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2011-08-16

Guatemala: Comunidades e polícia no combate ao crime

Por Antonio Ordóñez para Infosurhoy.com—16/08/2011

Prevenir crime é uma das prioridades das Juntas Locais de Segurança, que tornaram comunidades mais seguras.

TAMANHO DO TEXTO
Moradores comemoram a inauguração do Bairro Seguro na zona 18 da Cidade da Guatemala. (Cortesia ministério do Interior)

Moradores comemoram a inauguração do Bairro Seguro na zona 18 da Cidade da Guatemala. (Cortesia ministério do Interior)

CIDADE DA GUATEMALA – “Não há polícia no vilarejo. Quando algo acontece, demora muito até que eles cheguem para atender qualquer tipo de emergência.”

Foi como Vitalino Juárez Pérez descreveu Chiquirines, um pequeno vilarejo no município de Ocós. A remota localidade, na parte oeste do departamento de San Marcos, a 370 km da capital do país, Cidade da Guatemala, fica a 16 km do posto policial mais próximo.

A polícia demora pelo menos uma hora para percorrer a estrada de terra até Chiquirines.

Então, como os moradores tornaram suas comunidades mais seguras? Implantando Juntas Locais de Segurança (JLS), organizações de bairro apoiadas pelo governo que trabalham com a Polícia Nacional Civil na prevenção de crimes.

“Os chorizos (criminosos) faziam o que bem entendiam”, desabafou Juárez, 55 anos. “Roubavam bicicletas e galinhas, mas a polícia não aparecia. Levamos o problema ao Chefe da Delegacia de Polícia 42 [responsável pelo departamento de San Marcos] e ele nos ajudou a formar nossa JLS há dois anos.”

A JLS estabelece um elo entre moradores e autoridades, explicou Lorena Guerra, vice-ministra do Interior da Guatemala.

“[Buscamos] identificar os problemas de segurança e encontrar soluções. A própria comunidade, em coordenação com a polícia, deve ser capaz de trabalhar para solucionar os problemas de segurança”, afirmou Lorena.

Pelo menos 243 JLS estão registradas no departamento de San Marcos, e 728 foram estabelecidas desde que o programa começou, em 1999.

Em Chiquirines, a JLS opera através de uma rede de comunicação que inclui moradores, donos de negócios, camponeses locais e a polícia.

“[Os moradores] sabem onde vivem as pessoas que infringiram a lei e nos informam”, declarou o policial Rony López, do Departamento de Comunicação da Polícia Nacional Civil. “[As JLS] são um elo com a comunidade para conduzir estratégias de prevenção. [Eles nos contam] qual é o problema e, dessa forma, podemos fazer palestras para jovens em escolas sobre os perigos das drogas e do crime.”

O programa tem sido fundamental na redução do número de jovens que se envolvem em gangues e crimes em Chiquirines.

No vilarejo de Cantel, em Quetzaltenango – a segunda maior cidade do país – as JLS também são um sucesso.

“O vilarejo faz divisa com a autoestrada Interamericana. Lojas estavam sempre sendo assaltadas e pedestres sendo roubados, até que decidimos nos organizar e ficar alerta", contou Felisa Rosalina Xec García, presidente da JLS de Cantel.

Em 2009, os moradores recrutaram voluntários e os dividiram em 7 equipes de vigilância. Cada uma foi encarregada de monitorar uma área específica todas as noites. Rosalina, que não quiz ter seu sobrenome divulgado, passa as noites tomando café com o resto da equipe, garantindo que os moradores estejam seguros.

Ela carrega um telefone celular caso tenha que se comunicar com a polícia.

“Um dos voluntários tem 92 anos de idade e ainda faz rondas”, contou. “Se vemos um bêbado dormindo nas ruas ou causando tumulto, lhe impomos um castigo exemplar”, garantiu Rosalina, acrescentando que a Junta já fechou dois bares ilegais onde cusha, um tipo de licor dos planaltos guatemaltecos, era vendido. “Nós os fazemos varrer as ruas ou pintar as escolas.”

Lorena esclareceu que é trabalho da polícia, e não das JLS, deter suspeitos e efetuar prisões.

“Tivemos problemas com moradores armados e mascarados que fechavam ruas, armavam barricadas e revistavam pedestres ou passageiros de ônibus para verificar se carregavam armas ou drogas”, admitiu Lorena. “Eles se autodenominam JLS, mas não são. Acreditamos que, em muitos desses casos, esses grupos eram manipulados pelo crime organizado para desviar a atenção das autoridades.”

Bairro seguro

Juntas Locais de Segurança não estão apenas no interior do país. Há versões similares na Cidade da Guatemala, onde são chamadas de Bairro Seguro.

Por exemplo, em El Limón, um dos bairros mais violentos da capital guatemalteca, o programa Bairro Seguro foi criado em outubro de 2010. A iniciativa – como as JLS – usa redes de comunicação entre moradores para tornar as ruas mais seguras.

O programa Bairro Seguro é patrocinado pelo município da Cidade da Guatemala e pelo ministério do Interior. Seus voluntários trabalham com o Gabinete da Prefeitura em projetos voltados à prevenção do crime.

Recentemente, uma das áreas mais pobres da capital do país recebeu 400 postes de iluminação e teve diversas ruas pavimentadas.

“O Bairro Seguro é um programa completo de intervenção no qual a comunidade é um elemento importante", destacou Lorena.

O programa foi implementado nos bairros da zona 18, na parte norte da Cidade da Guatemala, especificamente nos bairros de El Limón, Alameda, Maya e Ilusiones.

Os resultados têm sido notáveis.

Antes da introdução do programa em El Limón, o bairro com população de 7.000 habitantes era palco de, ao menos, 10 homicídios por trimestre. Mas, nos primeiros quatro meses do ano, apenas 4 homicídios foram registrados.

A taxa de crimes menores também diminuiu.

Doze “crimes gerais” foram registrados de janeiro a abril de 2011, uma “redução significativa” em comparação aos 34 registrados no segundo trimestre do ano passado, comemorou Lorena.

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