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2010-03-29

Lula quer intermediar paz no Oriente Médio

Por Nelza de Oliveira para Infosurhoy.com — 29/03/2010

Presidente declara quer Brasil é a prova do convívio entre judeus e árabes

TAMANHO DO TEXTO
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula de Silva, em apeto de mão com o presidente israelense, Shimon Peres, na cerimônia oficial de boas-vindas a Israel no início do mês. (Tara Todras-Whitehill/Getty Images)

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula de Silva, em apeto de mão com o presidente israelense, Shimon Peres, na cerimônia oficial de boas-vindas a Israel no início do mês. (Tara Todras-Whitehill/Getty Images)

RIO DE JANEIRO, Brasil – Para os críticos que o acusaram de meter o nariz onde não foi chamado durante sua recente visita ao Oriente Médio, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, tem uma rápida resposta.

“O Brasil foi convidado.”

Essa foi a justificativa dada por Lula durante seu programa de rádio “Café com o Presidente”, em 22 de março.

“O Brasil foi convidado por Israel, pela Palestina e pela Jordânia em uma tentativa de ajudá-los”, disse.

Mas por que o Brasil? Fácil, responde Lula.

“Se existe um país que pode dar o exemplo, esse país é o Brasil. Porque aqui nós temos 10 milhões de árabes e seus descendentes e 200 mil judeus que vivem em harmonia”, completou Lula durante o programa. “Esse é o exemplo que podemos levar ao Oriente Médio.”

Além disso, a Assembléia Geral da ONU foi liderada pelo chanceler brasileiro Oswaldo Aranha quando o Estado de Israel foi aprovado, em 1947. A rua com o nome de Aranha em Tel Aviv lembra ao mundo que o Brasil teve participação no processo que culminou com os judeus tendo um país que pudessem chamar de seu.

O autor e especialista em problemas do Oriente Médio e professor da Universidade do Rio de Janeiro (UNERJ), Edgard Leite, diz que a viagem de Lula não foi tão histórica como ele declara.

“Essa viagem foi apenas para brasileiro ver”, comenta. “No Oriente Médio, poucas pessoas prestaram atenção à visita de [Lula]. Acredito que a ideia era colocar o presidente brasileiro como um líder internacional, de alguma forma influenciando de maneira positiva a candidatura de Dilma Rousseff à presidente para as eleições de 2010.”

Leite também acredita que a visita de Lula a Israel – a primeira de um presidente brasileiro – pode ter sido baseada em uma tentativa de ganhar a indicação como um oficial de alto nível das Nações Unidas.

“É possível que Lula obtenha uma posição internacional alta, talvez na África, mas não como o secretário-geral da ONU”, pondera Leite.

Durante sua viagem ao Oriente Médio, Lula não aceitou o convite para visitar o túmulo de Theodor Herzl, o fundador do movimento sionista, mas foi até Ramallah para visitar o mausoléu que homenageia Yasser Arafat, o ex-líder palestino.

De acordo com o professor da Universidade Federal do ABC em São Paulo, Artur Zimerman, especialista em anti-semitismo, a visita de Lula ao túmulo de Arafat não foi bem recebida pela comunidade judaica brasileira, que consiste de pelo menos 150 mil só no estado de São Paulo.

“O fato de ele não ter ido visitar o túmulo do pai do sionismo moderno foi uma terrível quebra de protocolo”, comenta Zimerman. “Acredito que o presidente deveria se desculpar.”

“Como a ONU não faz sua parte, existe uma vácuo”, comentou Lula durante seu programa de rádio. “Em outras palavras, todo mundo comenta sobre a crise no Oriente Médio, mas ninguém resolve nada. O Brasil está tentando fazer a sua parte… [uma vez que] as pessoas confiam no país.”

Ainda assim, Leite acredita que Lula está se envolvendo em um problema em que ele não tem conhecimento suficiente.

“O discurso de Lula é quase ingênuo", diz Leite. “O seu desempenho não agradou nem aos palestinos nem aos judeus. Para ele, os israelenses não aprovam a proximidade entre o Brasil e o Irã e nem com os palestinos, devido ao suporte do Irã ao Hamas, a organização radical palestina.”

A visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil em novembro de 2009 causou um protesto da comunidade judaica no Rio e em São Paulo. Ainda assim, espera-se que Lula visite o Irã em 15 de maio.

“O Brasil é um país emergente com uma grande influência na América Latina e na América do Sul”, diz Zimerman. “Mas no Oriente Médio, os Estados Unidos é que continuam em posição real de fazer a diferença, até mesmo com os altos e baixos no processo de negociação de paz.”

A autora do livro “Caça às suásticas”, Ana Maria Dietrich, acredita que a viagem de Lula ao Oriente Médio fez a diferença, declarando que ele mostrou que quer a paz pela região.

“O problema é que somos embriônicos neste sentido”, diz Dietrich. “Entretanto, o poder do Brasil não é forte.”

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