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2010-04-22

Beisebol se tornou muito mais do que o passatempo nacional dos EUA

Por Dave Carey para Infosurhoy.com - 22/04/2010

Latino-americanos têm presença marcante nos principais campeonatos

TAMANHO DO TEXTO
“Na Venezuela, República Dominicana, Colômbia e Panama, as pessoas amam o beisebol porque não têm nada mais para fazer”, disse o rebatedor do Detroit Tigers, Carlos Guillén, que nasceu em Maracay, Venezuela. (Gregory Shamus/Getty Images)

“Na Venezuela, República Dominicana, Colômbia e Panama, as pessoas amam o beisebol porque não têm nada mais para fazer”, disse o rebatedor do Detroit Tigers, Carlos Guillén, que nasceu em Maracay, Venezuela. (Gregory Shamus/Getty Images)

WASHINGTON, D.C., EUA – Dizem que o beisebol é o "passatempo nacional" dos Estados Unidos. Se continuar crescendo ao ritmo em que cresce agora, porém, logo poderá ser chamado de “passatempo mundial”.

O esporte tem se disseminado rapidamente pelo planeta, firmando-se, sobretudo, na América Latina. Entre os países que integraram o jogo a sua cultura, estão Porto Rico, República Dominicana e Venezuela.

A dobradinha bola e taco agora começa a fazer frente ao futebol em termos de popularidade, e crianças passam a sonhar em jogar nos EUA, onde os que participam dos principais campeonatos ganham bilhões rebatendo e recebendo bolas.

“Uma das minhas prioridades – uma das prioridades do esporte – é a internacionalização do beisebol”, disse a repórteres recentemente o dirigente da Major League Baseball Commissioner, Bud Seli. “Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance para dar direcionamento internacional ao esporte. Acho que isso será simplesmente espetacular.”

Segundo o site ESPN.com, no final da última temporada, 42,6% dos jogadores dos menores campeonatos tinham nascido fora dos EUA e 80% deles vinham de dois países: República Dominicana e Venezuela.

Mas muitos latino-americanos ainda não entendem o jogo.

Um jogo tem nove rodadas ("innings"), cada uma delas com duas metades: a alta e a baixa. A equipe visitante sempre bate primeiro, e a anfitriã bate na segunda metade. Cada meio tempo dura até que três atacantes de cada time consigam eliminar (out) o rebatedor. Eliminações ocorrem quando um jogador pega a bola antes de ela tocar o chão, intercepta o corredor com a bola se ele não está na primeira, segunda ou terceira base ou está com a bola ao tocar a base antes de um corredor, que é forçado a avançar, alcançando-a.

Cada rebatedor tem um número ilimitado de arremessos para tentar rebater as bolas e colocá-las no jogo, ou seja, entre a primeira e segunda bases. Porém, caso um rebatedor receba quatro bolas ruins (ball) – arremessos que não passaram pela área chamada "zona de strike", determinada pelo juiz principal –, ele avançará automaticamente para a primeira base. Mas, se perde três arremessos considerados dentro da "zona de strike" pelo juiz principal, o rebatedor é eliminado. A "zona de strike" é a área sobre a placa (home base), na altura compreendida entre a rótula do joelho e abaixo das axilas.

Se um rebatedor acerta a bola que não está no jogo e a defesa não consegue pegá-la antes que toque o solo, é uma bola de falta – e conta um ponto. Entretanto, os rebatedores não podem passar ao outro arremesso rebatendo uma bola de falta. Isso significa que um rebatedor pode rebater 20 bolas de falta e ainda ganhar um novo arremesso.

Se um rebatedor rebate a bola para fora do campo, é um 'home run", e o jogador – assim como todos os outros jogadores que estiverem na base – corre para as bases seguintes. As equipes ganham um “run” por jogador que alcançar a primeira, segunda e terceira bases ("home plate") – necessariamente nessa ordem – na mesma rodada.

O time que estiver com o maior número de pontos depois de nove rodadas é o ganhador. Se houver empate após nove rodadas, o jogo continua com arremessos alternados até que um time vença ao final da rodada.

A complexidade das regras é frustrante para os novos torcedores, mas não impediu que o jogo fizesse grande sucesso na América Latina.

“Na Venezuela, República Dominicana, Colômbia e no Panamá, as pessoas amam o beisebol porque não têm nada mais para fazer”, disse o rebatedor do Detroit Tigers, Carlos Guillén, venezuelano de Maracay. “Todo mundo está indo aos jogos ou tentando aprender beisebol. A gente vê crianças jogando beisebol nas ruas com bolas de papel, tentando criar bolas de beisebol com qualquer coisa só para jogar nas ruas. Lá, as pessoas usam as ruas para jogar beisebol. Não se vê isso aqui.”

Quando chegam aos EUA, os jogadores passam a sonhar em avançar pelo extenso sistema das ligas menores, onde os melhores são promovidos para as ligas principais. A Major League Beisebol, a principal liga, é composta de duas partes: a Liga Americana e a Liga Nacional.

A Liga Nacional tem 16 times e três divisões – Leste, Centro e Oeste. A Liga Americana, com 14 equipes, também tem as divisões Leste, Centro e Oeste.

A maior diferença entre os campeonatos é que, na Liga Nacional, o arremessador é obrigado a rebater, ao passo que, na Liga Americana, há um rebatedor designado.

Ao final do jogo 162 da temporada normal, o campeão de cada divisão e a equipe que ficou em segundo lugar em cada liga disputam os play-offs. A primeira rodada, conhecida como Divisional Series (semifinais de cada liga), é jogada numa melhor de cinco partidas. Os times vencedores avançam para a Championship Series, jogada numa melhor de sete partidas na qual o campeão avança para a World Series. A World Series é um dos maiores eventos do calendário esportivo americano. O time que ganha a melhor de sete partidas é declarado o campeão da temporada.

É provável que o formato do jogo de beisebol não mude nada, mas ânimo injetado por dezenas de jogadores latino-americanos nas ligas principais provou que os limites do jogo cruzaram fronteiras e foram muito além dos EUA.

“Nossos jogadores definitivamente têm outro jeito de jogar”, afirmou Juan Samuel, terceira base da República Dominicana no World Baseball Classic de 2007, em entrevista à ESPN.com. “Nós somos mais rápidos e provavelmente nos divertimos mais no jogo – porque é tudo que fazemos. As crianças americanas estão jogando futebol, hockey, golfe. Você não vê dominicanos participando de torneios de golfe. E também não vê ganhando bolsas de estudo para jogar golfe.”

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