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2012-10-19

México: Policiais surdos combatem crime em Oaxaca

Por Sergio Ramos para Infosurhoy.com – 19/10/2012

Conhecidos como ‘Anjos do Silêncio’, oficiais contribuem para manter a cidade segura com sua visão apurada e habilidade de ler lábios.

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As 230 câmeras de vigilância do centro histórico de Oaxaca e arredores fornecem imagens ao Centro de Controle de Comando e Comunicação (C4) da polícia. Uma equipe de 20 policiais surdos monitora as câmeras, atenta a qualquer atividade suspeita. (Cortesia da Secretaria de Segurança Pública de Oaxaca)

As 230 câmeras de vigilância do centro histórico de Oaxaca e arredores fornecem imagens ao Centro de Controle de Comando e Comunicação (C4) da polícia. Uma equipe de 20 policiais surdos monitora as câmeras, atenta a qualquer atividade suspeita. (Cortesia da Secretaria de Segurança Pública de Oaxaca)

OAXACA, México – As 230 câmeras de segurança que vigiam as ruas do centro histórico de Oaxaca – cidade no sudeste do país que foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1987 – são monitoradas por policiais surdos que ficam de olhos atentos.

O Centro de Controle de Comando e Comunicação (C4) da polícia de Oaxaca foi reaberto em maio depois de problemas de manutenção crônicos que o mantiveram fechados por seis anos. Mas, como as câmeras de vigilância não tinham microfones, as autoridades não conseguiam determinar o que era dito pelos supostos criminosos.

As autoridades, então, procuraram a Associação Estadual de Surdos-Mudos em busca de pessoal com visão aguçada e habilidade de ler lábios, diz Ignacio Villalobos Carranza, subsecretário de Informação e Desenvolvimento Institucional da Secretaria de Segurança Pública de Oaxaca.

A medida permitiu que os policiais surdos do C4 contribuíssem para a prevenção de crimes e ajudassem oficiais nas ruas a prender suspeitos, tornando a área do centro – uma importante atração turística – mais segura.

“A primeira vantagem que [os policiais surdos-mudos] nos proporcionam é que podem ler lábios”, diz Carranza. “A segunda é que desenvolveram um sentido de visão mais apurado – e veem melhor que a maioria das pessoas.”

Antes de se juntar à equipe de policiais surdos, Alicia, que não revela o sobrenome por razões de segurança, trabalhou como auxiliar de uma assistente executiva em uma empresa de contabilidade. Mas, quando soube que a Associação Estadual de Surdos-Mudos estava contratando, ela agarrou a oportunidade.

“Os surdos não são distraídos por ruídos externos e nossa atenção fica concentrada nas câmeras de vigilância”, afirma Alicia, 28 anos, através de um intérprete. “Vi pessoalmente indivíduos se drogando nas ruas e pessoas agindo de forma agressiva com outros.”

Carranza destaca que os oficiais surdos têm intuição para perceber se uma pessoa está nervosa ou agindo de forma suspeita, o que tem ajudado policiais a deter suspeitos de posse de armas ou drogas ou que estejam planejando assaltos.

Em 12 de julho, Alicia identificou dois indivíduos suspeitos que permaneceram vários minutos em uma esquina, olhando ao redor, até que um veículo se aproximou, por volta da meia noite. Um dos homens se aproximou da janela do motorista. A escuridão impediu que as câmeras capturassem exatamente o que o motorista entregou a ele, mas Alicia viu que era um maço de envelopes.

Alicia relatou o que havia visto ao intérprete do turno, que passou a informação aos policiais na rua. Os dois suspeitos foram presos depois que drogas foram encontradas nos envelopes.

Um estado pioneiro

Oaxaca é o primeiro estado mexicano a implantar esse tipo de iniciativa, de acordo com Carranza.

Mas, antes que a medida pudesse ser colocada em prática, os oficiais surdos foram testados para medir seus níveis de confiabilidade, uma exigência de todos os departamentos de polícia do país para contratar servidores públicos, de acordo com a Lei Geral do Sistema Federal de Segurança Pública.

No primeiro estágio do projeto, 20 surdos com idades entre 24 e 28 anos foram contratados. Os empregados receberam treinamento de vigilância e aprenderam a operar as câmeras e computadores do C4, que estão conectados ao Centro de Videovigilância da capital do estado.

Além disso, cada grupo conta com quatro intérpretes que servem de ligação com os departamentos de polícia do estado.

Oaxaca não foi atingida pela onda de violência alimentada pelo narcotráfico que afeta outras áreas do México, especialmente a região norte.

Entre 2006 e 2011, a taxa de homicídios de Oaxaca teve um pequeno aumento, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI) do México.

Em 2011, houve 582 homicídios, número bem menor do que os de estados como Chihuahua (4.502), Guerrero (2.425) e Nuevo León (2.177). Em 2006, Oaxaca registrou 550 assassinatos, número ainda inferior comparado a Chihuahua (648) e Guerrero (768). Em Nuevo León, foram 179.

A Pesquisa Nacional de Vitimização e Percepção sobre Segurança (ENVIPE) 2011, porém, informou que 445.740 dos quase 4 milhões de moradores de Oaxaca foram vítimas de crimes como roubo, danos à propriedade e extorsão – um aumento de 13,5% comparado ao número registrado em 2010.

Segunda fase

A segunda fase do projeto será marcada pela inauguração, em novembro, de outros centros de videovigilância nas áreas litorâneas do estado, como Puerto Escondido, Huatulco e a região de Papaloapan. Os policiais surdos que trabalham no C4 treinarão seus colegas de outras jurisdições.

Mais 200 câmeras serão instaladas na área litorânea a um custo de 56 milhões de pesos mexicanos (R$ 8,736 milhões). A verba cobre o custo de câmeras, software, capacitação e preparação dos centros de videovigilância, informa Carranza.

“Nos interessa vigiar principalmente zonas de risco e atrações turísticas”, explica.

A sociedade civil está particularmente satisfeita com a iniciativa.

“Não apenas proporciona trabalho aos surdos que batalham muito para chegar a esse ponto, mas também nos faz sentir seguros”, ressalta Lorena Rojas, moradora do centro de Oaxaca.

A população chama os policiais surdos de “Anjos do Silêncio”, diz Carranza.

“Nos demos conta de que são extremamente comprometidos com o trabalho”, acrescenta. “Às vezes, ao terminar o turno, eles vão às ruas para ver se há zonas mortas – pontos que as câmeras não alcançam. E tomam a iniciativa de fazer ajustes.”

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1 Comentário

  1. RAINER BERND MARCUS GIETZEL 02/26/2013

    CADEFIPA : CHÁCRINHA DE APOIO AO DEFICIENTE AUDITIVO SIM EU SOU VOLUNTÁRIO SEMPRE TWE AJUDO ÀS PESSOAS SÃ SURDOS E MUDOS SÓ SE TIVER QUALQUER PROBLEMAS SOBRE SEM CULPAM COM OS POLICIAIS SE TIVER QUANDO A POLICIA BATE AO DEFICIENTE EM GERAL ISSO É PROIBIDO POR ACASO OK ?

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