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2011-12-01

América Latina e Caribe avançam no combate à AIDS

Por César Morales Colón para Infosurhoy.com—01/12/2011

Relatório destaca queda na infecção e mortalidade pelo HIV enquanto distribuição de medicamentos melhora e países dão ênfase à prevenção.

TAMANHO DO TEXTO
O Brasil distribui 500 milhões de preservativos por ano, sendo que 100 milhões são produzidos em uma fábrica do próprio governo, no Acre. A fábrica utiliza látex extraído de madeira de reflorestamento da Reserva Extrativista Chico Mendes. (Cortesia do Programa Nacional de DST)

O Brasil distribui 500 milhões de preservativos por ano, sendo que 100 milhões são produzidos em uma fábrica do próprio governo, no Acre. A fábrica utiliza látex extraído de madeira de reflorestamento da Reserva Extrativista Chico Mendes. (Cortesia do Programa Nacional de DST)

WASHINGTON, D.C., EUA – As taxas de infecção pelo vírus HIV se estabilizaram nas Américas Central e do Sul e uma redução considerável foi observada no Caribe, segundo o relatório do Dia Mundial da AIDS 2011 do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS).

A queda é atribuída principalmente às melhorias na distribuição de drogas antirretrovirais e a uma melhor disseminação das informações sobre prevenção, segundo o UNAIDS.

Na América Latina, “uma diminuição contínua de novos casos de infecção pelo HIV desde 1996 levou à estabilização a partir de 2000, permanecendo assim desde então, com um número [estimado de] 100.000 novos casos por ano", diz o relatório divulgado em 21 de novembro.

Ainda segundo o relatório, calcula-se que 1,5 milhão de pessoas na América Latina viviam com o HIV em 2010, comparado a 1,3 milhão em 2001.

No Caribe, uma região com a segunda maior predominância de HIV, apenas à frente da África Subsaariana, a pandemia desacelerou significativamente na década passada.

“A incidência do HIV diminuiu aproximadamente 25% na República Dominicana e Jamaica desde 2001, enquanto no Haiti a redução foi de cerca de 12%”, afirma o relatório.

Um melhor acesso à terapia antirretroviral, também conhecida como Terapia Antirretroviral de Alta Atividade (TARAA) – uma combinação de medicamentos que inibe o ciclo de vida do vírus, reduzindo significativamente sua capacidade de se reproduzir – é a principal arma que a região está usando para ajudar os soropositivos.

Foram 67.000 mortes relacionadas à AIDS nas Américas Central e do Sul em 2010, comparado a 83.000 em 2001, também segundo o relatório. No Caribe, a mortalidade causada pela AIDS diminuiu significativamente, de 18.000 em 2001 para 9.000 em 2010.

“Vimos uma escalada enorme no acesso ao tratamento contra o HIV, o que impactou drasticamente a vida das pessoas em todos os lugares”, comemora Michel Sidibé, diretor-executivo do UNAIDS.

Na América Latina, governos e ONGs estão se concentrando na prevenção e no tratamento de pacientes soropositivos.

Honduras: Um prato na mesa

Os soropositivos do país de 8 milhões de habitantes frequentemente acabam sem-teto, perdem seus empregos e se tornam vítimas de discriminação.

“É duro ser HIV positivo. Quando a família descobriu, separou o prato em que eu comia”, conta o soropositivo Sergio, de 49 anos, que mora em Tegucigalpa e não revelou seu sobrenome por causa do estigma associado ao vírus.

Quando ele chegou à Associação por uma Vida Melhor para Pessoas Infectadas pelo HIV/AIDS em Honduras (APUVIMEH), recebeu alimentação gratuita, teto e cuidados.

“Aqui, me dão comida”, diz Sergio, que foi diagnosticado HIV positivo em 2002. “Eles me dão medicamentos e ninguém me discrimina. Agora, me sinto melhor.”

Mas a história de Sergio é mais exceção do que regra, pois apenas 8.018 dos 29.755 soropositivos hondurenhos recebem tratamento, revela o médico Héctor Galindo Castellanos, chefe do departamento de DST e HIV/AIDS da Secretaria de Saúde de Honduras.

“Precisamos fazer mais para educar as pessoas sobre a doença e seu tratamento”, alerta Castellanos.

Guatemala: Zero estigma

Na Guatemala, o Programa Nacional de DST e HIV do país lançou a campanha “Zero Estigma”, que busca erradicar os estigmas sociais associados à HIV/AIDS e encorajar as pessoas a fazerem testes para o vírus.

“O principal obstáculo para a detecção eficaz da doença é o estigma social”, afirma Claudia Samayoa, diretora do programa.

Há 22.647 pessoas infectadas pelo vírus HIV na Guatemala, segundo o Centro Nacional de Epidemiologia do Ministério da Saúde Pública e Assistência Social.

“As Nações Unidas calculam que pode haver 60.000 infectados no país sem saber”, alerta Claudia. “Nossa meta é preencher a lacuna entre os casos detectados e essas estimativas através de campanhas de detecção precoces.”

O governo fornecerá 60.000 kits de testes rápidos para a campanha “Estigma Zero” no próximo ano, informa.

As autoridades planejam também fornecer aos indígenas da Guatemala, um grupo demográfico em que a taxa de infecção pelo HIV está aumentando, materiais impressos nos diversos dialetos locais, como nam, quiché e xinca, acrescenta Claudia.

México: Ênfase nas gestantes

O Centro Nacional de Prevenção e Controle do HIV/AIDS (CENSIDA) do país iniciou uma campanha com cartazes em outubro último para aumentar a conscientização entre gestantes sobre a importância de se fazer o teste de HIV.

“Se você está grávida, faça o teste de HIV”, dizem os cartazes, afixados nos vagões e estações de metrô da Cidade do México.

“Se [alguém que está grávida] recebe um diagnóstico positivo, receberá tratamento que reduz consideravelmente as chances de a doença ser transmitida à criança”, explica Carlos García León, diretor de prevenção e envolvimento social do CENSIDA.

Se o tratamento antirretroviral começar antes do quarto mês de gestação, o risco de infecção para o bebê é reduzido para 2%, segundo a médica Ana Ramos, do Instituto Mexicano de Seguridade Social (IMSS).

Brasil é modelo no tratamento e prevenção da AIDS

Em 1987, quando chegou ao mercado o primeiro coquetel de remédios para tratamento da AIDS – o AZT – o Brasil totalizava 2.775 soropositivos. O número saltou para 6.295 em 1989.

Três décadas depois, o Brasil oferece tratamento gratuito via Sistema Único de Saúde (SUS) para 215.000 pessoas infectadas.

“Em 1987, quando começamos a distribuir o AZT, a sobrevida dos soropositivos era de meses. Hoje, podemos dizer que há chance de sobreviver ao HIV”, destaca Dirceu Greco, diretor do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

Greco, que é médico infectologista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais, diz considerar exemplar a forma como o Brasil decidiu enfrentar a doença.

“A determinação do governo, tendo o SUS como principal protagonista, e a parceria com as universidades e movimentos sociais foram fatores determinantes para o sucesso do programa”, diz Greco. “Por ano, o país investe R$ 1,4 bilhão, R$ 800 milhões apenas em remédios e o restante na parte operacional de tratamento e prevenção.”

O Brasil distribui 500 milhões de preservativos por ano – 100 milhões são produzidos por uma fábrica do próprio governo, no Acre.

O modelo brasileiro é considerado exemplar e classificado como um dos melhores do mundo pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/AIDS (UNAIDS).

Cristine Pires colaborou de Porto Alegre, Brasil; René Novoa, de Tegucigalpa, Honduras; Sergio Ramos, da Cidade do México; e Antonio Ordonez, da Cidade da Guatemala.

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