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2011-02-11

Brasil: Banda larga deve cobrir 88% do território até 2014

Por Patricia Knebel para Infosurhoy.com – 11/02/2011

Governo federal prevê investimentos de R$ 5,7 bilhões para ampliar inclusão digital.

TAMANHO DO TEXTO
Indígenas da tribo Ashaninka acessam a Internet na aldeia Apiwtxa, na região do Rio Amônia, no Acre. O acesso à web só é possível em regiões tão remotas por iniciativa do governo federal. (Cortesia do Ministério das Comunicações)

Indígenas da tribo Ashaninka acessam a Internet na aldeia Apiwtxa, na região do Rio Amônia, no Acre. O acesso à web só é possível em regiões tão remotas por iniciativa do governo federal. (Cortesia do Ministério das Comunicações)

PORTO ALEGRE, Brasil – Um computador com acesso à Internet para cerca de 70 famílias.

A proporção parece inadequada, mas em regiões remotas como a Comunidade Quilombola do Cedro, a 5 km da cidade de Mineiros, no estado de Goiás, um único terminal encurta distâncias.

Diariamente, jovens e adultos formam fila para acessar a rede mundial de computadores e fazer pesquisas para a escola, fechar negócios e participar de redes sociais.

O Cedro é uma das áreas onde vivem remanescentes das comunidades dos quilombos – locais isolados que abrigavam escravos fugitivos.

O computador com acesso à Internet via satélite e outros quatro terminais disponíveis para uso da Comunidade Quilombola do Cedro fazem parte do Programa Gesac, do Ministério das Comunicações.

O Gesac, que privilegia áreas afastadas que não dispõem de telefonia fixa, já instalou 10.847 pontos de conexão à web em todo o país.

“A Internet não era uma opção viável para nós antes desse projeto”, diz Simone Pereira Morais, 32 anos, moradora da comunidade. “Agora podemos contatar com outras comunidades quilombolas e não precisamos mais ir para a cidade para, por exemplo, falar com os nossos clientes e fazer os rótulos para os medicamentos que comercializamos.”

A principal atividade econômica do Quilombola do Cedro é a produção e o comércio de ervas medicinais e xaropes – um conhecimento herdado dos antigos habitantes do quilombo, recorda Simone, que trabalha no laboratório.

“Os moradores recebem gratuitamente os remédios”, conta. “Já para as pessoas de fora da comunidade eles são comercializados, e a Internet nos ajuda muito nesse processo.”

Localizada numa zona rural e remota, o Quilombola do Cedro não desperta interesse comercial nas empresas prestadoras de serviços de Internet.

Assim como o Cedro, outras áreas brasileiras apenas são colocadas no mapa da conectividade a partir de ações de inclusão digital do governo.

Provedores de Internet não investem em regiões remotas

“O grande desafio do Brasil em termos de Internet é justamente fazer com que a banda larga chegue aos lugares onde há uma densidade populacional menor e cuja escala não justifica os investimentos das operadoras”, explica Jaime Wagner, representante dos provedores de Internet no Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI.br).

O Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), capitaneado pela estatal Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebrás), é uma das estratégias do governo brasileiro para ampliar a cobertura geográfica do acesso à Internet. O objetivo inicial é aumentar a concorrência na oferta de acesso à web.

Apenas cinco empresas detêm 95% do mercado voltado para a prestação de serviços de banda larga, segundo dados da Telebrás. Os 5% restantes são divididos entre 2.100 provedores menores.

Até abril de 2011, as 100 primeiras cidades escolhidas pelo PNBL serão contempladas com infraestrutura de acesso à Internet. O serviço não será prestado diretamente pelo governo federal, mas por meio de parceiros.

“A Telebrás está buscando uma aproximação com pequenos provedores, ajudando a alavancá-los com cabeamento, fibra ótica e redes sem fio para que os mesmos passem a ter condições de competir”, adianta Wagner. “É uma forma de mudarmos o panorama no Brasil, no qual a Internet é cara, lenta e pouco disponível.”

A expectativa é que o PNBL diminua em 70% o preço médio cobrado pela banda larga no Brasil, caindo para R$ 30,00 para uma velocidade de 512 kbps.

A meta do governo é que, até 2014, o acesso à banda larga esteja disponível em 4.278 municípios, espalhados pelos 26 estados e o Distrito Federal.

Se alcançado o objetivo, 35 milhões de residências – ou 88% dos 8,5 milhões de Km2 do território nacional – poderão ter acesso à Internet de alta velocidade. Atualmente, 13,5 milhões contam com essa facilidade.

Para chegar lá, o governo prevê investimentos de R$ 5,7 bilhões. Desse total, R$ 3,22 bilhões são do orçamento da Telebrás. Os R$ 2,5 bilhões restantes virão das receitas da estatal com o aluguel de infraestrutura para provedores menores.

Cada vez menos aplicações estão disponíveis em todo o mundo para usuários de Internet em baixas velocidades. Ainda assim, 19% dos acessos no Brasil ainda se dão por meio discado. Em 2005, o índice era de 65%, segundo o Comitê de Estudos sobre as Tecnologias de Informação e Comunicação (CETIC.br).

Acesso à Internet gera desenvolvimento

Atualmente cerca de 85% dos internautas brasileiros navegam em velocidades mais rápidas. Mesmo que não sejam satisfatórias para assistir a vídeos ou ouvir música, suportam a navegação comum e o uso de redes sociais.

A ampliação do acesso às telecomunicações está diretamente ligada ao desenvolvimento. Um aumento de 10% no número de conexões de banda larga nas nações emergentes pode levar a um incremento de mais de 1,3% no Produto Interno Bruto (PIB) do país, de acordo com o Banco Mundial.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD - 2009) mostram que 67,9 milhões de pessoas (35,4% da população) haviam acessado a Internet pelo menos uma vez em 2009. Em maio de 2010, segundo a consultoria comScore, esse contingente já era de 73 milhões.

Em 2005, o Brasil passou a apresentar uma curva acentuada de crescimento dos acessos à Internet, diz José Calazans, analista de Internet do Ibope. O crescimento da renda da população, a maior oferta de crédito e a redução do preço de computadores explicam a tendência.

Em 2005, 17% dos domicílios avaliados pela Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil (2009) do CETIC.br tinham computador de mesa. Em 2009, esse índice já havia passado para 34%.

No terceiro trimestre de 2010 foram vendidos 3,7 milhões de computadores – 19% mais no mesmo período de 2009 e 8% mais do que no segundo trimestre de 2010. Do total de máquinas vendidas no terceiro trimestre, 52% foram desktops e 48% notebooks, conforme o estudo “Brazil Quarterly PC Tracker”, da IDC Brasil.

A estimativa preliminar é que o país tenha encerrado 2010 com 13,8 milhões de computadores vendidos, 24% mais do que em 2009, quando 35% dos domicílios brasileiros – cerca de 20,3 milhões –, tinham pelo menos um terminal, segundo a PNAD.

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