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2012-02-21

Mães brasileiras contra o crack

Por Cristine Pires para Infosurhoy.com — 21/02/2012

Mulheres que sofrem com o vício dos filhos e unem em movimentos pelo país.

TAMANHO DO TEXTO
Mães Contra o Crack em protesto silencioso: correntes simbolizam ato desesperado de mães que acorrentam os filhos para que eles não saiam de casa em busca da droga. (Cortesia do Gabinete de Miriam Marroni)

Mães Contra o Crack em protesto silencioso: correntes simbolizam ato desesperado de mães que acorrentam os filhos para que eles não saiam de casa em busca da droga. (Cortesia do Gabinete de Miriam Marroni)

PORTO ALEGRE, Brasil – O envolvimento do filho com o crack fez a dona de casa Vani Pereira Camacho, 64 anos, passar por momentos de desespero e solidão.

“Quando estamos numa situação desse tipo, somem parentes e amigos, ficamos sozinhos. Só a gente e Deus”, diz Vani.

Sem saber como agir, Vani resolveu procurar famílias que viviam o mesmo drama. Foi quando ela conheceu o movimento Mães Contra o Crack, de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

O auxílio foi valioso. Vani obteve a orientação necessária para buscar recursos para o tratamento do filho.

“Consegui resolver muitas coisas que não sabia”, diz a dona de casa, que mora em Pelotas. “Hoje meu filho está em recuperação e tem se saído muito bem.”

Mesmo com o filho em tratamento, Vani não se afastou do grupo. Ela agora faz questão de retribuir a ajuda que recebeu.

Além de orientar outras mães, Vani participa de palestras, em escolas, comunidades e igrejas, sobre os perigos do uso da pedra.

A prevenção é justamente uma das principais preocupações do Mães Contra o Crack, que já conta com 80 participantes.

O movimento foi criado em 2009 por Miriam Marroni, secretária geral do governo do Rio Grande do Sul. Naquele ano, Miriam era presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Segurança da Câmara de Vereadores de Pelotas e recebia em seu gabinete inúmeros pedidos de ajuda para internação.

Caminhada com correntes

As Mães Contra o Crack conseguiram chamar atenção para o movimento ao reinvidicar melhores condições de tratamento com protestos silenciosos, em que sempre aparecem acorrentadas. As correntes são uma alusão ao ato desesperado de mães que acorrentam seus filhos em casa para que eles não voltem às ruas em busca de crack.

O grupo entregou ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em maio de 2011, uma carta com uma lista de pedidos:

Mães mineiras unidas

Em Minas Gerais, outro movimento reúne mães de dependentes químicos, o Mães de Minas Contra o Crack.

Para dar suporte às famílias participantes, o grupo conta com psicólogas e assistentes sociais voluntárias. Há também artesãs e cabeleireiras, que ensinam trabalhos manuais e ajudam as integrantes a se sentirem mais bonitas.

“Queremos ajudar essas companheiras no direito de recomeçar”, resume Dalvineide Almeida Santos, 56 anos, dona de casa.

Há dez anos, Dalvineide entrou para um grupo de apoio a famílias de dependentes químicos.

“Eu precisava aprender a lidar com a situação”, lembra.

Lição tomada, ela resolveu compartilhar o conhecimento com outras mulheres e criou, em 2011, o Mães de Minas Contra o Crack.

O movimento começou com seis mães e hoje tem mais de 50 integrantes.

“Essas mulheres têm que se dar conta de que a codependência é muito grave, pois a família adoece junto com o dependente e também precisa de tratamento”, argumenta Dalvineide. “Só se pode ajudar alguém quando se está bem.”

Embora separados por quase 2.000 km, os grupos têm muito em comum: a luta contra o crack e a busca por tratamento adequado.

O grupo mineiro quer mais postos de saúde, atendimento ao dependente químico estendido à família, emissão de laudos químicos e de laudos médicos com maior agilidade.

“Muitas vezes, a emissão desses documentos demora e o dependente acaba desistindo do tratamento”, afirma Dalvineide.

No grupo, exemplos de superação ajudam a enfrentar os desafios.

Uma das mães, por exemplo, é dependente química. Ela perdeu um filho e um irmão - ambos foram assassinados por traficantes. Ela foi em busca de ajuda e não consome drogas há 4 anos, diz Dalvineide.

Viúva e mãe de sete filhos, Dalvineide também precisou de coragem para admitir que precisava de auxílio.

“Meu filho começou usando maconha. Hoje, está internado para superar o vício do crack. Ele chegou ao ponto de virar um cadáver ambulante, perdeu os dentes, ficou sem dignidade”, diz ela. “Agora está bem, em uma comunidade terapêutica.”

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5 comentários

  1. Flávio Henrique da Silva 03/02/2014

    Gostaríamos de deixar por escrito nossa produção intitulada Os filhos da mãe. Trata-se de um vídeo documentário feito na cidade interiorana do estado de Goiás; Inhumas. Tal projeto discorre sobre as diferentes visões de autoridades sobre o problema do crack. O cerne do vídeo são as entrevistas com as mães que perderam seus filhos assassinados em virtude do envolvimento com as drogas. Também é de suma importância as entrevistas com os dependentes que aparecem no citado vídeo. Nosso documentário carece de maior visibilidade e de atenção do poder público, pois segundo nossa ótica trata-se de um problema que atinge a sociedade em seus mais variados perfis é um problema que atinge as camadas sociais de forma unilateral afetando-a de forma heterogênea. O vídeo documentário carece de um aparato logístico especializado, pois não somos profissionais da área, em decorrência disso temos em seu formato, deficiências técnicas, mas que julgamos não atingir a sua pertinência ante os enfrentamentos sociais. Este Vídeo Documentário está cadastrado na Ancine, e é parte integrante do projeto Fontes e fatos, que também engloba sobre o tema, pesquisas, material didático a ser empregado nas áreas educacionais, além de vislumbrar desdobramentos posteriores com projetos voltados a temática social, abrangendo a comunidade periférica. Gostaríamos que dentro das possibilidades pudéssemos ter um espaço de divulgação midiático. (ficaríamos gratos se respondessem o email).http://www.youtube.com/watch?v=5C

  2. Virgínia 12/02/2012

    Bom dia, Dalveneide Gostaria de ser voluntária para ajudar a corrente. Grata Virgínia

  3. marcos lucas de castro radespiel 06/19/2012

    bom dia meu nome e marcos sou um dependente quimico cruzado em recuperação.sexta feira eu estava escutando uma radio em minha casa e ve um depoimento de uma mãe que faz parte desça corrente mãe de minas contra o craque eme chocou muito porque me fez lembrar o que eu fiz minha mãe passar hoje graças a Deus a colônia bom samaritano alcoolicos anonimos eum pouco da minha boa vontade já faz dois anos que estou limpo podendo ver o sorriso estampado no rosto daminha mãe edos meus familiares. hoje procuro fazer abordagens com alguns doentes quimicos para que outras mães não passe o que minha mãe passou.estou com vontade de participar do seminario que voçês vão estar em itabira.que Deus abençoe esta corente maravilhosa de todas as mães contra o craque. abraços

  4. DALVENEIDE ALMEIDA SANTOS 02/23/2012

    sou coordenadora do mães de minas contra o crack em belo horizonte,quero lhe dizer que na matéria saiu uma parte está errADA POIS A MÃE NÃO É UZUÁRIA E SIM EX USUÁRIA está limpa tem 4 anos. PERDEU O FILHO POR CAUSA DO LAUDO MEDÍCO E O IRMÃO MATADO. O FILHO TB ESTA É A MATÉRIA. Uma das mães, por exemplo, é dependente química. Um de seus filhos foi morto por um traficante e o outro, também usuário, se suicidou.Ela foi em busca de ajuda e não consome drogas há 4 anos.

  5. DALVENEIDE ALMEIDA SANTOS 02/23/2012

    que linda a matéria, queremos fazer contato com outros grupos. o nosso grupo pode tomar uma proporção tão grande que as mulheres não tem noção aqui já ganhamos o carro para visitação domiciliar, e levar para internação. temos que ir a luta uma andorinha só não faz verão.vamos a luta o nosso grupo já está em funciona,mento as quintas feiras as 14 horas .31-34614400 credeq o meu é 96554415

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