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2012-03-07

Maracaibo: Terra do sol, cidade de contrastes

Por José Bolívar para Infosurhoy.com — 07/03/2012

A ‘amada terra do sol’ conta com um belo lago, tradições religiosas, comércio dinâmico e uma mistura arquitetônica única nas Américas.

TAMANHO DO TEXTO
Parte da arquitetura neoclássica e colonial da velha Maracaibo se encontra no boulevard da Plaza Baralt. (José Bolívar para Infosurhoy.com)

Parte da arquitetura neoclássica e colonial da velha Maracaibo se encontra no boulevard da Plaza Baralt. (José Bolívar para Infosurhoy.com)

MARACAIBO, Venezuela – Conhecida como a “amada terra do sol”, Maracaibo é famosa não só pelas altas temperaturas, pela riqueza do petróleo e pelo comércio dinâmico, mas também pelos seus contrastes culturais.

Cidade portuária cercada por imensas planícies, Maracaibo fica no extremo oeste da Venezuela, na saída do lago de mesmo nome, e tem uma população de 2,1 milhões de habitantes.

Com o sol brilhando o ano todo, Maracaibo também atrai muitos turistas, fascinados por suas piscinas e parques aquáticos, seus enormes centros comerciais, arquitetura colorida e gastronomia.

“Embora seja uma cidade empresarial e comercial, Maracaibo tem muito a oferecer aos turistas”, afirma Juan Camacho, 31 anos, um empresário colombiano que, recentemente, tirou um dia de folga para aproveitar a cidade. “Lojas, piscinas, museus, vida cultural... Tem tudo aqui.”

A Venezuela recebeu 581.910 visitantes internacionais em 2011, um aumento de 12% em relação a 2010, quando 518.711 estrangeiros visitaram o país sul-americano, segundo o Ministério do Turismo local.

Um pouco de história

Um alemão chamado Ambrosius Ehinger fundou Maracaibo em 8 de setembro de 1529.

Há muitas teorias que explicam a origem do nome da cidade: alguns historiadores afirmam que vem do bravo chefe indígena Caibo e sua amante Mara, que, depois, o trocou pelo conquistador espanhol Alonso de Ojeda. Outros, no entanto, acham que o chefe indígena se chamava Mara e o nome vem das palavras “Mara cayó” (Mara caiu), em referência ao local onde Mara foi derrotado pelos conquistadores espanhóis. Há também quem acredite que o nome pode ser derivado da palavra “Ma’leiwa”, que significa “Deus” na língua dos índios Wayuu.

Independente da origem do nome, a capital do estado de Zulia – o mais populoso do país, com 3,8 milhões de habitantes, segundo o censo de 2010 – sempre desempenhou um papel importante na história da Venezuela, apesar de ser a região metropolitana mais a oeste do país andino.

O Lago Maracaibo é o maior da América do Sul, com 13.300 km², e uma parte substancial das riquezas petrolíferas da Venezuela repousam sob seu leito.

Foi nessas águas que o nome da Venezuela surgiu.

Os exploradores Alonso de Ojeda e Américo Vespúcio foram os primeiros europeus a chegar ao lago, em 24 de agosto de 1499.

Ao ver as casas dos indígenas erguidas na beira do lago sobre suas águas, os desbravadores se lembraram de Veneza e batizaram o país de “Pequena Veneza” (Venezuela, em italiano).

O lago também serviu de palco para a independência venezuelana da Espanha em 1821, com uma batalha naval travada em suas águas.

A ponte “General Rafael Urdaneta”, com 8 km de extensão, foi inaugurada em 1962 e liga Maracaibo ao resto da Venezuela.

Mas, apesar da forte ligação com o país, Maracaibo ainda guarda sua identidade própria, com raiz na mistura das tradições europeia, indígena e africana.

“Falar de Maracaibo é falar de uma cidade sui generis, já que é completamente diferente da Venezuela”, diz Alberto Frangieh, um fotógrafo internacional nascido e radicado em Maracaibo. “Para essa cidade, o mais importante é ter um lago, ter uma padroeira – a Virgem – e ter uma ponte que nos conecta ao resto do país.”

Da Inglaterra ao Lago Maracaibo

Maracaibo oferece inúmeras opções de entretenimento, baseadas na mistura de modernidade e tradição.

A turnê pela cidade deve começar pela área colonial, no centro, perto do porto.

Os prédios coloniais em cores vivas exibem pátios amplos, tetos altos e janelas enormes.

No boulevard da Plaza Baralt, a quantidade de vendedores ambulantes contrasta com a arquitetura neoclássica e colonial dos prédios da área, que já foi o centro financeiro da cidade.

No centro do boulevard, fica uma das joias arquitetônicas da Venezuela: o Centro de Artes Lía Bermúdez, uma estrutura metálica trazida peça por peça de Londres, em 1931. O local foi inaugurado naquele mesmo ano como o Mercado Municipal.

O prédio foi recuperado e reformado na década de 1970 e reaberto como um centro artístico em 1993.

Com capacidade para 700 pessoas, o centro apresenta peças teatrais, exposições de pinturas e concertos.

O Centro Lía Bermúdez e o Teatro Baralt, inaugurado em 1883, formam a fundação cultural da cidade.

Fervor religioso

A Basílica de Nuestra Señora de Chiquinquirá e o Paseo del Monumento a la Virgen são marcos das profundas raízes católicas de Maracaibo.

Inaugurada em 12 de outubro de 1935, a atual basílica foi erguida em substituição a um templo construído na periferia da cidade. Seus arcos emblemáticos e o tom amarelo se tornaram símbolos inconfundíveis da cidade.

Todo dia 18 de novembro, milhões de devotos se reúnem na praça adjacente para comemorar o “Festival da Virgem”, em que a imagem divina sai em procissão pela cidade.

“O fervor pela Virgem de Chiquinquirá, cuja imagem é adorada aqui na basílica, é um testemunho da qualidade e idiossincrasia de Maracaibo”, afirma Odalis Caldera, secretaria de Segurança e Ordem Pública do estado de Zulia.

Ruas de tradição

Perto dali, fica a tradicional Calle Carabobo, que conta com remanescentes das casas coloridas da antiga Maracaibo. As 80 residências que compõem a área são um exemplo da arquitetura do século XX, com grandes janelas e tetos altos, que contribuem para aliviar o forte calor e umidade da cidade.

Ao norte da Calle Carabobo, os turistas encontram outros exemplos desse tipo de arquitetura, na área colonial de Santa Lucía, um dos bairros mais tradicionais da cidade.

As áreas abrigam inúmeros bares, instituições culturais e museus.

“O povo de Maracaibo fez um excelente trabalho em combinar a arquitetura espanhola, a arquitetura petrolífera, o estilo art déco do final do século XIX e início do século XX, com a arquitetura contemporânea”, orgulha-se Frangieh, o fotógrafo. “Eu diria que as pessoas que visitam nossa cidade que passarem pelo centro descobrirão todos esses elementos arquitetônicos.”

A cultura Wayuu também exerce uma forte influência na cidade.

Os primeiros habitantes dessas planícies podem ser encontrados na cidade, vendendo seus artesanatos, redes, doces, além da “manta”, uma indumentária feminina tradicional que, apesar de cobrir todo o corpo, mantém o frescor.

Expansão rumo ao norte

A região metropolitana de Maracaibo continua a se expandir no sentido norte das planícies. Essa área da cidade abriga o enorme campus da Universidad del Zulia, com reitoria, hospital e instalações educacionais, além de inúmeros centros comerciais, hotéis de luxo e boates.

Entre os centros comerciais mais famosos está o Centro Sambil, um dos maiores da Venezuela. Grandes cadeias de hotéis, incluindo Intercontinental e Best Western, também ficam na região.

Apesar de seus altos edifícios de concreto, com vidros escuros para evitar o calor do sol, e do contraste arquitetônico da cidade, Maracaibo possui um encanto único que não se vê em outros locais da América Latina.

“Maracaibo está pintada com muitas cores e matizes”, conta Frangieh. “Talvez não seja uma cidade muito bela à primeira vista, mas se subir em um edifício alto e observar quando as luzes se acendem e o sol está baixando, e ver esses azuis, rosas e laranjas, dirá a si mesmo, ‘Ahh… essa cidade é muito bela!’”

Como chegar

Maracaibo conta com o Aeroporto Internacional de La Chinita (código aeroportuário: MAR), que fica ao sul da cidade e é conectado por uma moderna autopista. Há voos diretos de Miami, Cidade do Panamá, Aruba e Curaçao, além de Caracas, Valencia, Barquisimeto, Porlamar e Isla de Margarita, na Venezuela.

Uma grande rede de ônibus, que se origina no Terminal de Passageiros de Maracaibo, no centro, liga a cidade ao resto do país.

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2 comentários

  1. maria thereza montenegro 09/26/2012

    Adorei, fiquei com vontade de ir. Talvez vá. Só me preocupou o calor, mas vou já investigar hotéis e combinar para ir até Isla Margarita. Mariathereza

  2. sofia pinzon rey 09/12/2012

    que bonito esse palácio

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