dos países em desenvolvimento, diz a UIT.

Crise financeira internacional freou crescimento de acesso à Internet

No caso do Brasil, a crise financeira internacional que eclodiu em 2008 provocou pequena queda no crescimento do número de pessoas conectadas, diz Calazans, que prevê recuperação a partir de 2011.

O impacto da crise mundial no país também pode explicar a queda de posições do Brasil no ranking de acesso à Internet do Fórum Econômico Mundial, com sede em Genebra, na Suíça.

No ranking composto por 133 países, o Brasil caiu duas posições, passando para a 61ª. Os Estados Unidos tiveram queda semelhante, passando para a 5ª colocação. A Suécia lidera o ranking.

Apenas quatro países da América Latina e Caribe estão entre os 50 primeiros no ranking: Barbados (35º), Chile (40º), Porto Rico (45º) e Costa Rica (49º).

Mas o grande destaque da região foi o Uruguai, que saltou da 65ª para a 57ª posição. O desempenho comprova que melhorar o acesso e a qualidade da Internet é prioridade de governo no país.

A meta é levar a banda larga a 60% dos domicílios até o início de 2012, segundo Gustavo Gómez, diretor nacional de Telecomunicações do Ministério de Indústria e Energia (MIEM).

Para alcançar o objetivo, a empresa de telefonia estatal ANTEL prioriza investimentos para ampliação do acesso à banda larga, instalação da rede de comunicação móvel 4G e a chegada da rede de fibra ótica a 240.000 domicílios.

O Plano Ceibal, implementado em 2007, é outra iniciativa fundamental para a universalização do acesso à Internet no país.

Com o Ceibal, todos os alunos da educação pública primária recebem um notebook. Desde 2010, a iniciativa também contempla estudantes dos primeiros anos de ensino secundário.

O acesso à Internet móvel está garantido em quase todas as escolas de ensino fundamental e médio, praças públicas e bairros de periferia.

Já o uso da Internet como estratégia de promoção da cidadania é uma das metas do projeto Alfabetização Digital, do Ministério da Educação e Cultura (MEC).

Nos 103 centros implantados pelo MEC desde 2007, 20.000 já se beneficiaram do acesso gratuito a computadores e à Internet.

Moradora da Colonia Lavalleja, com cerca de 3.000 habitantes, no departamento de Salto, a aposentada Gemina Moreira, 68 anos, passa pelo menos duas horas diárias na Internet.

Em 2009, Gemina – que tinha noções básicas de como usar um computador – teve acesso ao universo da Internet, graças ao programa do MEC.

“Desde então o uso da Internet mudou minha vida”, conta. “Uso mais para estar conectada com minha família em outros departamentos e amigos em outras parte do mundo. Algo muito interessante é ver as fotos de meus familiares no mesmo dia em que as tiram.”

O número de usuários de Internet no mundo dobrou de 2005 a 2010, ultrapassando a marca de 2 bilhões de pessoas conectadas, segundo a UIT. Desse total, 1,2 bilhões dos usuários estão nos países em desenvolvimento.

A China é o maior mercado mundial, com 420 milhões de pessoas conectadas. Na Estônia, Finlândia e Espanha, o acesso à Internet é considerado direito legal da população.

Nota do editor: Colaborou Antonio Larronda de Montevideo, Uruguai

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