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2010-07-20

Copa do Mundo de 2014: governo brasileiro anuncia investimentos

Por Ricardo Corrêa para Infosurhoy.com—20/07/2010

A participação de São Paulo na Copa ainda é uma incógnita.

TAMANHO DO TEXTO
O impasse na reforma do Estádio do Morumbi, sede do São Paulo Futebol Clube, com capacidade para 80 mil pessoas, pode impedir a arena de sediar os jogos da Copa do Mundo. (Nelson Almeida/AFP/Getty Images)

O impasse na reforma do Estádio do Morumbi, sede do São Paulo Futebol Clube, com capacidade para 80 mil pessoas, pode impedir a arena de sediar os jogos da Copa do Mundo. (Nelson Almeida/AFP/Getty Images)

BELO HORIZONTE, Brasil – A Copa do Mundo só começa daqui a quatro anos no Brasil, mas os preparativos para receber o maior espetáculo do futebol já estão em andamento.

O presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou em 19 de julho que o governo deve investir R$ 5,5 bilhões na melhoria de 13 terminais aeroportuários nas 12 cidades que vão sediar o Mundial.

A previsão do governo é que todas as obras estejam concluídas entre junho de 2013 e abril de 2014. A Fifa, porém, disse que a nação de 193 milhões de habitantes ainda tem muito o que fazer — e não apenas na melhoria da infraestrutura aeroportuária.

“Vamos trabalhar nos principais problemas do Brasil”, Jerôme Valcke, secretário-geral da Fifa, disse aos repórteres no final da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. “Temos que construir estádios, estradas, estabelecer um sistema de telecomunicação e assim por diante, mas vamos nos assegurar de que tudo esteja pronto.”

Valcke disse ainda que o país será dividido em quatro regiões de disputa. O objetivo é reduzir os deslocamentos dos torcedores.

“O Brasil é um continente, não um país”, disse Valcke.

A Copa de 2014 terá 12 sedes: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília, Cuiabá, Salvador, Natal, Fortaleza, Recife e Manaus.

As condições dos estádios também preocupam a Fifa. Um relatório do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) mostra que as obras já começaram em três cidades: Belo Horizonte, que faz intervenções no Mineirão, além de Cuiabá e Manaus, que estão demolindo arenas antigas para erguer novos estádios.

Nas demais 9 cidades, estão sendo solucionados entraves burocráticos para que as obras se iniciem, explica o presidente do Sinaenco, João Alberto Viol.

“É preciso finalizar os projetos executivos para dar início às obras com controle rigoroso, para que possamos ter em tempo os estádios para a Copa das Confederações, em 2013, e para a Copa, em 2014”, acrescenta Viol.

Mas a grande preocupação é justamente com São Paulo, a maior cidade do país.

Inicialmente, o Morumbi, estádio do São Paulo Futebol Clube, com capacidade para 80 mil pessoas, poderia sediar as cerimônias de abertura e encerramento da Copa do Mundo, além de diversos jogos.

Mas, por não se tratar de um estádio público, os R$ 630 milhões para sua reforma teriam que ser financiados pela iniciativa privada. Como o clube não conseguiu apresentar garantias financeiras, nem cumpriu o prazo de entrega dos projetos para o estádio, a Fifa e o Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014 decidiram retirá-lo da Copa.

A recusa do Morumbi criou um grande entrave.

A Fifa seus patrocinadores querem realizar a abertura em São Paulo e não abrem mão da cidade como uma das sedes. Mas a prefeitura e o governo estadual não estão dispostos a construir outra arena. O prefeito, Gilberto Kassab, disse em entrevista coletiva em 16 de junho que não há nenhuma hipótese de a prefeitura usar dinheiro público para construir um novo estádio para 2014, destacando que o projeto que prevê uma nova arena em Pirituba, na região Norte da cidade, é apenas para 2020.

E a secretaria de Planejamento do governo estadual informa que o comitê local só vai voltar a se manifestar após a reunião com a Fifa, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e representantes do São Paulo Futebol Clube, marcada para 22 de julho.

“Eu, sinceramente, não consigo imaginar uma Copa do Mundo no Brasil sem ter São Paulo como um dos cantinhos em que os atletas vão jogar bola”, afirmou Lula durante uma solenidade em 19 de julho, segundo o G1. “Estou disposto a entrar nessa conversa, acho que o governador [Alberto Goldman] já deveria ter chamado todos os envolvidos para conversar, para encontrar uma solução e não ficar brigando pela imprensa, porque o tempo urge.”

O ministro dos Esportes, Orlando Silva, concorda com Lula.

“Cada dia que nós perdemos na escolha do estádio da Copa em São Paulo pode significar o encarecimento das obras”, disse Silva citado pelo G1.

Se o Morumbi não puder sediar as atividades da Copa em São Paulo, ainda resta uma opção: o novo estádio do Palmeiras.

O problema é que, pelo projeto, pago pela iniciativa privada e cujo contrato foi assinado em 15 de julho pela Sociedade Esportiva Palmeiras com a construtora WTorre, o estádio só terá capacidade para 45 mil torcedores, permitindo apenas jogos até as quartas de final.

Para as cerimônias de abertura e encerramento, as semifinais e a decisão, é necessário um estádio com capacidade para, pelo menos, 65 mil pessoas.

Se for confirmada a derrocada de São Paulo, há grande possibilidade de que a abertura e a final aconteça no maior estádio do país, o Maracanã, no Rio de Janeiro, com capacidade para 86 mil pessoas.

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