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2012-03-22

Motoqueiros assaltantes: problema cresce na Argentina

Por Noelia Antonelli para Infosurhoy.com — 22/03/2012

Em 2009, a Procuradoria Geral de Buenos Aires registrou uma média de 21 casos por dia de 'motochorros'.

TAMANHO DO TEXTO
Foram registrados 7.834 assaltos cometidos por motoqueiros na capital argentina em 2009, segundo os últimos dados da Procuradoria Geral de Buenos. (Noelia Antonelli para Infosurhoy.com)

Foram registrados 7.834 assaltos cometidos por motoqueiros na capital argentina em 2009, segundo os últimos dados da Procuradoria Geral de Buenos. (Noelia Antonelli para Infosurhoy.com)

BUENOS AIRES, Argentina – O caso chocou a Argentina em julho de 2010.

Carolina Píparo, grávida de nove meses, perdeu o bebê depois que dois homens a assaltaram na saída de um banco e atiraram contra ela, atingindo sua barriga. Em seguida, eles fugiram de motocicleta.

Autoridades, por fim, prenderam os assaltantes, que integravam uma quadrilha composta por sete homens. Mas o tipo de roubo do qual Carolina foi vítima continua a acontecer a taxas alarmantes.

Foram registrados 7.834 roubos – uma média de 21 por dia – cometidos por criminosos em motos em Buenos Aires em 2009, segundo os últimos dados da Procuradoria Geral de Buenos Aires.

A frequência é tamanha que a mídia do país se refere ao crime apenas como “motochorro” (“motorroubo”).

Diego Simeone e Leonardo Rodríguez – dois jogadores de futebol aposentados – estão entre as vítimas mais famosas deste tipo de crime. Eles foram assaltados enquanto almoçavam na área externa de um restaurante em agosto último.

Vanesa Angeloz, uma secretária que trabalha no centro de Buenos Aires, também foi vítima do crime. Em janeiro último, ela chegou no cruzamento das avenidas 9 de Julho e Corrientes – em frente ao emblemático obelisco da cidade – e sentiu alguém chegar por trás e golpeá-la na cintura.

“Não sei se foi um [pedaço de] pau ou uma barra de ferro, mas perdi o equilíbrio e os ladrões se aproveitaram, puxando minha bolsa”, diz. “Caí no chão, foi horrível. Pude olhar para cima e vi claramente dois jovens de, no máximo, 25 anos, que fugiram de moto. O que me deixa mais furiosa é a impunidade desses crimes. Eram 20h30, em pleno verão, em uma das esquinas mais movimentadas de Buenos Aires e tinha muita gente assistindo.”

O colombiano Jacinto Monteverde, que mora na Argentina há cinco anos, afirma que já presenciou muitos roubos cometidos por motoqueiros durante o trabalho num estacionamento.

“Eu voltava para casa de carro quando vi duas motos perto de mim. Uma delas cortou o trânsito pela frente, enquanto a outra – com dois jovens – parou na via perto da calçada”, conta ele. “Um deles desceu e arrancou uma bolsa e uma sacola de duas turistas que iam atravessar a rua. Ele subiu na moto e os dois fugiram como se nada tivesse acontecido. Tentei persegui-los de carro, mas o outro jovem de moto ameaçou atirar em mim.”

Por conta desses tipos de assalto, os líderes do partido governista da cidade de Buenos Aires, o Proposta Republicana (PRO), recentemente elaboraram um projeto de lei que visa acabar com esse tipo de crime.

A iniciativa, porém, não ganhou força.

“Fui ameaçado nas ruas e com telefonemas anônimos”, denuncia Martín Ocampo, o deputado autor da lei. “Acho que eram motoqueiros ladrões. Um deles até disse que me atropelaria se a lei fosse aprovada.”

Por fim, Ocampo decidiu retirar o projeto mas agora afirma que seu partido insistirá nas próximas semanas para que haja “uma lei que regule a atividade [dos motociclistas] para permitir que os cidadãos não tenham medo quando uma motocicleta se aproximar”.

O projeto de lei tornaria ilegal mais de uma pessoa por moto no centro de Buenos Aires entre 10h e 16h, e todos os pilotos teriam que usar coletes e capacetes que identifiquem seus empregadores. Os postos de combustível também ficariam impedidos de abastecer motos sem permissão ou cujos ocupantes não portassem os coletes e capacetes de identificação.

“Somos criticados porque dizem que essas são medidas perfiláticas”, afirma Ocampo. “De nenhuma maneira pretendemos discriminar os motociclistas. A verdade é que o projeto de lei intenciona aumentar a visibilidade, porque é difícil identificar uma motocicleta. Entre outras coisas, [vestir] o colete aumenta a probabilidade de identificação [do piloto].”

Se o projeto de Ocampo virar lei, Buenos Aires seguirá outras cidades latino-americanas que promulgaram medidas semelhantes, como Medellín, na Colômbia, e a Cidade do México.

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