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2010-03-05

Bachelet: reconstrução pode levar de 3 a 4 anos

Por Jon Gallo para Infosurhoy.com — 05/03/2010

Presidente chilena visita áreas mais devastadas pelo terremoto

TAMANHO DO TEXTO
Militares chilenos estão ajudando a distribuir ajuda, além de manter a segurança nas ruas. (Evaristo Sa/AFP Getty Images)

Militares chilenos estão ajudando a distribuir ajuda, além de manter a segurança nas ruas. (Evaristo Sa/AFP Getty Images)

SANTIAGO, Chile — A presidente chilena, Michelle Bachelet, afirmou que o processo de reconstrução de seu país, abalado por um dos mais fortes terremotos já registrados na história, pode durar de três a quatro anos. “Em algumas áreas rurais, tudo veio abaixo”, disse a presidente em entrevista a uma rádio local citada pela agência Dow Jones. “A infraestrutura foi destruída, e milhares de chilenos perderam não só entes queridos, mas suas casas e pertences, e empresas tiveram prejuízos significativos.” Cinco dias depois do devastador tremor de terra, Bachelet reconheceu que sua estimativa pode ser muito modesta, porque, segundo a Dow Jones, 39 hospitais do país sofreram danos e, entre eles, 11 foram reduzidos a destroços. “A reconstrução levará muitos anos, pois minha estimativa original baseou-se no tempo necessário para construir um hospital de alta complexidade”, disse a repórteres em um posto de ajuda e distribuição próximo a Concepción. Michelle Bachelet já terá deixado a presidência há algum tempo quando a reconstrução for concluída. A atual presidente, que atingiu a mais alta aprovação popular de todos os tempos no Chile, transmitirá o mandato a Sebastián Piñera no próximo dia 11. “O que aconteceu conosco, como país, foi horrível, mas vamos superar isso trabalhando sem parar”, pontuou, em conversa com os repórteres.

Presidente chilena visita áreas mais atingidas pelo terremoto

A presidente Michelle Bachelet esteve nas regiões centro e sul do Chile, em visita às áreas mais afetadas pelo terremoto de 8,8 graus de magnitude que devastou o país no dia 27 de fevereiro. “A verdade é que vim aqui hoje para me certificar de que está chegando ajuda”, comentou a presidente com uma equipe de repórteres que documentou sua jornada. “Quero ter certeza de que estamos respondendo às necessidades das pessoas.” As cidades mais atingidas pelo tremor de terra são Talcahuano e Concepción, que também sofreram saques imediatamente após o desastre natural. Michelle Bachelet tentou manter a ordem com a designação de 13 mil soldados e outros funcionários das Forças Armadas para garantir a segurança e colaborar na distribuição de 3,5 mil pacotes de ajuda, de acordo com a CNN. A presidente também visitou Talca, afetada pelo terremoto e por mais de 120 tremores secundários com pelo menos 5 graus na escala Richter que se seguiram ao desastre, segundo o geofísico Don Blakeman, do Serviço Geológico dos EUA. O número de vítimas fatais, de 799 no dia 3 de março, subiu para 802. Do total de vítimas, 600 moravam na região de Maule, conforme dados do birô de atendimento a emergências do Chile. O comandante da polícia de Concepción, Eliecer Solar Rojas, disse à CNN que o terremoto causou a morte de 92 pessoas na cidade. Na antiga Talca, muitas das estruturas mais velhas desabaram, em alguns casos sobre os moradores.

Preços das ações de empresas chilenas voltam a subir

As ações das empresas chilenas valorizaram-se pela primeira vez depois do terremoto, fechando um ciclo de três dias em que a queda nos preços dos papéis transformou o Chile no país com o pior desempenho do mercado de títulos e valores mobiliários, segundo a Bloomberg. A Multiexport Foods SA, a maior empresa com ações em bolsa do setor de salmão chileno, liderou a alta do índice Ipsa. O preço das ações das Empresas Copec SA, líderes na produção de celulose, subiu pela primeira vez desde o tremor. Por sua vez, a Paz Corp SA registrou a maior valorização dos últimos nove meses, depois de divulgar que os prejuízos decorrentes do terremoto não terão impacto “significativo”. O índice Ipsa caiu 3,1% durante os três dias subsequentes ao terremoto, registrando o pior desempenho entre os 93 índices globais monitorados pela Bloomberg. “Houve exageros na venda de ações chilenas em um primeiro momento, e os investidores estrangeiros estão voltando ao mercado”, disse o chefe de investimentos na América Latina da Vial SA, Francisco Busquet. “Os investidores estrangeiros não só estão apostando na recuperação das ações chilenas, mas acreditam que se beneficiarão também de apreciações do peso.” Contudo, a presidente chilena, Michelle Bachelet, já avisou que, como o terremoto destruiu muitas estradas, redes elétricas e cerca de 1,5 milhão de residências, o Chile, que é um dos países mais ricos da América do Sul, pode precisar de empréstimos internacionais para levar a cabo seu processo de reconstrução.

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