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2012-06-19

O lado B da Rio+20

Por Danielle Melo para Infosurhoy.com – 19/06/2012

Cúpula do Povos atrai gente de diversos lugares do Brasil e do mundo, dipostos a debater o futuro do meio ambiente ou simplesmente passear pelo Rio de Janeiro.

TAMANHO DO TEXTO

RIO DE JANEIRO, Brasil – A mexicana Altagracia Villarreal, de 71 anos, deixou sua pequena casa na Cidade do México para se juntar à multidão que transitava no último domingo no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

É ali, de frente para a Baía de Guanabara, um dos mais famosos cartões postais cariocas, que acontece até o próximo domingo a Cúpula dos Povos. Paralelo à Rio+20, o evento tem o objetivo de dar voz aos que ficam de fora das negociações oficiais.

Altagracia já perdeu as contas de quantas vezes veio ao Rio, sempre para debater questões ligadas à economia solidária.

Desta vez não foi diferente. Missionária franciscana, ela veio para cá para participar de um encontro sobre o tema às véperas da cúpula e acabou ficando para levar sua mensagem a quem quisesse aprender um pouco mais sobre coletividade.

“Não estamos de acordo com a economia verde que os governos querem”, diz Altagracia. “A economia solidária é uma nova forma de produzir, transformar, distribuir e consumir.”

O que ela quer é multipicar o trabalho que faz junto às comunidades indígenas mexicanas por meio da Rural Coalision, uma organização que conta com apoio do governo norte-americano e onde Altagracia trabalha desde 1995.

Vestida com trajes tradicionais de seu país, essa simpática senhora era apenas uma nuance do colorido vai e vem de gente no Aterro do Flamengo.

Pessoas de diferentes nacionalidades e credos se misturavam sem preconceito. Havia índios vendendo colares, jovens dipostos a ditribuir abraços a quem passasse no que chamaram de “blitz do amor” e ambientalistas ensinando a poupar energia.

Escambo de sementes

As estudantes Tatiana Furquim, 23, e Alice Novato, 22, estavam entre os que queriam chamar atenção para a relação do homem com a Terra.

As duas vieram de ônibus de Curitiba (PR) para se encontrar com outros integrantes da Rede Nacional de Grupos de Agricologia e promover um grande escambo de sementes entre os membros que vieram de outras regiões do país.

Essa rede busca entender a agricultura não apenas do ponto de vista econômico ou ambiental, mas também social, cultural, político e ético.

Em outras palavras, tem o objetivo de viabilizar a agricultura familiar, eliminar o uso do agrotóxico e cortar a dependência dos produtores em relação às multinacionais.

“Daqui da Cúpula dos Povos não sairão diretrizes ou documentos contundentes para promover a agroecologia. Mas é com pequenas iniciativas como a nossa que se consegue impactar a sociedade, mesmo que num escopo pequeno”, diz Alice, com a certeza que só a juventude tem.

Tatiana e Alice estão em alojamentos universitários. Assim como Marcela Nunes e seus amigos, que viajaram 1.150 quilômetros entre Brasília e o Rio para apresentarem sua visão sobre a monocultura e a especulação imobiliária no Cerrado.

Aos 19 anos e sem emprego para pagar suas contas, Marcela e seus colegas da Universidade de Brasília arrumaram uma forma criativa para custear a viagem.

Montaram uma barraquinha de picolés de frutas típicas da Amazônia e do Cerrado no Aterro e vendiam a unidade a R$ 4.

“Nós encomendamos esses picolés e os trouxemos de Brasília. Foi uma forma não só de cobrir as despesas como também de chamar a atenção para a nova fronteira agrícola do país e suas consequências nocivas para o meio ambiente”, disse Marcela.

Estudantes são maioria

Os estudantes são a maioria entre os participantes da cúpula. A francesa Valentine Mercier, 21, se destacava entre eles por estar enrolada em uma canga estampada com a bandeira do Brasil.

Ela aterrisou em terras brasileiras há 11 meses, para fazer um intercâmbio em história em Caxias do Sul (RS).

Na manhã do último domingo, ela ouvia atenta as apresentações de ONGs que atuam em antigas colônias francesas na África sobre como repensar as cidades.

Não são apenas os ideais que movem os cidadãos que transitam pelos estandes da Cúpula dos Povos. O evento se tornou atração turística.

Com barraquinhas de artesanato politicamente correto, quiosques com guloseimas nativas da Amazônia e exposições sobre como tornar o planeta sustentável, o Aterro do Flamengo se converteu em um programa de fim de semana.

O empresário mineiro Magno Souza, 64, aproveitou a agenda paralela da Rio+20 para vir ao Rio passear com a família.

Ele veio de Belo Horizonte com a mulher, Nisete, 69, a filha, Ana Beatriz, 32, e o neto, Alexandre, 2.

Na capital mineira, ele usa bolsas de pano para fazer compras de mercado e faz coleta seletiva de lixo, mas confessa que meio ambiente não é sua bandeira.

“Vim mesmo é para passear. O evento está ótimo”, diz ele, que já havia estado no Rio na Eco-92, com o mesmo intuito.

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1 Comentário

  1. Tatiana Weckeverth 06/27/2012

    Olá sou Tatiana Furquim, que deu a entrevista como representante da Rede de Grupos de Agroecologia(REGA). Gostaria que se fizessem correções e complementos: ao invés de Agricologia, colocar Agroecologia...na matéria em espanhol colocar Red Nacional de Grupos de Agroecología e na versão em inglês National Network of Groups of Agroecology. Quanto ao espaço de trocas de sementes, ele estava aberto, não somente aos integrantes da Rede de Grupos de Agroecologia, mas para qualquer um que se interessasse. Por sinal, a foto da matéria não está abrindo...não consegui ver! Desde já agradeço, saudações.

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