Você gostaria de fazer do português o idioma padrão deste site?
2011-11-17

Colômbia: Presidente Santos quer acabar com minas terrestres

Por Carlos Andrés Barahona para Infosurhoy.com—17/11/2011

Explosivos mataram 1.935 pessoas e feriram 7.597 nos últimos 21 anos, segundo governo.

TAMANHO DO TEXTO
Agentes colombianos fizeram uma varredura recentemente em um campo minado no departamento de Putumayo, destruindo quase 200 kg de explosivos. (Cortesia: Governo colombiano)

Agentes colombianos fizeram uma varredura recentemente em um campo minado no departamento de Putumayo, destruindo quase 200 kg de explosivos. (Cortesia: Governo colombiano)

BOGOTÁ, Colômbia – O ex-soldado Jairo Quiroga é uma das vítimas de minas terrestres no país andino – e, se depender do presidente Juan Manuel Santos, será o último.

O militar perdeu a perna direita ao pisar em um artefato explosivo durante um ataque das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) no departamento de Huila há cerca de um ano e meio.

As minas terrestres já mataram 1.935 pessoas e feriram outras 7.597 nos últimos 21 anos, segundo o Programa de Ação Integral contra Minas Antipessoais (PAICMA), da Presidência. Das 9.532 vítimas que morreram ou foram feridas, 5.678 eram policiais ou militares, enquanto as restantes 3.854 eram civis – dentre as quais, 10% eram crianças.

De janeiro a setembro deste ano, as minas terrestres mataram 19 civis e 46 soldados.

“Não queremos nem mais uma mina terrestre”, declarou recentemente o presidente colombiano Juan Manuel Santos. “Rejeitamos categoricamente o uso desse tipo de estratégia terrorista.”

De janeiro a julho, 3.428 minas terrestres foram desativadas na Colômbia, segundo o Ministério da Defesa.

Mas ainda há muitas minas enterradas pelo país – basta perguntar a Iván C. León, membro do esquadrão do Exército que participou da operação que resultou na morte do líder das FARC, Alfonso Cano, no início do mês. León fazia parte da equipe que retirava minas terrestres para que as tropas pudessem ir atrás do terrorista.

Infelizmente, sua equipe não conseguiu encontrar todas elas em 4 de novembro.

“[Um soldado] encontrou uma mina terrestre porque percebeu que o terreno havia sido remexido, mas nem o cão nem o detector nos alertaram da presença do dispositivo”, contou León à mídia local. “Acabamos em um campo minado sem saber. De repente, um dos soldados pisou em uma mina terrestre. Imediatamente fui procurar madeira para improvisar uma maca – e aí aconteceu comigo." Na explosão que se seguiu, León acabou perdendo o pé esquerdo.

Mas a carnificina e a tragédia não pararam por aí.

Os soldados Luis Gabriel Aranda, Luis Alfonso Toro, Roy Lugo e Norberto López, todos com menos de 30 anos de idade, foram feridos por minas terrestres seguindo os rastros de Cano.

“Os guerrilheiros agora fazem minas terrestres com plásticos, por isso nem os cães, nem os detectores de metal conseguem encontrá-las”, acrescenta León.

María Sanmiguel, analista política e de terrorismo da Universidad del Rosario, afirma que as FARC usam minas terrestres e ataques a bombas porque não têm mais efetivo suficiente para enfrentar as autoridades de outra maneira.

“O fato de as FARC estarem usando materiais melhores para aperfeiçoar as minas terrestres e enterrando mais e mais desses artefatos demonstra temor e covardia ante uma causa perdida”, ressalta. “Isso mostra que não têm mais o poderio humano para enfrentar as autoridades e disfarçam com esse tipo de estratégia covarde. Quanto mais vítimas houver, maior será a determinação do governo em combatê-los. Essa é a lógica que as FARC claramente ainda não consideraram.”

Policiais colombianos fizeram uma varredura recentemente em um campo minado no departamento de Putumayo e descobriram 461 minas terrestres em uma área de bosque de Puerto Valdivia, no departamento de Antioquia, o mais afetado por artefatos explosivos, segundo o governo.

Mas o governo está fazendo mais no combate às minas terrestres além de simplesmente desativá-las: oferece reabilitação e aconselhamento às vítimas desses explosivos através de uma série de iniciativas.

Toda terça-feira, Quiroga está entre os 20 soldados que chegam ao centro de reabilitação ATMA em Bogotá para as aulas de ioga que, segundo ele, ajudam na recuperação psicológica e física.

“Encaramos o presente com otimismo e entusiasmo”, afirma. “Não perdemos tempo pensando no que aconteceu com a gente. Para nós, servir o Exército é uma honra, mas agora estamos focados no fortalecimento de nossos espíritos após os acidentes.”

O soldado Mauricio Vega, 24 anos, perdeu as duas pernas e teve parte de seu rosto desfigurado depois de pisar em uma mina no departamento de Cauca.

Vega concorda com Quiroga que a ioga o ajuda a pensar positivamente.

“Na ATMA, nos ensinaram a focar no presente”, conta. “A ioga tem sido uma experiência única. Porém, não podemos nos esquecer de nossos companheiros que ainda estão em campo lutando e arriscando suas vidas todos os dias para conseguir a paz. Às vezes, um passo mal dado pode mudar sua vida, mas os passos que o Exército está dando para acabar com as FARC são firmes.”

Santos destaca que sua administração apoia as vítimas de minas terrestres.

“Estamos trabalhando em uma política pública que permita a reintegração de todos aqueles que foram vítimas do flagelo de pisar em uma mina terrestre”, declarou Santos. “Não haverá exceções: queremos mostrar que, apesar de as FARC estarem empenhadas em matar nossos policiais, nossos militares, nossas crianças e os homens e mulheres da Colômbia, não daremos as costas a ninguém. Lutaremos para incluir cada uma dessas vítimas, que são a fatalidade trágica de uma ideologia que está prestes a desaparecer.”

Você gostou desta reportagem?

0Rating_no

Incluir seu comentário

Pesquisa
Você considera o crime organizado uma ameaça à estabilidade em seu país?
Ver resultados