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2010-11-06

Epidemia de cólera se espalha pelo Haiti

Por Carlos Strever para Infosurhoy.com – 06/11/2010

Doença já matou 442 pessoas, segundo autoridades do país.

TAMANHO DO TEXTO
Mulher recebe medicamento intravenoso para tratar a cólera em um hospital em L’Estere. (Ho New/Reuters)

Mulher recebe medicamento intravenoso para tratar a cólera em um hospital em L’Estere. (Ho New/Reuters)

WASHINGTON D.C., EUA – Uma epidemia de cólera na região oeste do Haiti continua a se espalhar enquanto o furacão Tomás atinge a nação destruída, aumentando a possibilidade de mais infecções em meio a condições de vida cada vez mais precárias.

O número de mortos pela cólera subiu de 337, até 2 de novembro, para 442, e 6.742 pessoas se encontram hospitalizadas, informou Gregory Hartl, porta-voz do Alerta e Resposta a Epidemias Globais da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No departamento mais afetado, Artibonite, 85% dos hospitalizados entre 20 e 25 de outubro tinha ao menos 5 anos de idade, disse Jon Andrus, vice-diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Artibonite, com uma área de 4.984 km², é o maior dos 10 departamentos do país.

“A essa altura, o número exato de casos é menos importante do que saber onde estão ocorrendo – a distribuição geográfica – para que as ações possam ser direcionadas às comunidades mais necessitadas”, explicou Andrus.

Andrus informou ainda que metade das vítimas morreu antes de chegar ao hospital.

Em 5 de novembro, mais de 2 mil pessoas foram evacuadas de um acampamento de refugiados em Corail-Cesselesse para um hospital próximo, de modo a prevenir que a cólera se espalhasse ainda mais, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

“Os desabrigados que permanecem nos acampamentos, recebem água engarrafada para prevenir a propagação da cólera”, afirmou a OIM em nota.

As autoridades temem que a doença se espalhe para os acampamentos de refugiados, onde vivem cerca de 1,2 milhão de desalojados pelo terremoto de 12 de janeiro.

“Ainda não sabemos se há casos da doença nos acampamentos”, disse a porta-voz da OIM, Jemini Pandya.

A taxa de mortalidade entre os pacientes hospitalizados está entre 2% e 6,8%, uma melhora em relação a dados anteriores de cerca de 9%. Ainda assim, é mais alta do que o normal, afirmou Andrus.

As altas taxas podem ser atribuídas a desafios geográficos e logísticos para que os doentes sejam tratados. Mas pior do que isso, a doença diarréica está se espalhando geograficamente, dos departamentos de Artibonite, Centre e Ouest para o norte e noroeste do país, disse ele.

“As más condições sanitárias em muitas áreas, combinadas com os efeitos do furacão, como fortes chuvas e possíveis inundações, devem acelerar a propagação da doença, aumentando o número de casos mais cedo e rapidamente", acrescentou Andrus.

Cinco centros de tratamento de cólera são abertos em Porto Príncipe

Hartl informou que desde 1º de novembro cinco centros de tratamento de cólera estão em funcionamento na capital do país, Porto Príncipe, além de um na cidade portuária de Saint-Marc, um na cidade de Archaie e outro na cidade costeira de Léogâne. Estão previstos centros de tratamento nas cidades de Croix-de-Bouquets, Petit- Goâve e Petite Rivière de l’Artibonite, mas não se sabe quando estarão prontos.

Os Centros para Prevenção e Controle de Doenças, localizados nos Estados Unidos, informaram que a cólera no Haiti é mais parecida com tipos que ocorrem no sul da Ásia.

“Embora os resultados indiquem que o vírus não é haitiano, eles podem circular entre diferentes áreas graças às viagens globais e o comércio", explicou o Dr. Alex Larsen, ministro da Saúde do Haiti, em entrevista coletiva. “Sendo assim, nunca saberemos a origem exata do vírus que está causando a epidemia no Haiti. Esse vírus foi transmitido por alimento ou água contaminados, ou por uma pessoa infectada.”

“Não sabemos como a epidemia começou no Haiti”, disse Hartl.

A cólera é causada por uma infecção bacteriana no intestino e se espalha através do consumo de água ou da ingestão de alimentos contaminados, como frutos do mar mal cozidos e frutas e verduras cruas, segundo a OMS.

Se não for tratada, a doença provoca diarreia aquosa e desidratação severa, podendo matar em algumas horas. Surtos podem acontecer em qualquer lugar onde há falta de saneamento, higiene e segurança alimentar.

Anualmente, cerca de 3 a 5 milhões de pessoas são diagnosticadas com a doença em todo o mundo, das quais cerca de 100 a 120 mil vão a óbito.

Mas muitos dos infectados, cerca de 75%, não desenvolvem nenhum sintoma. Ainda assim, podem espalhar a doença por até 14 dias após a infecção. Entre os que apresentam sintomas, cerca de 80% dos casos é considerado leve a moderado, informou a OMS.

O Dr. Pradip K. Bardhan, do Centro Internacional de Pesquisas de Doenças Diarreicas no Centro de Colaboração da OMS, disse que, após lidar com centenas de milhares de casos de cólera na África e na Ásia, o melhor tratamento em muitos casos envolve hidratação.

Antibióticos também parecem eficientes no tratamento do vibrião colérico do Haiti, acrescentou ele.

“A primeira coisa é não entrar em pânico", disse o médico. “Essa doença é totalmente tratável.”

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