Você gostaria de fazer do português o idioma padrão deste site?
2012-03-20

México: Prisões superlotadas detonam crise

Por Juan Alberto Cedillo para Infosurhoy.com — 20/03/2012

Em 2011, o país registrou 40.053 detentos acima de sua capacidade total.

TAMANHO DO TEXTO
O diretor, seu assistente, o chefe de segurança e 26 carcereiros do Centro de Detenção do Município de Apodaca foram levados sob custódia pelo envolvimento num conflito, em 19 de fevereiro, que deixou 44 detentos mortos e precedeu a fuga de 29 prisioneiros que seriam integrantes do cartel Los Zetas. (Juan Alberto Cedillo para Infosurhoy.com)

O diretor, seu assistente, o chefe de segurança e 26 carcereiros do Centro de Detenção do Município de Apodaca foram levados sob custódia pelo envolvimento num conflito, em 19 de fevereiro, que deixou 44 detentos mortos e precedeu a fuga de 29 prisioneiros que seriam integrantes do cartel Los Zetas. (Juan Alberto Cedillo para Infosurhoy.com)

MONTERREY, México – A superlotação do sistema carcerário está contribuindo para a crescente onda de violência que toma conta do país e, em nenhum outro lugar, a situação é pior do que no estado de Nuevo León.

Foram 59 mortes nas três penitenciárias do estado somente este ano, depois das 60 que aconteceram em 2011, revela a irmã Consuelo Morales, diretora da ONG Cidadãos em Apoio aos Direitos Humanos (CADHAC), uma organização que trabalha com prisões no nordeste do México.

As 60 mortes do ano passado representam 35% dos 171 detentos que morreram enquanto cumpriam pena no país em 2011, segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) do México.

A maior razão para o banho de sangue atrás das grades é a superlotação, já que há detentos demais para poucas celas.

Em 2011, o México tinha 430 penitenciárias com capacidade para 184.193 detentos, mas eram 224.246 presidiários no país, ou seja, um excesso de 40.053 condenados. No ano anterior, 219.027 encarcerados foram espremidos em 429 prisões projetadas para 181.876 pessoas, segundo o Relatório de Estatística Nacional publicado pelo governo.

O governo espera aliviar a superlotação construindo oito prisões federais pelo país nos próximos dois anos.

Enquanto isso, a superlotação criou uma situação volátil. Extorsões, agressões, estupros, rebeliões e tentativas de fuga são comuns. Gangues criminosas e cartéis trouxeram suas disputas por território às prisões, onde lutam pelo controle do fluxo de drogas, armas e outros contrabandos, segundo a CADHAC.

“Até as lâminas de barbear que as famílias trazem para prisioneiros comuns são tomadas e vendidas pelas máfias que operam dentro das prisões”, denuncia Consuelo. “No entanto, líderes de cartéis, que controlam a máfia dentro das prisões, contam com TVs de plasma em suas celas, comidas trazidas dos melhores restaurantes, rádios, telefones e entretenimento a qualquer hora.”

Banho de sangue atrás das grades

Um dos dias mais sangrentos deste ano foi 19 de fevereiro. Por volta de uma hora da madrugada, 44 detentos, todos membros do cartel do Golfo, foram mortos em um confronto que precedeu a fuga – planejada com a cumplicidade de carcereiros da prisão – de 29 supostos integrantes do cartel Los Zetas do Centro de Detenção do Município de Apodaca, no estado de Nuevo León.

Jorge Domene, porta-voz estadual de Segurança, disse que a maioria das mortes foi causada por facadas ou golpes com armas contundentes.

“Houve cumplicidade de algumas das autoridades carcerárias, o que explica como e quando a fuga aconteceu”, afirmou o governador de Nuevo León, Rodrigo Medina, na manhã após o incidente.

Gerónimo Miguel Andrés Martínez, diretor da prisão de Apodaca, seu assistente Juan Hernández, o chefe de segurança Óscar Deveze Laureano e 26 carcereiros foram levados sob custódia pelo envolvimento na fuga e nos assassinatos.

O massacre e a fuga da prisão de Apodaca aconteceram cerca de cinco semanas depois que 31 presos morreram e 13 ficaram feridos durante uma briga em que os detentos usaram armas de fabricação caseira – conhecidas como “chuços” – no Centro de Detenção de Altamira, prisão de segurança média no estado de Tamaulipas. Naquele centro de detenção, a ocupação está 40% acima da capacidade de 2.600 detentos.

Consuelo não prevê melhorias tão cedo, principalmente considerando que condenados por crimes menores frequentemente são encarcerados nas mesmas celas de assassinos e estupradores. É comum líderes de gangue extorquirem detentos nas prisões, forçando seus familiares a pagar para que seus entes queridos não sejam mortos. Líderes de cartel também cobram por privilégios básicos, como dormir em um colchão, o que pode custar entre 200 e 500 pesos mexicanos (R$ 29 a R$ 71) por mês.

“Hoje em dia, tudo está à venda nas prisões, incluindo espaços para dormir”, denuncia. “É absurdo que uma pessoa condenada por um delito a 2 anos e 9 meses seja encarcerada em um centro de reclusão onde há réus de alta periculosidade porque o estado não prevê essas situações e não tem soluções alternativas para esses casos.”

Você gostou desta reportagem?

0Rating_no

Incluir seu comentário

Pesquisa
Você considera o crime organizado uma ameaça à estabilidade em seu país?
Ver resultados