Você gostaria de fazer do português o idioma padrão deste site?
2012-06-13

Londres 2012: Conheça os primeiros vencedores do Brasil

Por Daniela Oliveira para Infosurhoy.com – 11/06/2012

Os quatro brasileiros escolhidos para carregar a tocha olímpica na Inglaterra têm em comum a origem humilde, trajetórias inspiradoras e uma bela história de viagem para contar.

TAMANHO DO TEXTO
Os quatro brasileiros com suas respectivas réplicas da tocha olímpica na cidade de Liverpool. (Cortesia da Coca-Cola /Emiliano Capozoli)

Os quatro brasileiros com suas respectivas réplicas da tocha olímpica na cidade de Liverpool. (Cortesia da Coca-Cola /Emiliano Capozoli)

RIO DE JANEIRO, Brasil – Graças ao premiado documentário “Lixo extraordinário” (2010), o catador de materiais recicláveis Sebastião “Tião” dos Santos, 33 anos, viveu dois momentos de glória no exterior.

O primeiro momento foi num leilão em Londres, em 2009, quando um quadro do artista plástico Vick Muniz com a imagem de Tião foi vendido por £28.000. O segundo foi na cerimônia do Oscar 2011 em Los Angeles, na Califórnia, quando o filme concorreu ao prêmio de Melhor Documentário.

“Eu achava que nunca mais teria outro momento tão especial quanto o que tive com ‘Lixo Extraordinário’ e tudo o que veio a reboque”, diz ele.

Tião estava enganado.

No início deste mês, ele viajou com outros três brasileiros à Inglaterra para carregar a tocha olímpica pelas ruas da cidade de Liverpool.

Escolhidos por um dos patrocinadores dos Jogos Olímpicos de Londres, todos os quatro têm origem humilde e trajetórias inspiradoras. Na Inglaterra, eles foram apresentados como exemplos de um novo Brasil.

Além do catador, estavam no grupo o blogueiro e morador do Complexo do Alemão Rene Silva, que ganhou notoriedade ao descrever pelo Twitter a ocupação da comunidade pela polícia em 2010; o pernambucano Marcos André França da Silva, que venceu a extrema pobreza e hoje prepara jovens carentes para o mercado de trabalho, e a jogadora de futebol Eduarda “Duda” Hubner, de 14 anos.

A tocha olímpica foi acesa em 10 de maio, na Grécia, e viajou trocando de mãos em direção ao Reino Unido. Até acender a chama olímpica na cerimônia de abertura dos Jogos de Londres, em 27 de julho, ela terá passado por cerca de 8.000 pessoas, entre anônimos e famosos, como o cantor Will.i.am, do Black Eye Peas, os jogadores de futebol David Beckham e Didier Drogba, e a princesa Anne, filha da rainha da Inglaterra.

“Não carreguei a tocha sozinho. Estava ali representando milhares e milhares de catadores, uma gente normalmente invisível”, diz Tião, que hoje é um dos líderes do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.

Cada um correu cerca de 300 metros. Tião aproveitou cada polegada e deu trabalho aos seguranças, porque correu cumprimentando o público nas calçadas: “O mundo parou e eu só pensava em tudo o que já passei na vida. Foi inesquecível”.

Repórter da favela

O blogueiro Rene Silva, 18 anos, também ficou emocionado. Jornalista prodígio, ele criou aos 11 anos o site de notícias Voz das Comunidades, sobre o Complexo do Alemão.

Quando a favela foi ocupada pela polícia, Silva contou a versão dos moradores pelo Twitter. Hoje, ele tem quase 35.000 seguidores, é consultor de novelas da TV Globo e repórter de rádio. Como se não bastasse, o menino recebeu ofertas de bolsas de estudo para estudar jornalismo em cinco universidades privadas do Rio.

“Estou muito feliz por ter representado minha comunidade e o Brasil nos Jogos Olímpicos. Vejo que meu trabalho deu resultado”, diz Silva, que nunca tinha viajado ao exterior. “Nesses momentos, percebo que tudo é possível, independentemente da origem de cada um.”

Silva abriu a participação brasileira com sua corrida no bairro de Southport e contou detalhes da viagem no Twitter. Como os outros, levou a réplica da tocha para casa.

“Agora, vamos montar um vídeo com várias pessoas do Complexo do Alemão carregando a tocha, para tentar dividir um pouco a emoção que senti na Inglaterra”, conta ele.

Quando pensa na carreira jornalística, Silva não se imagina trabalhando num grande jornal, mas sim replicando a “Voz das Comunidades” em outras favelas do Rio.

“Minha ideia é treinar correspondentes e fazer com que eles mesmos toquem seus respectivos sites em outras comunidades”, diz ele.

Futura Marta

Eduarda Hubner, a Duda, joga futebol desde os 6 anos. Foi descoberta pela marca de refrigerantes quando vestia as cores de um time do interior do Rio, o Volta Redonda. Na ocasião, foi vice-artilheira do campeonato, marcando 22 gols.

Sua habilidade com os pés a levou para os testes no time sueco Tyresö FF, onde joga a craque brasileira Marta. Duda foi aprovada e deve começar a treinar na Suécia ainda em 2012.

“Meu sonho é jogar na Seleção Brasileira e um dia me tornar tão boa quanto a Marta”, diz Duda. “Fiquei muito feliz em participar do revezamento com a tocha e quem sabe não estarei um dia nos Jogos, mas com a camisa da Seleção.”

De Pernambuco para Liverpool

Assim como seus companheiros de viagem, o pernambucano Marcos André França da Silva teve uma infância de privações. Ele já morou nas ruas de Recife e viu amigos serem recrutados pelo tráfico de drogas.

Hoje, aos 28 anos, Silva é instrutor do Coletivo de Chão de Estrelas, que educa jovens em Olinda para o mercado de trabalho.

“Apesar de curto, esse momento sempre vai ter um espaço especial no meu peito. Sou um privilegiado”, diz Silva, que, em Liverpool, executou passos de frevo com a tocha na mão.

Você gostou desta reportagem?

0Rating_no

Incluir seu comentário

Pesquisa
Você considera o crime organizado uma ameaça à estabilidade em seu país?
Ver resultados