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2011-07-29

Uruguai: Programa para nocautear o abuso de narcóticos

Por María Eugenia Guzmán para Infosurhoy.com—29/07/2011

Boxe e disciplina mantêm jovens longe do abuso de drogas e do crime.

TAMANHO DO TEXTO
O programa Nocauteie as Drogas tem 3.000 jovens inscritos em 62 academias pelo país, incluindo 22 em Montevidéu. (Cortesia Nocauteie as Drogas)

O programa Nocauteie as Drogas tem 3.000 jovens inscritos em 62 academias pelo país, incluindo 22 em Montevidéu. (Cortesia Nocauteie as Drogas)

MONTEVIDÉU, Uruguai – Hugo Casada tem a receita perfeita para manter os jovens do país longe do abuso de drogas ou impedir que se metam em encrencas com a lei: luvas de boxe.

No Nocauteie as Drogas, jovens aprendem disciplina através do boxe, e a equipe do programa espera que deixá-los no ringue os manterá longe de uma vida de crimes.

“O grande problema que temos [com jovens no Uruguai] é o ócio e as drogas. Esse programa os permite praticar esportes e fazer outras atividades”, explicou Casada, ex-diretor do programa e atual conselheiro. “Esse é um programa dirigido, sobretudo, a jovens que não participam de esportes, que moram em assentamentos e não têm acesso a clubes esportivos.”

O Nocauteie as Drogas foi uma iniciativa do ex-presidente Tabaré Vázquez em 2005 e é operado pelo ministério do Turismo e dos Esportes e financiado pelo governo com apoio da iniciativa privada.

O programa se expandiu para 62 academias, incluindo 22 na capital, Montevidéu, e outras 40 pelo interior do país.

Mais nove escolas deverão ser abertas nos departamentos de Canelones, Flores, Tacuarembó e Treinta y Três no futuro próximo.

Casada contou que um dos primeiros obstáculos a serem superados pelo programa na sua fase inicial foi encontrar treinadores de boxe qualificados, o que levou o governo a contratar boxeadores veteranos que mantinham academias em suas residências.

“Conversamos com todos eles, e demos apoio”, lembrou Casada. “A propaganda era boca-a-boca. Outros treinadores vieram pedir apoio e foi assim que começamos a abrir franquias.”

Hoje, o programa tem uma equipe de psicólogos, preparadores físicos, médicos e treinadores de boxe monitorando mais de 3.000 crianças e adolescentes (36% são do sexo feminino) envolvidos no programa em todo o país.

O programa ensina às crianças como lutar boxe com segurança, fornecendo luvas, sacos de pancada e, claro, protetor de cabeça.

O Instituto Universitário Associação Cristã de Jovens oferece um curso para a formação de treinadores de boxe para trabalhar no Nocauteie as Drogas.

Os interessados em trabalhar com jovens no ringue podem fazer o curso de trenaimento no próprio programa.

“Já temos jovens que se formaram e agora são treinadores em algumas das academias”, ressaltou Casada, acrescentando que muitas das academias em Montevidéu estão localizadas nos bairros mais pobres da cidade. “Boxe é um esporte que os jovens gostam.”

Os principais objetivos do Nocauteie as Drogas são desenvolver um programa que combine a promoção do esporte em áreas de baixa renda, usando o esporte para manter os jovens longe das drogas, e lhes ensinar como gozar de estilos de vida saudáveis e disciplinados.

“Muitos dos participantes [do programa] usam [drogas]”, revelou Casada. “Mas, devido à disciplina e treinamento que o boxe exige, muitos desistem das drogas assim que ingressam no programa.”

Raquel Pereira, diretora da Academia Ipiranga, que faz parte do programa Nocauteie as Drogas desde 2005, no bairro de Cerro, zona oeste de Montevidéu, garantiu que a iniciativa é um sucesso.

“Falei aos [responsáveis pelo programa] que eu faria todo o possível para manter os jovens longe das ruas, e isso foi conseguido”, comemorou. “Os jovens seguem uma disciplina rígida: tomam banho e bebem leite, e, às vezes, até assam pão.”

Raquel destacou que o programa também ensina os boxeadores a respeitar uns aos outros.

“Quando [eles têm problemas entre si], por exemplo, quando um insulta o outro, nós os colocamos juntos e conversamos com eles para que aprendam que ser companheiros é muito importante”, explicou. “Nós lhes ensinamos a respeitar uns aos outros. Insultos não são permitidos nos ginásios.”

Raquel afirmou ainda que quando um jovem do programa é suspeito de consumir ou vender narcóticos, a equipe do Nocauteie as Drogas intervém.

“Quando o rendimento deles cai, perguntamos o que estão consumindo, [explicando] que não somos os pais, mas podemos ajudá-los”, ressaltou. “[Pedimos-lhes] que nos contem a verdade.”

Raquel acrescentou: “Temos um menino que não usa [drogas] há dois anos. Ele queria ser um boxeador, mas percebíamos que seu rendimento caía [quando consumia drogas]. Ele tinha todo o potencial e a técnica, mas não conseguia [por causa das drogas]."

Raquel destacou que o Nocauteie as Drogas tem uma política de tolerância zero para consumo de droga.

“Não permitimos que lutem boxe até que parem de usar”, afirmou Raquel. “Quando um jovem para de consumir, [ele ou ela] pode respirar melhor e tem energia suficiente para conseguir lutar.”

O Nocauteie as Drogas também organiza torneios que incluem boxeadores de suas academias.

“Estamos muito contentes com os resultados”, comemorou Casada. “Não há dúvida que o boxe é o esporte certo para esses pequenos jovens. Você os vê e eles estão felizes.”

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1 Comentário

  1. daniel vargas 07/31/2011

    Gostei do artigo, moro em uma cooperativa de residências em C. Carrasco e Veracierto, mais especificamente em Isidoro Larraya e Felipe Ferreiro e gostaria de trazer o knock out ao salão da comunidade, poderiam me informar como devo fazer. Desde já obrigado.

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