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2011-11-21

Colômbia: FARC lucram com drogas

Por Carlos Andrés Barahona para Infosurhoy.com—21/11/2011

Narcotráfico gera cerca de 78% da receita do grupo terrorista, segundo governo.

TAMANHO DO TEXTO
Para o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, a destruição de laboratórios clandestinos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) é uma prioridade. (Daniel Muñoz/Reuters)

Para o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, a destruição de laboratórios clandestinos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) é uma prioridade. (Daniel Muñoz/Reuters)

BOGOTÁ, Colômbia – A Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) têm conseguido diversificar seu fluxo de receita desde que começaram a lutar contra o estado nos anos 60.

A organização terrorista gera dinheiro para financiar a agenda criminosa através de resgates de sequestros, extorsões e “vacinações”, em que uma taxa de “proteção” é cobrada de empresas.

Mas as FARC exploram, há muito tempo, outros meios de ganhar mais dinheiro do que qualquer outra de suas atividades criminosas: o tráfico de drogas ilegais.

Vinculando-se à organizações do narcotráfico nacionais e internacionais, as FARC faturam anualmente cerca de US$ 1 bilhão (R$ 1,8 bilhão) – algo em torno de 78% de sua receita total – segundo um relatório governamental de 2007.

“As FARC não são apenas traficantes de drogas”, denunciou o general Óscar Naranjo, da Polícia Nacional, em entrevista coletiva. “Sua estrutura assumiu um modelo organizacional típico de uma subcultura mafiosa.”

O grupo guerrilheiro ocupou o espaço deixado pelos cartéis de Medellín e Cali, que assistem a uma queda considerável de seus números desde 1995.

As FARC começaram a assumir o controle de plantações de folhas de coca, o principal ingrediente usado na produção de cocaína, no início dos anos 80, segundo informação divulgada pelo grupo terrorista na Sétima e Oitava Conferências Guerrilheiras, que aconteceram em 1982 e 1993.

Plantações de folhas de coca nos departamentos de Meta, Vichada, Guaviare, Caquetá, Putumayo, Sierra Nevada, Catatumbo e Bolívar se tornaram territórios lucrativos para as FARC, que possuem cerca de 40 frentes na região, segundo o livro de 2001 La hora de los dinosaurios: Conflicto y depradación en Colombia (A Era dos Dinossauros: Conflito e Depredação na Colômbia), de Boris Salazar e María del Pilar Castillo.

O governo respondeu, lançando operações para destruir as plantações de folhas de coca das FARC e seus laboratórios clandestinos de fabricação de narcóticos nas profundezas da selva.

“A atual luta contra as FARC é conduzida em duas áreas”, explicou o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, depois que o líder das FARC, Alfonso Cano, morreu em uma operação militar no início do mês. “A primeira é desmantelar e atacar o núcleo das FARC e a [segunda], desarticular seus vínculos com o narcotráfico nacional e internacional.”

Em setembro último, autoridades do Panamá prenderam 19 colombianos e 61 panamenhos acusados de traficar 18 toneladas de narcóticos da Colômbia ao Panamá em um período de dois anos. O suposto líder da gangue, José Indalecio Marmolejo Parra, é acusado de trabalhar para a 35ª Frente das FARC, informaram autoridades. Parra é acusado ainda de ter trabalhado para o famoso narcotraficante e líder do cartel de Medellín, Pablo Escobar, que morreu em 1993.

Em setembro de 2010, autoridades colombianas desarticularam uma rede internacional que forneceria narcóticos a Edgar Valdez Villarreal, suspeito de ter ligações com a 30ª Frente das FARC. Villarreal, vulgo “Barbie”, foi preso próximo à Cidade do México em agosto de 2010. Ele é acusado de haver liderado uma operação que traficou mais de três toneladas mensais de cocaína da Colômbia à América Central e México a bordo de lanchas para o cartel Beltrán Leyva.

, afirma David Santander, sociólogo da Universidad del Rosario e especialista em conflitos internos da Universidad Autónoma do México. “Há mais exemplos, como os narcossubmarinos operados pelos bandos criminosos (BACRIM) ou traficantes independentes que estabelecem o pagamento de taxas de proteção às FARC para que os narcóticos possam sair da Colômbia protegidos pelo grupo terrorista.”

De janeiro a agosto, um total de 87 laboratórios de cocaína e 8 acampamentos operados por criminosos foram desmantelados.

O Exército Revolucionário Popular Antiterrorista da Colômbia (ERPAC), um braço operacional das FARC, teve mais de 114 hectares de suas plantações de folhas de coca destruídos nos últimos 20 anos, segundo o governo.

Pinzón ressalta que os mais recentes golpes contra as FARC enfraqueceram a estrutura do grupo terrorista, mas que seu modelo financeiro não foi afetado pela morte de Cano.

“Desde que Cano assumiu o poder faltou comando e controle na maioria das frentes, o que as levou a agir com mais independência”, explica o ministro da Defesa. “Entretanto, a cada dia, descobrimos mais conexões com essas gangues em termos de compra e venda de cocaína. Muitas das frentes das FARC se dedicam a financiar a organização e não possuem outro propósito a não ser levantar dinheiro comprando e vendendo cocaína.”

O general Sergio Mantilla Sanmiguel, comandante do Exército Nacional colombiano, concorda com Pinzón.

“A única forma sustentável de sobrevivência que resta [às FARC] é [o] narcotráfico”, destaca. “Sem as ligações com gangues criminosas, estão condenados à falência. Sabemos que a guerra contra as FARC não vai terminar com a morte de Cano, mas demos um passo vital e nossos esforços não são direcionados apenas a estratégias contra o núcleo das FARC, mas também em acabar com seus meios de subsistência.”

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ratificou que o governo continuará a atacar as FARC.

“A morte de Cano afetou profundamente as FARC, mas o trabalho deve continuar”, ressalta Santos. “Porque alguém vai substituir Cano ou tentará continuar seguindo os modelos econômico e bélico já estabelecidos.”

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