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2012-01-09

Peru: Economia forte atrai grandes shows para Lima

Por Peggy Pinedo para Infosurhoy.com — 09/01/2012

Número de espetáculos pode diminuir em 2012, após ano excelente, com 60 atrações internacionais.

TAMANHO DO TEXTO
Paul McCartney se apresentou para uma multidão de 45.838 pessoas no estádio Monumental, em Lima, Peru, em 9 de maio de 2011. O show foi um dos maiores da história da cidade. (Peggy Pinedo para Infosurhoy.com)

Paul McCartney se apresentou para uma multidão de 45.838 pessoas no estádio Monumental, em Lima, Peru, em 9 de maio de 2011. O show foi um dos maiores da história da cidade. (Peggy Pinedo para Infosurhoy.com)

LIMA, Peru – O crescimento econômico peruano foi um dos fatores que atraíram alguns dos mais populares cantores do mundo para o país andino em 2011.

Mais de 60 astros internacionais, entre eles o ídolo adolescente Justin Bieber, pisaram nos palcos peruanos, principalmente em Lima, no ano passado. Mas nenhum show superou o de Paul McCartney, em 9 de maio, uma das maiores bilheterias da história de Lima. O ex-Beatle se apresentou para uma multidão de 45.838 pessoas, no estádio Monumental.

O número de shows de 2011 cresceu exponencialmente em relação a 2007, quando apenas 12 espetáculos do gênero foram apresentados no país. Naquele ano, o Congresso tomou medidas para atrair mais shows internacionais, com a aprovação da “Lei da Promoção de Espetáculos Não-esportivos” (Lei 29168), que eliminou a incidência de impostos municipais sobre a receita de shows e reduziu alguns impostos federais em 50%.

Desde então, artistas como Sting, Metallica, Shakira, Iron Maiden, Peter Gabriel, Gustavo Cerati, Aerosmith, Britney Spears, Slayer, Black Eyed Peas, Beyoncé, Jonas Brothers, Miley Cyrus e Red Hot Chili Peppers se apresentaram na capital peruana, uma metrópole de 9 milhões de habitantes.

Mas este frenesi pode diminuir este ano, diz um promotor.

“O que aconteceu em 2011 foi um tipo de ‘canibalização’ interna entre os shows”, opina Jorge Ferrand, um dos profissionais envolvidos no show de Paul McCartney. “A oferta superou a demanda e houve coincidência de datas e épocas em que havia shows todos os dias. Em 2012, teremos menos shows para gerar mais demanda.”

Os preços dos ingressos, altos para a maior parte dos peruanos, são outra questão.

Manuel Díaz, de 32 anos, e sua namorada, Lucía Arana, de 30, pagaram 43 sóis (R$ 29,50) por cada ingresso para ver a banda de pop latino Calle 13, em 3 de dezembro, no estádio San Marcos. Mas o show do Aerosmith, que o casal viu em 2010, custou quase US$ 100 (R$ 184) por pessoa, na arquibancada, bem longe do palco.

O salário mínimo peruano é de 675 sóis novos (R$ 460).

Mas, segundo Arana, a onda de shows é um bom sinal para o Peru.

“É ótimo que haja tantos artistas e tantas pessoas querendo vê-los – é um indício de que a economia do país vai bem”, diz Lucía, uma universitária de 30 anos da região de Pueblo Libre, em Lima.

Movida pelos setores de transportes, telecomunicações, comércio e serviços, a economia peruana cresceu 7% em 2011, de acordo com os números preliminares da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ao mesmo tempo, o sol novo peruano valorizou-se 3,2% frente ao dólar americano, segundo a CEPAL. Em dezembro de 2010, US$ 1 valia 2,8 sóis novos e, em outubro de 2011, passou a valer 2,92 sóis novos.

“O crescimento econômico do Peru repercutiu no crescimento dos espetáculos musicais nos últimos 10 anos”, diz Ferrand. “Mas Lima ainda é uma praça nova, principalmente no que diz respeito a grandes shows. Começamos a realizá-los há três anos, e Buenos Aires e Cidade do México já o fazem há 30 anos.”

Apesar da previsão de queda na quantidade de shows deste ano, os ingressos para muitos deles já estão esgotados.

Elton John se apresentará o estádio Monumental em 1º de fevereiro, em seu primeiro show internacional de 2012.

O promotor Jorge Fernández, que está levando o astro britânico para o Peru, disse que o show, cuja produção custará US$ 2,5 milhões (R$ 4,6 milhões), deve atrair cerca de 32.000 pessoas, com receita de US$ 3,4 milhões (R$ 6,2 milhões) a US$ 4 milhões (R$ 7,3 milhões).

Outros artistas que já confirmaram shows em Lima em 2012 incluem a rapper chilena Anita Tijoux, (18 de janeiro), o DJ britânico Fatboy Slim (26 de janeiro), a cantora e atriz italiana Laura Pausini (30 de janeiro), a sensação adolescente da Disney, Selena Gomez (2 de fevereiro), o cantor cubano radicado em Miami Jon Secada (9 e 10 de fevereiro), o ícone do rock gótico espanhol Enrique Bunbury (7 de março) e os pop stars suecos do Roxette (21 de abril).

Lucro para varejistas e compositores

O boom de shows internacionais beneficiou a Associação Peruana de Autores e Compositores, graças a royalties por direitos autorais que a entidade recebe dos organizadores de espetáculos.

“Em 2011, arrecadamos 5,5 milhões de sóis novos (R$ 3,8 milhões), com crescimento de cerca de 60% em relação ao ano anterior”, disse o presidente da APDAYC, Armando Massé, em entrevista à Andina News Agency.

Segundo dados da APDAYC, o show de Bon Jovi, que rendeu US$ 132.500 (R$ 243.800), gerou a maior receita em royalties de 2010, seguido pelo do Aerosmith (R$ 199.249) e do Black Eyed Peas (R$ 188.682). Os números de 2011 não foram divulgados.

Proprietários de pequenas empresas também lucraram com a onda de shows.

De hambúrgueres a 2,50 sóis novos (R$ 1,70) a binóculos a 14 sóis novos (R$ 9,50), o que não falta são produtos à venda na frente dos locais dos espetáculos.

Em noites de show, a vizinhança desses locais se transformam em grandes mercados, onde moradores vendem de tudo, inclusive ingressos.

Carlos Berríos, cambista que vendeu ingressos para o show do Calle 13 na entrada do espetáculo, diz que sua meta é ter 50% de lucro.

“Hoje, estou vendendo ingressos de 43 sóis novos (R$ 29,50) por 70 (R$ 48) e de 106 sóis novos (R$ 72) por 180 (R$ 123).”

Christian Ipanaqué, 37 anos, é um flanelinha que trabalha no estádio San Marcos durante os shows.

“Cobro 20 sóis novos (R$ 13,60), e você pode deixar o carro estacionado a noite inteira”, anuncia.

Também se vende muita comida.

Jessica Navarte, 37 anos, e seu filho Anthony Denegri, 15, vendem hambúrgueres em uma van em grandes shows, como o do Calle 13, em 3 de dezembro. Em uma noite boa, mãe e filho vendem 200 sanduíches a 2,50 sóis novos (R$ 1,70) cada um.

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1 Comentário

  1. carlos cruz 02/29/2012

    é bom que os povos tenham todo tipo de entretenimento, principalmente quando são saudáveis, os espectadores aproveitam e os empresários recebem seus benefícios

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