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2012-04-25

Brasil é destaque na feira do livro de Bogotá

Por Leandra Felipe para Infosurhoy.com – 25/04/2012

Governo brasileiro investiu US$ 1,5 milhão para levar 50 escritores e 100 artistas à 25ª FILBo.

TAMANHO DO TEXTO
A ilustradora Ciça Fittipaldi fala a jovens leitores na 25ª Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBo). O Brasil investiu US$ 1,5 milhão para levar 50 autores e 100 artistas ao evento na capital colombiana. (Juan Carlos Rocha para Infosurhoy.com)

A ilustradora Ciça Fittipaldi fala a jovens leitores na 25ª Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBo). O Brasil investiu US$ 1,5 milhão para levar 50 autores e 100 artistas ao evento na capital colombiana. (Juan Carlos Rocha para Infosurhoy.com)

BOGOTÁ, Colômbia – Na terra de Gabriel García Márquez, a literatura brasileira é a convidada de honra.

O Brasil é o país homenageado na 25ª Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBo), o terceiro maior evento do gênero da América Latina, segundo os organizadores.

Dos 58.000 m2 do Centro Internacional de Negócios e Exposições (Corferias), onde a feira acontece de 18 a 01 de maio, 3.000 m2 foram reservados ao Brasil.

No total, são 420 expositores – 95% do mercado editorial colombiano – e 120.000 títulos de 18 países.

“Um dia é pouco pra conhecer a feira toda. Dá vontade de vir várias vezes”, disse Alejandro Rohenses, 33 anos, estudante de doutorado em Literatura Hispânica.

Ícones da literatura brasileira, como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Cora Coralina, são os grandes homenageados do Brasil. Os nomes dos escritores foram talhados em painéis de madeira e em salas temáticas onde é possível “viajar” por suas obras e conhecer suas biografias.

Além de 50 autores contemporâneos, também participam 100 artistas brasileiros – a maioria músicas e bailarinos.

Entre os destaques da literatura contemporânea do país convidado, estão Nélida Piñon, Fernando Morais, Eric Nepomuceno e Ziraldo.

A escritora Nélida Piñon, primeira brasileira a presidir a Academia Brasileira de Letras (1996-1997), ressaltou que, por meio dos livros, é possível entrar um pouco no universo da “sensibilidade, inteligência e imaginação” da literatura brasileira.

“Vocês podem desvendar esse país continental, que tem como característica forte a tutela da língua portuguesa, seu grande milagre”, disse Nélida durante um bate-papo com o ensaísta colombiano Guido Tamayo.

E é justamente o idioma português o que chama a atenção dos “vizinhos” de língua castelhana.

No pavilhão dedicado ao Brasil, estão à venda milhares de exemplares em português e cerca de 800 títulos de autores brasileiros traduzidos para o espanhol.

A estudante Liliana Zamora, de 13 anos, não fala português, mas se surpreendeu com as semelhanças com o espanhol ao folhar títulos brasileiros na feira.

“Eu achava que era muito difícil, mas estou vendo que entendo muita coisa”, disse. “Há palavras quase iguais.”

Já a professora de ciências sociais Rubi Porto, 43, foi à feira em busca de livros do Brasil para saciar a curiosidade sobre como o país conseguiu melhorar a educação da população.

“Eu li que o índice de leitura dos alunos brasileiros melhorou muito”, disse. “Estou aqui procurando livros sobre a educação inclusiva aplicada no ensino público de lá.”

País em evidência

O crescente despertar da Colômbia pela cultura brasileira justifica a homenagem do país andino ao Brasil na FILBo 2012.

O presidente da Câmara Colombiana do Livro, Enrique González, disse que os colombianos estão “admirados” com o desenvolvimento econômico que o Brasil alcançou nos últimos anos.

“Para nós, o Brasil é um gigante desconhecido”, completou. “Conhecemos um pouco da sua música, mas, mesmo sendo vizinhos, temos uma selva amazônica que separa nossa fronteira e falamos um idioma diferente.”

A ministra da Cultura do Brasil, Ana de Hollanda, que esteve em Bogotá para a abertura da feira, disse que a cultura brasileira vive um momento de “ascensão”. O Brasil está sendo convidado para participar de vários eventos culturais e literários em todo o mundo, completou.

No ano passado, o país foi destaque na 23ª edição da Europalia, um dos maiores eventos culturais da Europa, realizado na Bélgica. Em 2013, o país será o convidado da Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha.

Para Ana de Hollanda, é importante aproveitar esse “boom” para mostrar a cultura brasileira “além dos estereótipos, mostrando sua diversidade”.

Para levar a variedade da cultura brasileira à feira do livro de Bogotá, o governo investiu US$ 1,5 milhão.

A programação inclui até shows de vários gêneros musicais pouco conhecidos fora do Brasil, como a música caipira.

“Trouxemos vários estilos não só de música e literatura, mas outras manifestações como o grafite e a capoeira”, disse a ministra. “Queremos mostrar o Brasil que vai além do samba.”

O escritor brasileiro de livros infantis Ziraldo, 79, está lançando dois livros em espanhol na feira de Bogotá – “Uma Professora Muito Maluquinha” e “O Menino Quadradinho”.

Há 11 anos, ele lançou a obra “Vito Grandão” em Bogotá. O livro chegou a ser adotado em escolas de educação infantil do país.

“Esse interesse todo é porque agora somos o país da moda”, disse.

Encurtando distâncias

A maioria dos livros traduzidos do português chegam à Colômbia via Europa e não diretamente do mercado editorial brasileiro, explicou González, da Câmara Colombiana do Livro.

“Além disso, conhecemos só os clássicos”, completou. “Da literatura contemporânea sabemos muito pouco. Mas acredito que o Brasil saiba pouco também sobre a literatura colombiana, além de García Márquez.”

Mas a Colômbia também tem o desafio de aumentar os índices de leitura, disse González.

O país ocupa o 6º lugar no ranking de leitura na América Latina, com 2,2 livros lidos por habitante por ano, segundo o Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (CERLALC). O Chile é o primeiro da lista, com 5,4 livros por ano. O Brasil está em 4º, com 4 livros por ano.

“Há muitos anos, a feira é um dos nossos instrumentos para incentivar o hábito da leitura”, afirmou González.

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2 comentários

  1. maria do socorro 08/20/2012

    Nada contra a esse investimento a LITERATURA,porem, temos coisas mais urgentes e necessárias.

  2. Martha Diaz 04/27/2012

    Boa tarde Martha, quero compartilhar este diário onde pesquisei minha tarefa, gostei da resenha, pois não só trata o tema da participação da feira, como também ilustra os diferentes escritores brasileiros que agora mesmo chamaram minha atenção. A gente se vê

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