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2010-10-08

Chile avança na retirada de minas terrestres

Por Vicente Fuentealba e Matías Ristenpart para Infosurhoy.com — 08/10/2010

Coronel Juan Mendoza, da Comissão Nacional de Desminagem do Chile, fala com exclusividade a Infosurhoy.com.

TAMANHO DO TEXTO
Coronel Juan Mendoza é o secretário executivo da Comissão Nacional de Desminagem. (Vicente Fuentealba para Infosurhoy.com)

Coronel Juan Mendoza é o secretário executivo da Comissão Nacional de Desminagem. (Vicente Fuentealba para Infosurhoy.com)

SANTIAGO, Chile – Milhares de minas antipessoais foram enterradas por todo o país durante a década de 1970 como parte da política de defesa das forças armadas.

As minas foram plantadas no norte do país em meados da década, além de outras na região sul em razão do conflito de 1978 com a Argentina.

As minas no Chile estão localizadas em áreas remotas, de difícil acesso, principalmente ao longo das fronteiras do país andino.

Há um total de 123.439 minas antipessoais espalhadas em 181 campos, enterradas em uma área de 2.608 hectares, segundo a Comissão Nacional de Desminagem do Chile (CNAD).

Em 1997, o país assinou o Tratado de Ottawa, que tem o objetivo de eliminar totalmente os campos minados e as minas terrestres, e dar auxílio às suas vítimas.

O Chile, contudo, não conseguirá atingir a meta de eliminar todos os campos minados até 2012, o que levou o governo a pedir mais 10 anos de prazo à ONU.

A CNAD confirmou que o Chile destruiu todo o estoque de minas terrestres até 2003.

Autoridades chilenas informaram em julho passado que tinham sido removidas todas as minas terrestres de quatro áreas, inclusive nas ilhas Isla Grande de Tierra del Fuego e Isla Hornos. As minas terrestres foram retiradas de Tambo Quemado, uma região no nordeste do país que faz fronteira com a Bolívia, onde há planos de construção de um complexo alfandegário.

O Coronel Juan Mendoza, 50 anos, secretário executivo da CNAD, concedeu recentemente uma entrevista exclusiva ao Infosurhoy.com sobre o cargo que ocupa desde janeiro.

Infosurhoy.com: O senhor esteve em Genebra, Suíça, em junho passado a fim de participar de uma reunião dos países que assinaram o Tratato de Ottawa. O que se discutiu lá?

Mendoza: As comissões avaliaram o progresso específico de seus países na retirada de minas terrestres, na assistência às vítimas, como os estados inseriram o tratado em sua legislação etc. Achei bem interessante e proveitoso.

Infosurhoy.com: Como o senhor classifica o progresso do Chile na retirada das minas terrestres?

Mendoza: O interessante é que este foi o primeiro ano em que o sul do Chile conseguiu eliminar as minas terrestres dos campos minados. Por existirem parques nacionais em algumas áreas como Isla Hornos, e isso é uma grande contribuição para o turismo. Também é simbólica, pois a região fica no extremo sul do país.

Infosurhoy.com: O trabalho de retirada das minas é voluntário? Mulheres também fazem esse trabalho?

Mendoza: Todos os membros das unidades de retirada de minas, inclusive a Marinha e o Exército, são voluntários. E, embora seja uma tarefa inerente ao trabalho deles, isso não quer dizer que sejam obrigados a fazê-lo. Mas ninguém pediu para ser dispensado de uma tarefa tão importante e delicada.

Dentro desses grupos há mulheres. Algumas até ocupam posições de comando, pois são oficiais encarregadas de unidades. Também há suboficiais mulheres nesse serviço, e enfermeiras que estão sempre alerta.

Infosurhoy.com: Houve algum acidente durante a remoção de minas?

Mendoza: Só um, em 2005, quando um cabo detonou uma mina antipessoal. Não obstante, os ferimentos que ele sofreu não foram graves, graças ao equipamento que estava usando e às medidas de segurança vigentes. O suboficial se recuperou completamente.

Infosurhoy.com: Que assistência há para vítimas de minas antipessoais?

Mendoza: Temos um cadastro oficial que é bastante completo no tocante à identificação das vítimas, e o Estado sempre deu ênfase à assistência a eles. Há um projeto de lei em tramitação que procura permitir às vítimas voltar à vida normal e ter acesso a serviços médicos, psicológicos e educacionais. Naturalmente, também pretendemos compensar as vítimas, quando for o caso, analisando cada um dos 135 casos individualmente, pois cada caso é um caso.

Infosurhoy.com: Como vocês instruem os que moram perto dos campos minados?

Mendoza: Geralmente nos concentramos no trabalho conjunto com essas comunidades, especialmente com as crianças, para que possam aprender sobre os perigos dessas áreas e as minas. Vamos lá duas ou três vezes por ano. Também distribuímos panfletos ou organizamos exposições para promover nossas campanhas de prevenção

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1 Comentário

  1. Elir Rojas Calderón 04/24/2011

    O Centro Zona Minada e o Grupo de Víctimas de Minas y Municiones tem outra opinião em relação ao processo de eliminar minas no Chile, onde o próprio cel. Mendoza não menciona (por exemplo) porque não há programas de assistência às vítimas e que ele não incluiu essa variável no orçamento de 2011. Por quê? O CNAD está autodesignando ao Exército 5 milhões de dólares para gastos com operações gerais, NADA para as vítimas. Em relação à educação ou prevenção do risco de minas, é a mesma situação. Cel. Mendoza poderia explicar porque ele designou recursos para o Exército para ações que pertencem aos civis e não aos militares. Lamentavelmente, essa situação é repetida há anos, por que o Exército quer manter controle dos esforços de eliminação de minas no Chile? O Centro Zona Minada e Grupo de Víctimas podem contribuir com informações que o cel. Mendoza claramente deixa de fora, por quê?

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