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2012-03-02

Guatemala: Cinema em alta

Por Antonio Ordóñez para Infosurhoy.com — 02/03/2012

Mais filmes estão sendo produzidos no país centro-americano, apesar da falta de recursos, dizem cineastas.

TAMANHO DO TEXTO
Cineastas guatemaltecos precisam encontrar seus próprios meios de produzir filmes para compensar a falta de recursos. Na foto, uma cena de  é filmada. (Antonio Ordóñez para Infosurhoy.com)

Cineastas guatemaltecos precisam encontrar seus próprios meios de produzir filmes para compensar a falta de recursos. Na foto, uma cena de é filmada. (Antonio Ordóñez para Infosurhoy.com)

CIDADE DA GUATEMALA – O sucesso da indústria cinematográfica da Guatemala não é medido pela bilheteria, mas pelo fato de um filme conseguir chegar às telas.

A maior bilheteria do país centro-americano no ano passado foi a do filme Transformers: O Lado Oculto da Lua, que arrecadou US$ 1 milhão (R$ 1,72 milhão), segundo a distribuidora de filmes Revsa.

A título de comparação, a maior bilheteria de um filme guatemalteco, a comédia Puro Mula, foi de US$ 30.600 (R$ 52.600).

Mesmo assim, a indústria cinematográfica do país passa por um boom em número de filmes produzidos, em relação a outras nações centro-americanas. A Guatemala finalizou 17 produções nos últimos dois anos. A Costa Rica, por exemplo, lançou 14 filmes desde 2003, segundo seu Ministério da Cultura.

“A força da Guatemala [para produzir cinema] está na facilidade de acesso a atores de qualidade de forma consistente, enquanto em outros países é caríssimo contratar um elenco profissional”, explica Cecilia Santamarina, produtora da Full Moon Produções, que no ano passado lançou a comédia La Vaca. “Nosso orçamento era mínimo, terminamos nosso filme com menos de US$ 100.000 (R$ 172.000).”

O crescimento da indústria permite que cineastas guatemaltecos contem suas histórias às massas do país de cerca de 14 milhões de habitantes.

La Vaca foi visto por 16.000 pessoas em um período de seis semanas que começou em outubro passado e também fez sucesso no circuito internacional em 2011, participando do Festival de Cinema Independente de Cannes, do centro-americano Icaro Festival, do Festival de Cinema Latino de Ottawa, Canadá, e do Festival de Cinema International Trailer em Nova York, EUA.

Enquanto isso, o diretor Julio Hernández Cordón, 37 anos, já produziu três filmes – Gasolina, Marimbas del Infierno e Polvo – nos últimos cinco anos. Seus filmes também foram reconhecidos em diversos festivais de cinema. Gasolina (2007) foi destaque na categoria “Film under Construction” (em progresso) em um festival na cidade espanhola de San Sebastián.

“Minhas histórias só podem surgir da Guatemala, pois minhas produções têm uma visão própria, com histórias simples”, explica Hernández, que começou sua carreira como produtor de notícias locais há oito anos.

A produtora do jovem cineasta, Melindrosa Films, não gasta mais do que 100 mil quetzales (R$ 22 mil) por filme porque não escala atores profissionais.

Agustín Ortiz, que interpreta o personagem principal no mais recente filme de Hernández, Polvo, a ser lançado no fim do ano, diz que filmes guatemaltecos não têm fronteiras, já que a indústria não possui a mesma tecnologia ou recursos que outros países.

“Trabalhando com o Julio, me dou conta de como é uma produção guatemalteca. Comparada a outras produções, creio que a narrativa de seus filmes é mais honesta, pois suas histórias são originais”, assegura Ortiz, que é jornalista em tempo integral e participou de algumas peças teatrais na Universidade San Carlos antes de conseguir o papel de Juan em Polvo.

Apesar do sucesso, há dificuldades

Hernández diz que a falta de apoio do governo da Guatemala forçou produtoras a arrecadar seus próprios fundos ou coproduzir com seus colegas mexicanos e costarriquenhos.

“É complicado [produzir filmes] na Guatemala, não há infraestrutura”, reclama Hernández. “O cinema ou a arte em outros países são apoiados pelo Estado, mas não na Guatemala.”

Por exemplo, as produtoras na Costa Rica são apoiadas pelo Centro Costarriquenho de Produção Cinematográfica, que faz parte do Ministério da Cultura e empresta equipamentos, oferece capacitação aos cineastas e organiza festivais com seu orçamento anual de US$ 500.000 (R$ 860.000).

O governo da Guatemala não tem uma entidade oficial para financiar filmes, mas tem apoiado algumas produções que abordam certos temas, como é o caso de Trip, do diretor Fran Lepe. O filme de 2011 foi patrocinado por várias entidades privadas e pela Secretaria Executiva da Comissão Contra a Dependência e Tráfico Ilegal de Drogas (SECCATID) por tratar do tema do perigo do consumo de drogas.

“A luta é dura para todos, sobretudo na parte de financiamento”, conta Lepe. “O que conseguimos para esta película não cobre todo o custo monetário de uma produção deste tipo.”

Cecília, porém, ressalta que a falta de dinheiro não é o único problema enfrentado pelos cineastas guatemaltecos.

“É também uma luta constante contra preconceitos, contra parâmetros mal estabelecidos pelas próprias pessoas”, lamenta. “O público não está acostumado a ver filmes nacionais, a consciência coletiva está alienada pelas produções estrangeiras, que são muito caras para produzir e promover.”

Michelle Rojas, especialista em fotografia de publicidade para o cinema, afirma que os filmes guatemaltecos simplesmente não conseguem competir com produções milionárias, como Transformers: O Lado Oculto da Lua, que custou US$ 195 milhões (R$ 336 milhões).

O filme arrecadou US$ 1,12 bilhão (R$ 1,9 bilhão) em todo o mundo, se tornando uma das maiores bilheterias de todos os tempos.

“Não se dá muita importância aos filmes guatemaltecos, pois os espectadores creem que Hollywood é melhor pelos efeitos especiais”, explica. “Nosso cinema mostra nossa realidade nacional, como é o dia a dia das pessoas.”

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1 Comentário

  1. Lola 03/04/2012

    A reportagem está genial e a informação é interessante. Gostei de saber que, apesar dos poucos recursos, o entusiasmo e os conhecimentos cinematográficos não param ou vão abrindo seus próprios caminhos. Conheço Alejo Alas, outros cineastas que já participaram e ganharam essa última edição do Festival Ícaro com "El Zorro Motorizado", baseado em uma história recente da Guatemala.

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