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2011-02-17

El Salvador: Obama discutirá segurança e imigração

Por Antonio Ordóñez para Infosurhoy.com—17/02/2011

Presidente americano visitará país centro-americano em 22 e 23 de março.

TAMANHO DO TEXTO
O presidente americano, Barack Obama, deve ir a El Salvador para se reunir com o presidente Mauricio Funes em 22 e 23 de março, como parte de uma viagem que inclui passagens pelo Chile e Brasil. (Larry Downing/Reuters)

O presidente americano, Barack Obama, deve ir a El Salvador para se reunir com o presidente Mauricio Funes em 22 e 23 de março, como parte de uma viagem que inclui passagens pelo Chile e Brasil. (Larry Downing/Reuters)

SAN SALVADOR, El Salvador – Carlos Abarca, 17 anos, sabe bem a importância das relações de seu país com os Estados Unidos.

Nos últimos sete anos, ele conta com o dinheiro que recebe de seu pai, que trabalha como zelador em Los Angeles.

“[Boas relações com os EUA] são importantes porque lá nosso povo tem empregos”, disse Abarca.

O jovem usou o dinheiro das remessas para se matricular no curso de direito da Universidade Centro-americana José Simeón Cañas, em San Salvador.

Com mais de um milhão de compatriotas morando atualmente nos Estados Unidos, muitos salvadorenhos reconhecem o país como um parceiro muito importante.

O presidente americano, Barack Obama, deve viajar a El Salvador para se encontrar com o presidente Mauricio Funes em 22 e 23 de março, como parte de uma viagem que inclui passagens pelo Chile e Brasil.

Obama deve discutir assuntos que vão de imigração e mudanças climáticas a relações econômicas entre a América Central e Estados Unidos, segundo o governo salvadorenho. Os governos dos dois países estão se preparando para lançar uma proposta que cuidaria da pobreza e desigualdade, bem como uma iniciativa para manter menores longe da vida do crime.

“[Nosso governo] pretende desenvolver estratégias para... segurança regional,... crescimento e desenvolvimento econômico”, disse o ministro das Relações Exteriores de El Salvador, Hugo Martínez, em entrevista coletiva.

Funes disse que falará com Obama sobre a necessidade de encontrar uma solução para os 217 mil salvadorenhos que vivem nos Estados Unidos sob Status de Proteção Temporária (SPT).

O presidente salvadorenho, integrante do partido de esquerda Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), assumiu o poder em junho de 2009, pondo fim ao domínio de 30 anos da Aliança Republicana Nacionalista, uma coalizão de partidos de direita.

Funes conta com o apoio do setor privado em seu esforço de fortalecer os laços com os Estados Unidos, disse Carmen Aída Muñoz, diretora executiva da Câmara de Comércio Americana em El Salvador (AMCHAM).

“[Os EUA] são nossos maiores parceiros comerciais e lar de milhões de salvadorenhos, então entendemos que manter boas relações com esse país é de vital importância”, disse ela. “[A visita de Obama] tem um significado enorme, pois ele quer uma comunicação aberta, e essa é a base para se erguer uma relação lucrativa. O presidente Funes reconhece a importância de se manter boas relações com [os Estados Unidos]. Há um desejo inegável de estar próximo, comunicar e cooperar.”

Pressões para fortalecimento das instituições democráticas

Ever Pérez, um motorista de táxi da capital, disse ser importante que El Salvador tenha uma relação sólida com os Estados Unidos, pois muitos salvadorenhos contam com as remessas que recebem daquele país.

Pérez disse esperar que a visita de Obama resulte em um aumento da produção de El Salvador, levando à diminuição da dependência do país das exportações, o que traria uma melhora econômica.

“[Obama] e o presidente Mauricio Funes vão fazer acordos em muitas áreas, incluindo deportações”, disse Pérez, de 31 anos.

As remessas dos EUA compõem pelo menos 18% do produto interno bruto de El Salvador. No ano passado, os salvadorenhos receberam mais de US$ 3,5 bilhões (R$ 5,8 bilhões) em remessas enviadas daquele país.

“[A visita] reforça os laços de amizade e cooperação que tradicionalmente existem entre os dois países”, disse o analista político salvadorenho Luiz Membreño, destacando a importância da visita do presidente Barack Obama e a necessidade de El Salvador fortalecer suas instituições democráticas.

O problema da segurança

Obama e Funes também devem anunciar uma parceria em que os dois países trabalharão juntos para tornar a região mais segura, declarou em nota o ministro das Relações Exteriores de El Salvador.

A parceria, que será discutida durante a visita de Obama, se concentrará no fim da desigualdade e promoção da inclusão social como meio de melhorar a segurança na região, afirmou o ministro.

A Polícia Nacional Civil de El Salvador disse que o país centro-americano abriga 20.901 membros de gangues, que seriam os culpados pela escalada da violência no país.

Destes 20.901 membros de gangues, ou mareros, 8.648 encontram-se presos e 531 são menores. Os demais – 11.722 – estão à solta nas ruas, com muitos deles com ligações com as gangues Mara Salvatrucha and Mara 18.

“[El Salvador] precisa de boas ideias para melhorar sua segurança, pois meu país recebeu traficantes de drogas e lavadores de dinheiro, proporcionando condições ideais para as gangues juvenis”, disse Abarca.

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