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2010-08-16

Aumentam chances de oposição venezuelana chegar à Assembleia Nacional

Por José Bolívar para Infosurhoy.com – 16/08/2010

Candidatos prometem despolitizar legislatura e defender a descentralização.

TAMANHO DO TEXTO
O partido venezuelano de oposição Primero Justicia reuniu-se em Maracaibo em 8 de agosto. (José Bolívar para Infosurhoy.com)

O partido venezuelano de oposição Primero Justicia reuniu-se em Maracaibo em 8 de agosto. (José Bolívar para Infosurhoy.com)

MARACAIBO, Venezuela – Os candidatos da oposição que reclamaram de ter ficado fora das eleições de 2005 por não confiarem no Conselho Nacional Eleitoral, podem tirar proveito da queda no índice de aprovação do governo do presidente, Hugo Chávez.

As eleições para escolher os próximos representantes da Assembleia Nacional, um corpo legislativo unicameral controlado pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), estão programadas para 26 de setembro.

O órgão de pesquisas Instituto Venezuelano de Análise de Dados (IVAD) informou, em fevereiro, que 66,8% dos venezuelanos rejeitam o comunismo.

Os recentes comentários do ex-presidente cubano Fidel Castro, durante entrevista, na semana passada, aos jornalistas do canal oficial do governo, Venezolana de Televisión, confirmou a situação da oposição a Chávez.

"Socialismo é comunismo ... o que Marx definiu como comunismo", declarou Castro.

Miguel Salazar, jornalista do diário As Verdades de Miguel, disse que há uma longa lista a respeito da queda de popularidade de Chávez. Salazar cita a má condução do presidente no racionamento de energia em todo o país no início deste ano, o rompimento diplomático com a Colômbia e a descoberta de grande quantidade de alimentos estragados pertencentes à rede estatal de distribuição alimentar (PDVAL).

Os candidatos do PSUV fazem campanha massiva em bairros de baixa renda de Caracas e em outras grandes cidades venezuelanas para recuperar o apoio daqueles que estão desiludidos com as políticas do governo.

"Dar uma volta nessas comunidades é necessário, porque alguns meios de comunicação não querem mostrar a realidade dos avanços da revolução", disse Tania Díaz, candidata do PSUV por Caracas para a Assembleia Nacional, ao Noticias24.

O partido de Díaz propõe uma nova forma de governo na Venezuela chamada de "o povo legislador", em que os cidadãos, organizados em conselhos, legislam com base nas necessidades da comunidade.

"O que temos de fazer", disse Díaz, "é adaptar as leis e a estrutura do Estado para o que já está acontecendo nas ruas".

Mas o voto parece ser a única maneira de manter o comunismo afastado do país andino.

"Eu chamo isso de voto consciente", declarou José Karkom, candidato do estado de Trujillo à Assembleia Nacional pelo partido Unidade Alternativa Democrática - uma coligação de partidos da oposição - ao jornal venezuelano Diario de los Andes. "Porque a consciência é o que temos de ouvir quando elegemos nossos congressistas. Além dos partidos políticos, a democracia deve ganhar a oportunidade de mudar o rumo do nosso país, que agora está mergulhado na falta de segurança pessoal, carência de empregos e uma inflação crescente. Temos de pensar no futuro dos nossos filhos, para que possamos votar com consciência."

Tomás Guanipa, candidato ao Congresso pelo partido de oposição Primero Justicia, representando o estado de Zulia, disse que a oposição tenta despolitizar a legislatura e começa a trabalhar para o povo.

"Vamos chegar à Assembleia Nacional prontos para trabalhar, dar equilíbrio, falar e legislar, com o objetivo de resolver os problemas do povo, que são as situações sociais mais difíceis que cada cidadão tem experimentado no país", disse Guanipa em entrevista exclusiva ao Infosurhoy.com. "Vamos parar de falar de política e começar a usar o parlamento para o que ele foi feito: atender o povo."

Guanipa salientou a importância de legislar sobre o processo de recentralização atualmente em vigor. Nos últimos anos, membros do governo, especificamente governadores e prefeitos, não têm sido consultados em suas jurisdições, quando se trata da tomada de decisões sobre portos, aeroportos, estradas e hospitais.

"Neste contexto, a Alternativa Democrática da nova Assembleia Nacional pretende defender os princípios que são muito importantes, como a preservação e a aplicação da Constituição", declarou. "Basicamente, a Constituição da República Bolivariana da Venezuela afirma que o país tem um governo federal descentralizado, e cada estado tem direito a seu próprio governo e verba para atender as necessidades do povo. Tudo isso está sendo destruído pelas leis que a atual administração tem adotado, em conjunto com o Conselho Federal de Governo, que propõe o fim da descentralização na Venezuela e que, juntamente com a Lei das Comunicações, deixa os outros órgãos do governo numa espécie de limbo."

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