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2011-05-31

Ciberterrorismo ameaça América Latina

Por Adrián Martínez para Infosurhoy.com—31/05/2011

Analistas afirmam que região precisa se conscientizar do problema.

TAMANHO DO TEXTO
O site do governo chileno foi atacado em 17 de maio por um grupo autodenominado “Anonymous” e ficou fora do ar por aproximadamente uma hora. (Adrián Martínez para o Infosurhoy.com)

O site do governo chileno foi atacado em 17 de maio por um grupo autodenominado “Anonymous” e ficou fora do ar por aproximadamente uma hora. (Adrián Martínez para o Infosurhoy.com)

SANTIAGO, Chile – Um grupo que se autodenomina “Anonymous” assumiu a responsabilidade pelo ataque ao site do governo chileno em 17 de maio.

O grupo divulgou em seu site que desencadeou o ataque cibernético como um protesto contra a aprovação da HidroAysén, um projeto de hidrelétrica na Patagônia, sul do país.

O ataque, que o “Anonymous” intitulou “Tormenta del Sur” (Tempestade do Sul), tirou do ar o site do governo, paralisando-o durante cerca de uma hora.

O grupo já havia efetuado um ataque semelhante, uma semana antes, contra a página do projeto na Internet e também contra o site oficial do Colbún, um consórcio de empresas ligadas ao projeto.

Os ataques do “Anonymous” são apenas alguns exemplos recentes de ciberterrorismo contra sistemas de computadores públicos e privados na América Latina. E serviram para levantar uma questão: os países latino-americanos tomaram providências suficientes para a proteção contra o ciberterrorismo?

“Ainda existe, na América Latina, certa incompreensão da segurança necessária para o tratamento da informação e de recursos de informática”, alerta Cristián Borghello, diretor da Segu-Info, consultoria argentina especializada em segurança da informação. “Tanto empresas privadas como órgãos governamentais têm muito trabalho pela frente para se adequar às normas internacionais (de segurança da informação).”

Borghello acredita que a região necessita de medidas para proteger informações confidenciais e pessoais armazenadas em computadores.

“Isso permite que criminosos de todos os cantos do mundo tirem vantagem das informações obtidas através do acesso não autorizado", acrescenta. “Esses infratores podem alterar essas informações e colocá-las em risco.”

Autoridades que participaram do 12º Congresso da ONU sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal no Brasil em abril de 2010 concluíram que grupos terroristas estão usando a Internet para promover suas idéias e praticar o ciberterrorismo.

Também é oficialmente reconhecido que, como não existe forma de criar um conjunto universal de leis para punir o ciberterrorismo, cada país deve desenvolver seus próprios instrumentos legais para combatê-lo, como o Conselho da Convenção Europeia sobre o Cibercrime.

No mesmo dia do ataque ao site do governo chileno, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, anunciou a criação, nos Estados Unidos, da Estratégia Internacional para o Ciberespaço. Hillary afirmou que a estratégia visa à promoção de “infraestrutura de informação e comunicação aberta à inovação, interoperável no mundo inteiro e segura e confiável”.

Para Victor Montero, diretor executivo de operações da Onapsis, empresa de segurança virtual de Buenos Aires, os países latino-americanos precisam prestar mais atenção à segurança na Internet.

“As pessoas ainda associam a palavra ciberterrorismo a filmes de ficção científica, e não existe uma compreensão verdadeira do que este termo significa,” observa Montero. “A palavra “terrorismo” é tão forte que muitas pessoas acreditam que “ciberterrorismo” significa explodir bombas com o mouse, algo que certamente é possível fazer, mas é mais comum em filmes de Hollywood do que na vida cotidiana”, acrescenta.

“A maioria das empresas que dependem de disponibilizar todas as suas informações em suas infraestruturas comerciais críticas está suscetível a esses ataques e não tem consciência disso. Alterações em dados de contabilidade e faturamento, roubo de informações sobre fórmulas e patentes, manipulação de dossiês e formulários, desvio de estoques e roubo de informações e segredos comerciais ... tudo isso também é ciberterrorismo.”

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