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2010-05-26

Acidentes de moto aumentam no Paraguai

Por Hugo Barrios para Infosurhoy.com — 26/05/2010

Colisões envolvendo motocicletas provocam uma morte por dia em 2010

TAMANHO DO TEXTO
“Mais de metade dos acidentes fatais envolvem motos hoje em dia”, diz Enrique Bellasai, diretor do Centro de Emergências Médicas de Assunção. (Marta Escurra for Infosurhoy.com)

“Mais de metade dos acidentes fatais envolvem motos hoje em dia”, diz Enrique Bellasai, diretor do Centro de Emergências Médicas de Assunção. (Marta Escurra for Infosurhoy.com)

ASSUNÇÃO, Paraguai – Juan Ramírez tem sorte de estar vivo.

“Fraturei a perna ao cair da moto quando um carro me atropelou. Fiquei engessado por seis meses, e as minhas despesas médicas chegaram a 48 milhões de guaranis (US$ 10 mil)”, conta o estudante universitário de 25 anos. “Foi sorte eu estar de capacete. Se não estivesse, não estaria aqui para contar a história.”

E Ramirez não é o único. De fato, é apenas um entre muitos que arriscam a vida ao montar em uma moto em um país onde acidentes com esse tipo de veículo estão causando uma morte por dia, de acordo com o Ministério de Saúde Pública e do Bem-Estar Social.

Nos cinco primeiros meses de 2010, acidentes envolvendo motos causaram 155 mortes. No ano passado, 512 óbitos foram registrados – 95 a mais do que em 2008, segundo dados do ministério.

“Mais de metade dos acidentes fatais envolvem motos hoje em dia”, diz Enrique Bellasai, diretor do Centro de Emergências Médicas de Assunção, o único hospital especializado em traumatismos do país.

Bellasai também adverte sobre possíveis consequências a longo prazo para as vítimas.

“Os acidentes de moto estão criando uma geração de deficientes físicos em nossa sociedade”, observa.

Dos 13.925 pacientes do Centro de Emergências Médicas no ano passado, 9.747 (70%) se feriram em acidentes de moto, disse Bellasai.

“Estamos sobrecarregados e precisamos de mais leitos de terapia intensiva”, afirmou Bellasai.

O policial Christian Cristaldo, responsável pela segurança do Centro de Emergências Médicas e encarregado do registro de dados de acidentes do centro, afirmou que, em média, 20 motociclistas dão entrada no hospital a cada dia, de segunda a sexta-feira. Nos fins de semana, as vítimas chegam a cada 30 minutos.

“O movimento é maior nos finais de semana”, comenta Cristaldo. “O número de vítimas de acidentes de moto triplica.”

Para a diretora do Programa Nacional de Controle de Acidentes do Ministério da Saúde Pública e do Bem-Estar Social, Mercedes Maldonado, a prevalência de acidentes de moto é tão alta devido ao fato de fabricantes nacionais venderem veículos mais baratos que seus concorrentes estrangeiros, elevando o número de motos nas ruas.

Uma moto nova fabricada no Parguai custa cerca de 5 milhões de guaranis (US$ 1 mil) e uma usada sai pela metade desse preço. Mas uma moto importada chega a 10 milhões de guaranis (US$ 2 mil), a preços de mercado.

“A principal causa do aumento de motocicletas nas ruas é a facilidade de obtê-las hoje", observa Mercedes.

Além disso, diz Mercedes, os motociclistas não sabem dirigir seus veículos e não conhecem as leis de trânsito.

“Há muito pouco controle para assegurar que os motociclistas atendam a requisitos mínimos”, afirma. “Eles tiram a carteira sem ter sequer ideia das leis de trânsito.”

Em 2009, 160 mil motocicletas produzidas no Paraguai foram vendidas no país, o gerente de marketing da fabricante Chacomer, Víctor Hugo Vega, afirmou ao ABC Digital. Mas, de acordo com o jornal, só 2 mil motociclistas frequentaram aulas na Escola de Direção Segura de Assunção.

Os municípios paraguaios, que respondem pelos exames de direção de motociclistas, não submetem os candidados a testes rigorosos no processo de concessão da carteira. “A consequência é que muitos não sabem dirigir [motocicletas]”, diz Mercedes.

Falta de cuidado e dirigir sob influência do álcool foram as principais causas dos acidentes com motos, observa Mercedes.

“Nossas estatísticas indicam que 65% dos acidentes com motos envolveram motociclistas sob efeito do álcool e, se acrescentarmos a isso que eles não usam capacete, teremos uma ideia da gravidade da situação”, afirmou. “Os acidentes de moto são uma verdadeira epidemia no país atualmente.”

Para Bellasai, educar os cidadãos sobre leis de trânsito é essencial para reduzir o número de acidentes.

“Uma grande parte da sociedade é carente de educação e ver cinco pessoas numa motocicleta é um reflexo disso”, observa. “Isso aumenta consideravelmente o risco de sofrer um acidente sério.”

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5 comentários

  1. gabi 10/13/2013

    Eu gostei desta reportagem porque mostra como as motocicletas são perigosas.

  2. marcelo Ferreira 07/26/2012

    É difícil trazer esse hábito para casa, usar capacete, por exemplo, então uma saída é que as empresas obriguem os funcionários a utilizar o capacete e ter sua documentação em dia, o mesmo para as instituições educacionais e públicas.

  3. Marta Bielma 01/26/2012

    A meu ver, esse é um problema que nunca acaba porque estamos no Paraguai!!! e aqui ninguém se importa com a vida alheia, enquanto os comerciantes ganham dinheiro eles vendem e as pessoas morrem nas ruas!!! Então, senhor e senhora, se comprarem uma moto, comprem também um caixão, um conselho de uma amiga.

  4. Ruben D. Ferreira S. 01/06/2012

    É verdade, a "luta" contra motociclistas IMPRUDENTES deve continuar... mas não coloquem todos no mesmo saco, três meses atrás um motorista de carro cruzou a Av. PERU sem olhar, o que me fez me jogar com minha moto para não para bater em seu carro..., logo em seguida, ele ou ela que estava dirigindo, cujo carro nem sequer tinha placa, manobrou e me deixou jogado sob minha moto, até meu notebook foi amassado... imprudência? irresponsabilidade? como se chama isso?... vamos falar também de motoristas de carros que não respeitam o ser humano que está em uma motocicleta.

  5. ulises fernando 08/08/2011

    Adoro a luta contra os motociclistas imprudentes, força sigam sempre assim

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